segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Demissões na Emater afetam a agricultura familiar

Ao ler e ouvir notícias sobre as demissões na Emater, que começaram hoje, lembro das longas jornadas que empreendi por centenas de municípios gaúchos em busca de fontes e casos de sucesso para minhas matérias. Sempre tive em um escritório da empresa o apoio irrestrito. A Emater é, sem dúvida, o sustentáculo da economia agrícola por meio de seu trabalho de extensão rural. A agricultura familiar do Rio Grande do Sul é hoje modelo no Brasil por causa do trabalho desenvolvido por técnicos que enfrentam o sol e a chuva para levar ensinamentos a pequenos e médios produtores.
É esse público o maior prejudicado pelo canetaço dado pela governadora Yeda Crusis ao demitir 287 funcionários, ou quase 10% de seu efetivo. Os discursos governistas tentam amenizar o impacto da medida que exigirá um desembolso de R$ 10 milhões dos cofres públicos. No entanto, quem conhece sabe que a economia familiar sentirá a falta de apoio técnico na hora de começar o plantio da lavoura, de utilizar uma tecnologia adequada ao solo disponível e na preservação ambiental.
E não é apenas a agricultura familiar que sentirá o peso do remédio neoliberal. Parte dos quilombolas, pescadores artesanais, indígenas e assentados - que formam um contingente superior a 250 mil famílias de assistidos com áreas em 483 municípios - sentirão o impacto. Que crescerá como bola de neve ao longo dos próximos anos.
Por isso, o Governo federal age corretamente ao buscar alternativas, como a formação de parcerias com cooperativas, universidades e organizações não-governamentais. O ordem é suprir excelente trabalho que a Emater sempre realizou por todos os cantos do Rio Grande do Sul. Mas vamos ter que reerguer a empresa.

Gerente preconceituoso da Ford Bahia é demitido por justa causa

Depois de ofender os metalúrgicos da Ford Camaçari, com xingamentos e frases preconceituosas contra negros e nordestinos, o gerente do prédio de montagem Gilberto Albuquerque, contratado da Ford há 23 anos, foi demitido por justa causa pela direção da empresa, após a paralisação de 1,5 mil funcionários da planta, que protestaram contra os atos na quinta-feira (23 de agosto).
Segundo relato dos trabalhadores, o gerente do prédio de montagem Gilberto Albuquerque tentou 'premiar', na quinta-feira, um dos setores da montagem, considerado por ele como o mais sujo da planta, com um pequeno porco de cerâmica envolto em uma caixa de acrílico, deixando o objeto exposto sobre um armário. Indignado com a tentativa de humilhação, Souza questionou o gerente sobre sua atitude e ouviu deste expressões como 'filho da p...' e 'vá tomar...'. Além disso, proferiu frases preconceituosas contra nordestinos e negros, o que gerou a revolta dos metalúrgicos.
Em reação imediata, os diretores sindicais, juntamente com os trabalhadores que testemunharam a agressão, interromperam suas atividades. Só voltariam após a retratação do gerente. Em instantes, a paralisação se estendeu por toda a montagem final. A fábrica só voltou a funcionar quando Albuquerque, natural de São Paulo, pediu desculpas publicamente ao diretor ofendido e aos trabalhadores da empresa em geral. Mas isso não impediu sua demissão.
Agora, a FETIM-BA entrará com uma ação na Justiça por assédio moral e danos morais contra Albuquerque e a Ford Bahia.

O mistérios das privatizações

Atenção para uma leitura imperdível. No Livro A Farsa do Neoliberalismo , de Nelson Werneck Sodré, da Editora Graphia Editoria, é dissecado o processo de privatização , principalmente do setor siderúrgico, envolvendo a Vale, a Usiminas e a CSN.
Na obra, é destacado que as empresas estatais desempenhavam papel de singular destaque. Como sabem todos, e particularmente os que se empenhavam na privatização das empresas, a siderugia é a base dos processos industriais. Daí a importância da siderurgia estatal para o desenvolvimento do Brasil. Por isso mesmo, contra ela foi montada uma demolidora seriação de operações.
A siderurgia comanda a mineração, o transporte, o parque automobilístico - das autopeças às montadoras -, a indústria de eletrodoméstico, a da construção naval, a militar. Destruir a siderurgia estatal, pois, era meta perseguida desde o primeiro momento da insânia privatista ditada do exterior e aqui acompanhada pelos que dela se beneficiariam e pelo coro de espertos e ingênuos. Destruí-la era debilitar sem remédio a intervenção do Estado na propulsão da indústria em nosso País. Ou seja, privá-lo de uma das mais poderosas alavancas para o desenvolvimento.

Tu sabias que:
1) A Vale do Rio Doce foi vendida (doada) em 1997 por menos de US$ 4 bilhões, mas estava avaliada em US$ 92 bilhões na época. Hoje, vale quase US$ 200 Bilhões. Mais: conforme afirmou seu diretor de Finanças, em 2005 possuía um patrimônio de US$ 40 bilhões, ou 12 vezes o valor pago pelos compradores no leilão-doação.
2) Em 1995, a Vale declarou a SEC da Bolsa de Nova York ter reservas de minério de ferro de 7,9 bilhões de toneladas no Sistema Sul (MG) e de 4,9 bilhão de toneladas no Sistema Norte (Carajás). No dia do leilão, foi informado que cada uma tinha apenas de US$ 1,4 bilhão de toneladas.
Detalhe: A SEC equivale a nossa CVM ( Comissão de Valores Mobiliários), órgão que regula o mercado acionário e deve ser informado da realidade de cada empresa.

sábado, 25 de agosto de 2007

Índia é agredida por jovens. Como isso ainda acontece?

