sexta-feira, 2 de maio de 2008

Músicas de luta


Este é o tipo de espetáculo que eu não perco. E convido os amigos gaúchos e os viventes de outras paragens que andarem por aqui a também comparecerem. Os músicos são da melhor qualidade, assim como as canções por eles interpretadas. O cartaz acima já diz tudo. Clique nele para ampliar.

Clube do povo já era

Sou colorado há 52 anos, vou ao Beira-Rio desde 1973 e devo ter assistido mais de mil partidas no nosso estádio. Muitas delas com quase 100 mil torcedores. Hoje, cabem 56 mil pessoas no complexo, e o clube tem 68.679 sócios desde ontem. A meta alcançada é motivo de rigozijo porque coloca o Internacional entre os 10 clubes com maior número de associados no mundo. No entanto, esta situação causa um grande problema na medida em que transforma o outrora "clube do povo" em uma instituição elitista. Só os que podem pagar mensalidade e ingresso em cada jogo têm direito a ver as partidas in loco.
O título acima saiu da boca de um torcedor que não é sócio, ficou na fila durante horas e voltou para casa sem o ingresso. Certamente não poderá assistir a final do Gauchão contra o Juventude pela televisão porque ela será transmitida por um canal fechado. O povo não tem condições de também pagar a Net. Um dirigente do Inter teve a cara de pau de dizer que o Inter continua sendo o clube do povo e se orgulha de sua origem. Mas argumenta que a realidade é outra.
Não posso concordar porque sempre assisti aos jogos da social e ficava feliz em ver gente humilde, de pé na popular, gritando pelo Inter. Estas caras não são mais vistas no Beira-Rio. Por quê? Para ser Sócio Campeão do Mundo, o torcedor desembolsa R$ 20 e vai a pelo menos dois jogos por mês, pagando mais R$ 30,00 (o ingresso mínimo para sócio custa R$ 15). Se for de ônibus, desembolsará mais R$ 8,40. E certamente gastará R$ 30 com lanches e bebidas nestes dois dias. Total: 88,40, ou 21,3% do salário mínimo (R$ 415).
Tenho lido barbaridades na Internet, como a de um guri que afirmou o seguinte : "Futebol não é para pobre." Os antigos ocupantes da coréia eram gente humilde, do povo, e por isso pagavam o equivalente a R$ 5 hoje. Nem por isso o Inter deixou de armar grandes esquadrões, reunindo jogadores como Falcão, Figueroa, Carpegiani, Escurinho, Caçapava, Manga, Marinho, Valdomiro, Lula, Mauro Galvão, Benitez, Jair e Mário Sérgio. Foi tricampeão brasileiro na década de 70, sendo uma das conquistas de forma invicta. Sou sócio, continuarei a ser e não deixarei de ir ao Beira-Rio. Mas não posso concordar com a elitização do clube do povo, que já aposentou a coréia e constrói camarotes a cada semestre.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Barbaridade: Roberto Civita quer imprensa acima da lei

http://blogdomello.blogspot.com/2008/04/roberto-civita-quer-imprensa-acima-da.html

Ainda a respeito da Conferência sobre Liberdade de Imprensa, que está acontecendo na Câmara dos Deputados, em Brasília, destaco outro trecho da reportagem de O Globo, hoje:
O presidente da Editora Abril, Roberto Civita, afirmou que nenhuma lei deve restringir a atividade dos meios de comunicação. Ele disse que a auto-regulação e a livre concorrência são as melhores formas de evitar eventuais abusos ou distorções na circulação das notícias.

- Na imprensa, quanto menos legislação, melhor. Todas as vezes em que se tenta legislar ou enquadrar atividades que deveriam ser livres, a democracia corre riscos - alertou.

Essas, segundo O Globo, são palavras do homem que já afirmou que a revista Veja, publicada pelo grupo presidido por ele, tem que se curvar ao desejo de seus leitores por uma revista indignada, que pegue pesado. Da revista especialista em assassinatos de reputação, como tem mostrado o dossiê Veja. Da revista que tem um blog infame, que usa de todos os artifícios para ofender, difamar e desqualificar os que pensam de forma diferente.
Quer dizer, então, senhor Civita, que se deve liberar geral, pois a livre concorrência entre vocês (Abril, Estadão, Folha, Organizações Globo) e a auto-regulação também exercida por vocês (Abril, Estadão, Folha, Organizações Globo) seriam suficientes para garantir a liberdade e a democracia no Brasil?
Mas, como assim, liberdade, se as Organizações Globo detêm 70% dos investimentos em publicidade e propaganda, e são praticamente monopolistas no Rio de Janeiro, por exemplo, com a concentração de rádios, TV, jornais e internet? Como assim, liberdade, se a Abril detém hoje o monopólio da distribuição de revistas em bancas, com uma concentração de absurdos 100%?
A liberdade de imprensa deve ser total, assim como a liberdade de expressão de todo cidadão brasileiro. Sem censura prévia. Mas dentro dos limites estabelecidos em lei. Portanto, todos devem responder pelo que afirmam, informam, fazem.
Sem Lei há o império do mais forte. É isso o que vocês pretendem. Agir sem limites. Mas, por quê? Quem lhes concedeu esse direito?
Na democracia representativa, só quem tem opinião absolutamente livre, sem restrição alguma, são os eleitos pelo povo, em votação direta. Estes não podem ser condenados por delitos de opinião.
Candidatem-se, elejam-se e falem à vontade. Como jornalistas, são cidadãos comuns, como qualquer de nós.