Quando pensamos que o espírito humanitário passa a valer mais, surgem novas informações que mostram o caminho contrário. Um exemplo: a série de crimes contra os índios da reserva de Dourados (MS) teve ontem um dos mais terríveis episódios. A índia caiová Adélia Garcia Garcette, 37 anos, foi espancada por quatro menores entre 12 e 14 anos. Dois deles foram detidos com as roupas ainda sujas de sangue da vítima. O jovem de 12 anos estava alcoolizado. A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo testemunhas, os garotos invadiram a casa de Adélia, dentro da reserva, e começaram a agredi-la com facões. Ela teve ferimentos graves no olho esquerdo e a mão esquerda foi decepada. A índia está internada no Hospital Evangélico de Dourados. Quatorze 14 índios foram assassinados no Estado neste ano.
Um absurdo que merece a atenção de nossas autoridades.

Confissões de um piloto

Recebi e sinto obrigação em dividir com meus amigos e leitores o belo texto escrito por um comandante da Varig.
Apreciem porque vale a pena....

Aos pilotos do TAM 3054

Quaisquer que sejam as conclusões da investigação em curso do
recente e trágico acidente da TAM, estou convicto de que Kleyber e
Stephanini não o desejavam; que envidaram seus melhores esforços
no sentido de evitá-lo; que esperavam entregar seus passageiros sãos e salvos a
seus familiares e amigos.

Descansem em paz, companheiros, e um bom vôo para o novo destino.

Não conheci pessoalmente nem Kleyber nem Stephanini, mas isso não importa. Eram
aviadores como eu. Com eles compartilhei o mesmo céu, os mesmos aeroportos,os
mesmos prazeres e tensões da profissão. Talvez um deles, numa tarde perdida no
tempo, estivesse na cadeira da esquerda daquele avião alinhado na cabeceira da
pista 35L do Aeroporto de Congonhas, aguardando autorização da torre para
decolar, enquanto eu, de meu Boeing 737-500, esperava, numa longa fila, a minha
vez de entrar na arena.

A cada decolagem, a cabeceira era ocupada pelo avião seguinte, e o mesmo ritual
se repetia. Era uma sucessão de momentos solenes e mágicos, como aquele em que o
touros encaram os toureiros antes dos embates finais.
Naqueles momentos, éramos todos irmãos. De tribos diferentes, mas irmãos.
Sabíamos dos perigos que diariamente nos rondavam.

Eram ossos de um ofício perigoso, no qual as conseqüências de falhas humanas são
muitas vezes catastróficas.

Éramos todos dependentes emocionais da aviação. Ela nos atraíra desde meninos
com força irresistível. Não houve como escapar a seu fascínio.

Chegara minha vez. Da cabeceira da pista, observando a fila de aviões que
aguardavam minha partida, sabia que os olhares de meus companheiros estavam
postos no Boeing azul e branco prestes a se lançar aos céus.

Éramos novamente os meninos de calças curtas que passavam os sábados e domingos
nas varandas abertas dos antigos aeroportos admirando os DC-3, Curtiss Commando,
Convair e Constellations pousando e decolando. Éramos os mesmos, apenas nossos
postos de observação agora eram melhores.

Nunca foi fácil ser aviador. Enfrentar tempestades, pistas curtas e
escorregadias, quase-colisões com outros aviões, acordar de madrugada, dormir
tarde, passar noites voando, sacrificar vida pessoal, familiar e sentimental,
não ver os filhos crescerem, não ter feriados, natal, ano novo, carnaval, fins
de semana com a família
nem com os amigos, comer apressado antes das descidas, sofrer de gastrite ou
úlcera, embranquecer prematuramente os cabelos.
De muita coisas nos privamos, mas jamais traímos aqueles
meninos que um dia olharam para o céu e se deslumbraram; que não concebiam outra
profissão que não a de aviador.
Não era um veterano de cinqüenta e muitos anos quem pilotava o avião azul e
branco naquela tarde distante; era o menino que eu
um dia fora.

Aceitávamos os riscos. Sabíamos que um dia talvez a sorte nos fizesse despencar
do céu. Mas valia a pena. Em que outra profissão nos sentiríamos como águias
ágeis e velozes?
Que outro trabalho nos brindaria com mágicas noites de luar em catedrais de
alvas nuvens?
Onde mais achar crepúsculos assim?


Comandante Carlos Ari César Germano da Silva

30/07/2007

Inter, com chuva e tudo

Chuva e futebol são incompatíveis. É a primeira frase que surge quando olho para a rua e noto que não pára de chover aqui em Porto Alegre. Faltam duas horas para o jogo em que o Internacional enfrentará o Atlético-PR em busca de uma vitória que o fará subir na tabela do Brasileirão. A vontade é de ficar em casa, de não me expor à umidade deste prolongado inverno que me deixa em estado gripal desde maio. Mas estou decidido a ir ao Beira-Rio para incentivar meu clube. O jogo será encardido, com chutões e desfavorável para quem está com melhor plantel no momento (o Inter). As arquibancadas certamente estarão vazias, como na foto ao lado. Contudo, a paixão pelo time rubro é mais forte. Um sócio não pode ir só nas boas. Pronto: me convenci e vou ao jogo. Depois eu relato se o sacrifício valeu a pena. Isso implica numa vitória colorada, na qual acredito. Vamos, Inter....

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Editorial JB: invasão de privacidade d´O Globo

Pessoal, o editorial do Jornal do Brasil publicado parcialmente abaixo trata-se de ataque direto à concorrência (O Globo). É de fato, mas não seria se não houvesse esta tal de disputa por leitores. Ninguém se engane sobre os propósitos do JB. Mas o que está escrito ali é a pura verdade: falta ética no jornalismo. Só não as reconhece que não as tem em suas consciências. Muitos repórteres e colunistas entram nesta onda, infelizmente. Leiam com cuidado:

“Assim como a sociedade não tolera qualquer tipo de censura, tampouco aceita excessos da parte de veículos de comunicação. A violação do conteúdo de mensagens particulares trocadas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), estampada ontem na primeira página de um jornal carioca, é um desses exageros que ultrapassam os limites éticos do jornalismo.
Enquanto ouviam os argumentos dos advogados de defesa na primeira sessão de julgamento dos 40 denunciados pela formação do esquema do mensalão, na quarta-feira, dois integrantes da Suprema Corte - o ministro Ricardo Lewandowski e a ministra Carmen Lúcia - tiveram a tela de seus computadores devassada pelas lentes de um repórter-fotográfico. Por meio de correio eletrônico instantâneo, trocavam mensagens de cunho profissional, acerca da audiência em questão e sobre outros temas pertinentes ao STF. Atitude trivial e rotineira em qualquer ambiente de trabalho - seja um escritório, uma redação de jornal ou mesmo um tribunal.
Supunham os ministros que a intimidade de suas conversas estaria preservada - senão pela distância obsequiosa dos presentes à sessão, ao menos pelos mais elementares direitos do homem, o livre pensar. Estavam enganados. O conteúdo dos textos privados tornou-se público e ganhou as manchetes, carregadas em tintas sensacionalistas. O ato, imediatamente, despertou o repúdio da sociedade. Faz pensar numa reedição, generalizada, do odioso macarthismo - que assombrou a sociedade americana no auge da Guerra Fria.”

Adeus, Dedé!

Os jornalistas gaúchos estão de luto pela perda de um brilhante colega e grande amigo de luta e alegria. Infelizmente, Dedé Ferlauto, 56 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, 24 de agosto, em Florianópolis, Santa Catarina. Nascido como José Otávio da Rosa Ferlauto, sofria de câncer no fígado e teve uma vida dedicada ao Jornalismo e à arte: era também poeta, escritor, artista gráfico e artesão. Tudo.....
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, do qual sou diretor, lamenta sua morte porque Dedé passou parte de sua vida na sede da entidade. Em algumas gestões foi diretor e, no período de 1993 a 1996. foi assessor de Imprensa, tendo editado o jornal Versão do Jornalistas.
Dedé também trabalhou em Zero Hora, Correio do Povo, Multiarte, revista Transbrasil, entre outros. É autor de livros de poesia e de histórias de vida, como 'Thiago Gonzaga - História de uma Vida Urgente'.. Prestou assessoria ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul - Sintrajufe, um de seus últimos trabalhos em Porto Alegre antes de se aposentar.
Foi letrista de várias músicas em parceria com Léo Ferlauto, um de seus cinco irmãos, além de outros músicos. Sua rotina recente era caminhar todos os dias na praia ao raiar do sol. Dedicava-se à casa e a plantas, fazendo bonsais e mosaicos. Sua casa sempre foi um núcleo de amigos e da arte, com saraus freqüentes, onde, além de música e poesia, se compartilhavam alimentos integrais, vivências, projetos, sonhos e planos. A rua São Luiz, onde passou seus últimos anos na Capital gaúcha, era um templo de criação, acolhimento e amizade. Era também a extensão do lar dos tantos amigos da família.
Natural de Porto Alegre, onde passou a maior parte da sua vida, Dedé morava na praia do Campeche, em Florianópolis, há dois anos com a companheira Usha - Maria Lúcia, com quem compartilhou os últimos 34 anos. Deixou quatro filhos e dois netos - Ananda, 35, Tiana, 31, Emanuel, 30, Liza, 28, e os netos Lea, 4, e Téo, de 1 ano. Também deixou órfãos inúmeros amigos. Além de Porto Alegre e Florianópolis, morou também em Novo Hamburgo e Sapiranga.
O velório ocorre na Capela São Sebastião, no Campeche, em Florianópolis, com cremação do corpo no final da tarde desta sexta, em Camboriú. Ouvia música do despertar ao adormecer. A seu pedido, todo o velório foi acompanhado por música. Nós, aqui distantes, estamos ouvindo aquilo que gostavas, parceiro ...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Acordo coletivo é bom para outras categorias. E os jornalistas?

O própria mídia divulgou, mas seus veículos não seguem a tendência, mesmo que o faturamento do setor esteja acima de outros segmentos da economia brasileira. Pois bem: levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) mostra que 97% dos acordos coletivos firmados no primeiro semestre de 2007 apresentaram reajustes equivalentes ou superiores ao INPC-IBGE. Desses, 88% trouxeram ganhos reais, dos quais 40% foram superiores a 1,5%. No mesmo período do ano passado, esse resultado foi obtido por 81,9% das entidades.
Segundo o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, a evolução conquistada pelos sindicatos nas reposições salariais a partir de 2004 foi facilitada pela melhora no quadro econômico do país e pela queda da inflação.Também é preciso destacar que as categorias que mais se mobilizaram e mais organizadas conseguiram melhores reajustes, além da manutenção e/ou ampliação de conquistas sociais.
No entanto, não é isso que está acontecendo com os jornalistas no Rio Grande do Sul. Estamos negociando desde junho, mas os patrões só aceitam conceder reajuste pela inflação do período. Se avançam, querem um recuo nosso. Não podemos ceder mais, como abrir mão das horas extras. Ou seja, eles divulgam uma notícia boa para as demais categorias. Mas, na hora da negociação, seguram. É sempre assim.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Disputa favorece a Usina do Gasômetro



Uma saudável disputa - intencional ou não - entre dois grupos de comunicação está tornando ainda mais belo um dos cartões de visita e ponto de referência cultural de Porto Alegre. A Usina do Gasômetro, prédio histórico localizado às margens do lago Guaíba, ganhou novas cores na parte externa por meio de iniciativa que contou com participação do Grupo Record, recém incorporado ao universo midiático gaúcho. A entrega foi realizada no domingo (19 de agosto) com realização de shows durante o dia.
E a parte interna também receberá retoques e pinturas para abrigar a exposição No AR - 50 Anos de Vida. A Prefeitura de Porto Alegre e o grupo RBS assinaram contrato que permite a utilização de parte da Usina do Gasômetro entre os dias 1º de setembro e 18 de novembro deste ano. O valor que será investido pelo grupo da família Sirotsky na pintura do interior da Usina do Gasômetro está estimado em R$ 250 mil. A exposição ocupará 4,3 mil metros quadrados do complexo.
A foto acima, ainda com o prédio sem a nova pintura, é do site http://nutep.adm.ufrgs.br



domingo, 19 de agosto de 2007

Exibicionismo explícito

Modelos e celebridades descobriram a fórmula ideal para aumentarem a fama e ganharem destaque em sites. Como a futilidade impera, virou moda o uso de vestidos com decotes profundos que deixam margem a uma escorregada que pode ser flagrada por um sempre atento fotógrafo. Eventualmente aparece o flagrante de uma atriz sem calcinha, mas o seio à mostra - mesmo que seja apenas um naco - é exibido quase que diariamente nos sites populares como Terra e UOL. E o titulo é repetido à exaustão: "Blusa escorrega durante desfile e exibe seio de modelo".
Parece coisa combinada porque, na seqüência, são divulgadas as marcas e os estilistas que apresentaram as modelos na passarela. De outra forma, não mereceriam chamada.

50

Tem alguém nas redondezas que fará 50 anos no próximo domingo. Já avisou que não quer festa, visitas, lembranças... Pois eu já ultrapassei meio século de vida e posso dizer que ganhei todos estes anos. Me sinto em plena forma física e mental para agüentar o tranco por mais alguns. E essa pessoa - que eu não revelo o nome, por respeito - também está na mesma situação. Como é bom chegarmos nesta idade podendo produzir, sendo importantes para as pessoas que nos rodeiam e, especialmente, fazendo planos para o futuro. Um pedido: festeja teus 50 anos como se fossem 30, 40... Afinal, nestas datas também nos assustamos um pouco. Mas não doeu. E fomos em frente...

As lições das ferramentas

Recebi da colega jornalista Rita Escobar e repasso porque é importante para refletirmos sobre nossas atitudes:

Ferramentas

Contam que, em uma marcenaria, houve uma estranha assembléia.
Foi uma reunião onde as ferramentas juntaram-se para acertar suas diferenças.
Um martelo estava exercendo a presidência, mas os participantes exigiram que ele renunciasse.
A causa?
Fazia demasiado barulho e além do mais, passava todo tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, alegando que ele dava muitas voltas para conseguir algo.
Diante do ataque o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa.
Disse que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atrito.
A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fosse o único perfeito.
Nesse momento entrou o marceneiro, juntou todos e iniciou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso...
E a rústica madeira se converteu em belos móveis.
Quando o marceneiro foi embora, as ferramentas voltaram à discussão.
Mas o serrote adiantou-se e disse:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos...
Portanto, em vez de pensar em nossas fraquezas, devemos nos concentrar em nossos pontos fortes.
Então a assembléia entendeu que:
- o martelo era forte,
- o parafuso unia e dava força,
- a lixa era especial para limpar e afinar asperezas,
- e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se como uma equipe, capaz de produzir com qualidade; e uma grande alegria tomou conta de todos pela oportunidade de trabalharem juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos.
Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa.
Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos...
Qualquer um pode fazê-lo!
Mas encontrar qualidades?
Isto é para os sábios!!!

E a FIFA, hein?


Colorados, vale a pena lermos o texto abaixo sobre a retirada do FIFA de nosso letreiro de Campeão do Mundo. Vamos nos deliciar.

Por Luis Felipe dos Santos

Fiquei sabendo que, lá do firmamento, o eterno presidente do Internacional Antenor Lemos não apenas manda e-mails, como tem acesso à televisão. Soube por alto que, nesta semana, um grande jornal do Estado deu como matéria de capa a retirada do nome da FIFA do letreiro de Campeão do Mundo presente no Beira-Rio. Eu dei à notícia o mesmo significado que ela deveria ter – nenhum. Quando recebi o e-mail de Antenor, fiquei apavorado com a repercussão que teve o fato entre os torcedores.

Como imaginei que muitos colorados também estariam indignados, resolvi publicar a carta. Ela segue adiante.

Caro co-irmão e rival,

Acompanho daqui, bem de longe, o teu êxtase. Parece que a tua vitória mais importante deste ano aconteceu quando tiraram aquelas quatro letras do painel do Beira-Rio. Passo os olhos pelo mundo: só o que vejo são as tuas gozações e troças pelo fim das quatro letrinhas. Vejo na tevê uma placa com a inscrição "FIFA NÃO". É um júbilo só.

Entendo perfeitamente toda essa celeuma. Perdeste a grande taça da América para aquele argentino que te atropelou sem piedade, dentro e fora de casa. Sem a grande taça, não podes conquistar a menor. Enxuta em tamanho, mas imensa em significado.

A taça dourada, de corpo platinado, que traz no seu topo o globo terrestre. O mundo inteiro, caro rival. Em ouro e platina, toda a morada dos homens, em terra e água. Américas, Europa, África, Ásia e Oceania. Se fosse possível o futebol no gelo, também teria a Antártida. Aquela taça, que contém o mundo inteiro no seu topo, traz quatro letras na sua base. Aquelas mesmas quatro letras que foram retiradas do letreiro, por uma questão pequena de direitos autorais: FIFA.

Juro, caro rival: tentei com todas as forças retirar aquelas letras da taça. Para ver se "tudo estava em seu lugar" mesmo, como proferiu aquele homem na televisão. Encarnei em um funcionário do clube, numa madrugada, e fingi um surto psicótico. Tentei jogar no chão, quebrar, arrancar, usar maçaricos, até os dentes: nada adiantou. As letras não saem de jeito nenhum. Não era minha intenção acabar com a tua alegria, rival, mas não posso ignorar os fatos. Aquelas quatro letras podem sair de qualquer lugar, mas nunca vão sair do troféu.

Caro rival, soube que tu tens no teu memorial uma taça antiga, obsoleta, já com o metal gasto. Soube que deste a ela o nome de Mundial, embora ela só traga o desenho de dois continentes – Cristóvão Colombo veio me dizer que isto era um absurdo, mas eu pedi compreensão. Sei que o teu maior desejo é trocar esta antiga copa por uma nova, com a inscrição FIFA embaixo e o mundo inteiro no seu topo. Percebo que, enquanto esse teu louco desejo não é saciado, encontras qualquer maneira de expressar despeito.

Porém, sei que quando tu tiveres nas tuas mãos uma taça como a minha, em ouro e platina, com o mundo inteiro no topo e as quatro letras embaixo, vais esquecer de toda essa amargura.

Mais sorte da próxima vez,

S.C.I

FONTE: http://www.finalsports.com.br/colunas_dupla/inter.php

Advogados: serviço de e-mails da OAB paulista é utilizado para convocar ato político



A Ordem dos Advogados (OAB) de São Paulo mobilizou a estutura de disparo de e-mails da entidade para convocar os advogados paulistas para o ato de protesto contra o Governo Federal realizado na Praça da Sé, em São Paulo. Além dos dois disparos de e-mails, o portal da entidade inseriu um full banner (publicidade eletrônica) para divulgar o movimento, com um link direto para a página do "Cansei".

Para alguns advogados, o envio de e-mail de natureza política aos profissionais inscritos viola as políticas de privacidade na web. Isso porque a entidade só teria autorização para enviar mensagens de teor informativo, diretamente relacionado com o exercício da advocacia, como legislação, jurisprudência e publicações do Poder Judiciário ou informes institucionais.

Leia mais no site Expresso da Notícia:

www.expressodanoticia.com.br


sábado, 18 de agosto de 2007

O que elas pensam?

Eu vi o "cansei" por dentro


Passei parte da tarde do dia 17 de agosto de 2007 acompanhando a manifestação do grupo "Cansei" em São Paulo. Depois, participei da entrevista coletiva de um de seus líderes, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso. As várias entrevistas que fiz mostram a essência do movimento.

Osvaldo Bertolino, repórter do portal Vermelho

Cheguei à Praça da Sé às 12h30min, quando uma pequena aglomeração já ouvia um discurso inflamado do conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil — seção São Paulo (OAB-SP) João Baptista de Oliveira pedindo "a volta do Brasil de paz, sem corrupção e crime organizado". "Mais vale ascender uma vela do que maldizer a escuridão. Viemos aqui ascender uma vela na frente da casa de Deus", disse ele, voltando-se para a catedral que estava atrás do palco. "Os brasileiros de bem estão aqui representados", decretou.

À frente do palco, seis pessoas formavam uma barreira com cartazes agressivos contra o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva. "Incompetente, enganador, mentiroso e falastrão", dizia um deles. O autor, que se identificou como Paulo Roberto e disse ser industrial, afirmou que estava ali porque o governo Lula era um "desastre". "Por quê?", perguntei. "Porque só se vê corrupção neste país", disse. Ao lado, Ricardo Fernandes, que se identificou como assistente administrativo, atalhou: "Eu odeio este barbudo."

Protesto contra corrupção e bala perdida

No Palco, João Baptista Oliveira insistia que "queremos de volta o Brasil que enche nossos corações de orgulho". "Minha filha, que se esforçou para ter um diploma, só conseguiu emprego na Europa. Agora, para eu visitar minha netinha, de um ano, preciso cruzar o oceano", afirmou. "Chegou o Osmar Santos, que perdeu os movimentos físicos, mas não os cívicos", disse ele, interrompendo o discurso para anunciar o locutor esportivo vítima de um grave acidente automobilístico. Mais à frente, outro cartaz dizia: "Cansei de pagar os altos salários dos políticos." Perguntei para a portadora da mensagem: "A senhora acha que todos os políticos ganham muito?" "Eles não ganham muito, mas só atrapalham o país", justificou.

Outro cartaz dizia: "Cansei de pagar para o avião do presidente ser seguro e o meu não." Ao lado, Lucci, uma "secretária aposentada", disse que estava ali porque era contra "todo esse estado de coisas". "O que, especificamente?", perguntei. "Ao Lula, ao PT à CUT..." Indaguei: "A senhora acha que está ajudando a melhorar o país participando desta manifestação?" "Uma ajuda nunca é demais", respondeu ela. Do outro lado, a fisioterapeuta Luciana Leme e o marido, cirurgião, disseram que vieram da cidade de São Sebastião, litoral paulista, para a manifestação. "Viemos protestar contra a corrupção, a bala perdida e o crime organizado", explicou Luciana.

Presidente da OAB é ligado aos tucanos

À essa altura, o palco já estava tomado por artistas, apresentadores de televisão, cantores e um mar de ternos escuros. No corredor que dava acesso ao local, câmaras e microfones dominavam a paisagem. Ouvi alguém dizer: "Os tucanos realmente conseguem mobilizar a imprensa." Era um casal, que observava a cena com atenção. Pedi uma breve entrevista. "Não posso", disse ele. Falei que tinha ouvido a frase sobre os tucanos e me apresentei como jornalista do Portal Vermelho. Eles riram e se dispuseram a falar desde que não fossem identificados.

Disseram que eram jornalistas e estavam ali para ver se havia público e ouvir o teor dos discursos. "Este evento é da elite, que só quer benefício para ela. Eles não estão preocupados com o povo. Preocupação social não existe para essa elite", disse ele. Perguntei se a manifestação era uma iniciativa tucana, ele respondeu: "Claro. O presidente da OAB é ligado aos tucanos, todo mundo sabe, por isso toda a imprensa veio para cá." O casal logo pediu licença para se retirar dizendo que não queria engrossar o número de manifestantes mobilizados pela elite.

O povo está representado aqui?

Em volta do palco, uma multidão de seguranças e moças vestindo camiseta preta com a inscrição "Cansei" dominava a cena. Perguntei para uma delas qual era a sua função ali. "Somos funcionárias do Dória (João Dória Jr, um dos líderes do grupo), mas a gente é instruída a dizer que somos voluntárias", disse ela, reduzindo a altura da voz. Ao lado, uma mulher dava entrevista falando alto e gesticulando muito. "Cansei deste governo irresponsável e de pagar 54% de imposto em cascata", esbravejou.

Me aproximei e perguntei: "A senhora acha que este ato é contra o governo?" "Não é contra o governo, mas é para cobrar do Lula responsabilidade com o povo", disse ela, que se identificou como Sandra Freitas, advogada. "O povo está representado aqui?", perguntei. "Não, mas a crise é tão brava que chegou aos pés da elite", respondeu. "Então o ato é da elite", emendei. "É da elite, mas a crise também chegou aos pés do pobre. A crise é tão brava que os protestos começaram pela elite", teorizou.

Voz do palco pede "fora, Lula"

Na passarela que dava acesso ao palco, Ivete Sangalo falava com uma jovem repórter de rádio, que depois da entrevista anunciou para os ouvintes que "uma multidão demonstrava sua indignação na Praça da Sé." Para todo lado havia circunspectos senhores de terno acompanhando a agitação em silêncio. Conversei com alguns e todos repetiam o discurso padrão da manifestação. Um deles disse que Lula era incompetente porque não aproveitou o bom momento da economia mundial — como fizeram a China e a Índia. "Agora a crise chegou e eu quero ver como fica", disse.

No palco, Luiz Flávio Borges D'Urso agradecia aos "cinco mil presentes" — haviam no máximo duas mil pessoas — e repetia com ênfase que a manifestação não era contra o governo, mas "a favor do Brasil". Às 13h, todos fizeram um minuto de silêncio. Às 13h15min, depois do culto ecumênico, Agnaldo Rayol cantou o hino nacional, terminando com um "il" de Brasil trinado e longo. Uma voz saiu do palco: "Fora, Lula!" À frente, a palavra de ordem ressoou.

Para tentar encobrir, D'urso gritava no microfone: "Viva o Brasil!" Na passarela de acesso ao palco, o tumulto voltou a se instalar. Eram os artistas deixando o local. À frente, um sujeito vestido de palhaço mostrava um cartaz com seu endereço no Orkut e seu nome: Brasilino da Silva. "Você tem esperança de que esse pessoal te contrate?", perguntei. Ele fez sinal que não podia falar.

Popular manda Agnaldo Rayol descansar

Vi um tumulto que se aproximava de mim. Eram seguranças empurrando os jornalistas que cercavam o ator Paulo Vilhena. Por sorte, fiquei cara a cara com ele. "Você acha que este ato é contra o governo Lula?", perguntei. Ele balançou a cabeça e hesitou. "Acho que não. Eu não sou", disse. "Você não viu manifestações contra Lula?", insisti. "Vi, mas eu não concordo com isso", respondeu. Atrás dele, Agnaldo Rayol falava com os jornalistas quando uma voz alta surgiu do meio de uma pequena aglomeração de populares, de aparência totalmente distinta dos manifestantes e isolada pelos seguranças em cima de um canteiro elevado e afastado: "Está cansado, Rayol? Vai descansar!"

Algumas pessoas vestindo uma camiseta com a inscrição lembrando os mortos da tragédia do vôo da TAM protestavam contra os organizadores do ato, que proibiram a sua presença no palco para dar lugar aos artistas. Vera Lúcia Lopes, uma senhora de 67 anos, erguia solitária uma camiseta com a foto de um jovem e o nome "Cecel". Era Marcel, de 20 anos, seu neto, assassinado no começo deste ano dentro do seu carro durante um assalto na Avenida Sapopemba. Chorando, ela disse que veio só porque a família estava trabalhando. "Alguém filmou ou entrevistou a senhora?", perguntei. "Não, só tiraram foto", respondeu.

Crescimento do setor de construção civil

Uma parte da trupe de animadores do ato se dirigiu ao auditório da OAB-SP, onde D'urso daria uma entrevista coletiva. No caminho, cercado por grades e seguranças, populares observavam a passagem do cortejo. Ouvi uma senhora dizer que aquilo era um ato dos "gravatas". Era Aparecida, modelista aposentada, para quem aqueles que vaiaram Lula deveriam "ter vergonha na cara". "Eles estão mesmo é pensando nas eleições", disse ela. Ao seu lado, um grupo de Curitiba, que estava passando férias em São Paulo, concordou.

Suzane Martins disse que era empresária do ramo da construção civil e pediu para eu ver como o Brasil estava melhorando com Lula na Presidência analisando o crescimento do setor. "Eles querem derrubar o governo", afirmou. Ao seu lado, o casal Nelson e Otília concordou. "É um ato contra Lula. Vaiaram o presidente várias vezes", disse Nelson indignado. Na entrada da sede da OAB-SP, o deputado federal Vadão Gomes (PMDB-SP) disse que o ato não era contra Lula. "E o senhor, é contra Lula?" perguntei. "Sou a favor de Jesus Cristo", desconversou.

O auditório da OAB-SP ficou tomado por jornalistas. Na mesa, além de D'urso estavam o ator Paulo Vilhena, o nadador Fernando Sherer, João Dória Jr e João Baptista Oliveira. D'urso fez um rápido balanço da manifestação. Elogiou a imprensa pela divulgação do evento, os artistas, desportistas, taxistas, trabalhadores e "todos" que estiveram no "solo sagrado da Praça da Sé" para "um ato cívico". Mais uma vez, ele repetiu insistentemente que o ato era "a favor do Brasil" e não contra "quem quer que seja". Sobre o "fora, Lula", ele disse que não ouviu nada. "Pode ser coisa isolada, mas não é do movimento", afirmou.

Descompasso entre líderes e manifestantes

Perguntei se ele tinha expectativa de contar com a participação no movimento de outras organizações da sociedade. Ele disse que sim e que estava com "vários pedidos no bolso que acabaram de chegar". Um sujeito que se identificou como Roberto e presidente da "associação dos bacharéis de direito" pegou carona na minha pergunta para declarar seu apoio ao movimento. Depois da entrevista, fui falar com ele. Ao saber que eu era do Vermelho, pediu desculpa e disse que não falava com veículos de esquerda. "Você sabe, existem radicais em todo lugar e já fui chamado de fascista", justificou.

Sobre o fato de o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, não abrir as portas da catedral da Sé para a manifestação, D'urso disse que foi a "mão de Deus" que levou o ato para a Praça da Sé, onde "todos puderam participar". Quando um jornalista perguntou sobre os custos da manifestação, ele disse que ninguém estava ali por dinheiro, mas por um ideal. Durante toda a entrevista, ele se esforçou para explicar o descompasso entre o que os líderes diziam e os pronunciamentos dos participantes contra o governo Lula.

D'urso finalizou a entrevista dizendo que dentro de 15 dias falará com o ministro da Justiça e que a partir dali não havia mais motivo para críticas ao movimento. "Críticas são coisa do passado. Não há mais sombras para alguém dizer que somos contra o governo Lula, que somos golpistas. Quem disser isso, por óbvio está a favor da corrupção, da criança abandonada e da insegurança. Defendemos que a mudança deve se dar de forma ordeira", finalizou.

Fala do presidente Lula tem peso maior

Na saída, João Dória Jr falou com alguns jornalistas. Ao contrário de D'urso, ele disse que ouviu muito bem o "fora, Lula". "D'urso saiu com os artistas, por isso não ouviu", justificou. Perguntei se o ato era contra o governo Lula e ele disse que não porque seu pai foi cassado pelo regime militar. "Vivi com ele o exílio na França. Pouca gente sabe disso", afirmou. Perguntei também se a manifestação não lembraria a "Marcha com Deus pela Família e a Liberdade". "O Cansei não é golpista", respondeu. "O senhor está cansado de quê, exatamente?", indaguei. "Do caos aéreo, por exemplo. Cobro do governo respeito aos passageiros. Nunca cansei do governo", disse.

Perguntei também se a declaração preconceituosa de Paulo Zottolo, presidente da sucursal brasileira da multinacional holandesa Philips, sobre o Estado do Piauí, não comprometia a credibilidade do movimento. Ele disse que todas as pessoas deveriam ser tolerantes. "A intolerância começa pelas autoridades", justificou. "O senhor acha o Lula intolerante?", perguntei. "Em alguns momentos ele não é tolerante", respondeu, com fisionomia nervosa. "Quando tem uma manifestação contra o governo, por exemplo, às vezes ele reclama", emendou. "Mas o senhor não acha que ele tem o direito de manifestar a sua opinião?", insisti. Mais nervoso ainda, Dória Jr respondeu: "Mas ele é presidente, sua fala tem um peso muito maior."

Alguém precisa trabalhar neste país

Perguntei ainda a sua opinião sobre a decisão do arcebispo dom Odílio Scherer de não permitir o ato na catedral. "É uma situação estranha, porque fiz passeata na minha juventude e nunca tive notícia de proibição deste tipo. Foi bom, porque ele levou o ato para a Praça da Sé, onde coube mais gente. Acho que ele deveria entender que o ato não era político, não tinha bandeira de partidos e nem manifestações a favor ou contra este ou aquele candidato", falou.

Na saída para a rua, todos foram escoltados por seguranças particulares. Ao lado, uma vistosa viatura da empresa "Homens de Preto" esperava a passagem. "Esse Dória tem dinheiro para caramba", comentou um jornalista ao meu lado. As escadarias da catedral da Sé já estavam ocupadas por outra manifestação. Eram mulheres e policiais aposentados protestando contra a degradação dos serviços do setor e os baixos salários. "Serra: exterminador de policiais paulistas", dizia um cartaz.

Mais adiante, na Praça Ramos de Azevedo, os metroviários começavam a chegar para uma manifestação também contra Serra. Dei mais alguns passos e uma jovem me estendeu a mão perguntando: "Tudo bem, meu jovem? Estava na manifestação do Cansei?" Era uma daquelas meninas que ganham a vida desempenhando um papel degradante a fim de arrastar clientes para as financeiras. Perguntei: "E você, foi na manifestação do Cansei?". "Não, alguém precisa trabalhar neste país", respondeu.

TAM: irmão de vítima diz que politizaram o protesto

Daniel Cassol, irmão de Lina Barbosa Cassol, 28 anos, uma das vítimas do acidente com o Airbus A320 da TAM, ocorrido no dia 17 de julho, em São Paulo, disse neste sábado que houve discordância entre os manifestantes que participaram de uma passeata em Porto Alegre. Segundo ele, membros dos grupos autodenominados "Cansei" e "Luto, Brasil", "politizaram os protestos contra o governo, inclusive com faixas de 'Fora, Lula', atitude que não foi aceita pela maioria dos familiares de vítimas do acidente".
Um mês e um dia depois do acidente, em que morreram 199 pessoas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, familiares de vítimas realizaram uma manifestação em Porto Alegre, neste sábado. Eles fizeram uma passeata entre o Monumento do Laçador e o Aeroporto Internacional Salgado Filho, na zona norte da capital.
Daniel Cassol disse que "é evidente que o governo federal - esse e o anterior - tem culpa, como têm culpa a agência reguladora (Anac), a TAM, a Infraero, a fábrica do Airbus. Mas nosso interesse não é transformar esses protestos em discurso político-eleitoral, queremos a punição dos culpados, a transparência das investigações, a reparação indenizatória devida", disse. (Agência Brasil)

Anciosa, Ana Paula?

Na postagem anterior, eu criticava a campanha do Estadão contra os blogs, de forma indiscriminada. Mas admitia que boa parte não tem boa informação e serve apenas para projeção do autor. É o caso do site da bandeirinha Ana Paula Oliveira, elogioso, propagandista em todas suas postagens e com link ostensivo pedindo publicidade. Mas o que chamou a atenção foi uma matéria onde a moça que posou nua para a Playboy se diz aflita para voltar a auxiliar os jogos. Observem os erros já no título:

Ana Paula, está anciosa para voltar aos gramados!

Ou seja, numa pequena frase, são cometidos dois erros graves. Ao colocar a vírgula após o Paula está separando o sujeito do verbo. E até o poste da esquina sabe que uma pessoa está ansiosa e não anciosa.
Um conselho à moça: volte a atuar como bandeirinha. Se a CBF deixar...
Ou então contrate um jornalista que conheça, pelo menos, as regras do Português!

Campanha contra os blogueiros tem resposta

Com o advento da internet (e dos blogs na seqüência) muita porcaria começou a rolar na casa de quem dispõe de um computador. São baixarias, ataques políticos e pessoais, e um total desrespeito à nossa língua, o Português. No entanto, os trabalhos bons que já eram mostrados na versão papel continuam sendo exibidos no mundo virtual. Mas a mistura é tão grande que o Estadão aproveitou para lançar uma campanha publicitária atacando os blogueiros (sem estabelecer distinção). Ou seja, para eles ninguém é capaz de produzir informação de qualidade. Colocou todos no mesmo balaio. A internet é rápida e a resposta ao grupo também adquiriu velocidade. É só olharmos a ilustração acima (clique na figura acima para vê-la em tamanho real).