Tema da vitória



Versão do Sport Club Internacional

Oh dalê, dalê, dalê oh
dalê, dalê, dalê oh
Pra sempre Inter

Eu nunca me esquecerei
Dos dias que passei
Contigo Inter

Colorado é coração
trago amor e paixão
Pra sempre Inter

Oh dalê, dalê, dalê oh
dalê, dalê, dalê oh
Pra sempre Inter

Dia do trabalhador, dia de luta

Neste 1º de maio tem muita gente fazendo festa em praça pública. Entidades comemoram o Dia do Trabalhador com shows, como se tudo fosse um mar de rosas. Não é! Este é um dia para refletir e para garantir a luta diária por dignidade no local de trabalho. É preciso manter e ampliar as conquistas, sem as quais seremos meros robôs. Ou escravos. Em homenagem a nós, trabalhadores, deixo registrado o seguinte poema:

MEU MAIO

(Vladimir Maiakovski)

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua -
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário - Este é o meu maio.
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro - Eis o maio que eu quero.
Sou terra - O maio é minha era.

NÃO SE PODE ESCREVER A HISTÓRIA DO BRASIL SEM MOLHAR A PENA NO SANGUE DO RIO GRANDE

O COMEÇO DA BRIGA

- O senhor foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém no Iguariaçá. Três mortos, oito feridos, um horror...

- No meu bolicho, seu delegado? Quem sou eu para ter armazém? Armazém é do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que...
- Não desvie do assunto. Como e por que começou a briga?

- Bueno, pos então, historemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada. O doutor entende: Peonada no más, locos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal...

- Continue, continue, deixe o turco em paz.

- Pois então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns quinze home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Faca Feia. O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá, deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe.

O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo, deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Faca Feia. Um contraparente do Faca Feia não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo no lombo, um amigo do Lautério se botou no contraparente do Faca - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna.
Um irmão do Sarna acho que chateado com aquilo pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor. E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido.
Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero, meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada.
Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda. O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo. Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito -se arrevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha?

- Acho, sim. Mas e aí?

- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemo os talher. E foi aí que começou a briga...

(*) o dicionário com as palavras não entendidas é o gaúcho mais perto.

Palpites

Foi uma tarde/noite cheia para os amantes do futebol. Dei o palpite para sete jogos que estavam sendo transmitidos ontem por canais abertos e fechados. Acertei quatro, errei um e fiquei no meio do caminho em dois. Vamos a eles:

1. Embora estivesse torcendo para o Liverpool, o vermelho inglês, deu Chelsea, como eu previra.
2. Finquei no Boca Junior contra o Cruzeiro e acertei. Os argentinos poderiam ter feito mais, o Cruzeiro teve um pênalti não marcado e fez um gol de muita sorte.
3. Pensei que o América passaria pelo Flamengo. Mas é um time muito ruim e levou 4 a 2 dos cariocas.
4. Como eu previra - e torcia - o Juventude ganhou, mas não levou. Fez 3 a 1 no Cortinthians alagoano, mas perdeu pelo gol qualificado. Virá mais murcho enfrentar o meu Inter no domingo pelo Gauchão.
5. Aqui tem meio acerto. Escrevi ontem que o Sport empataria com o Palmeiras, se classificando para enfretar o Inter na próxima etapa da Copa do Brasil. Realmente, o time pernambuco passou, mas com um goleada de 4 a 1. Páreo duro para o Inter.
6. Outro acerto pela metade. O Corinthians realmente ganhou do Goiás, mas passou para as semifinais da Copa do Brasil. Eu tinha fincado na vitória dos paulistas, mas não esperava que os goianos fossem goleados por 4 a 0. Estão fora.
7. Cravei no empate entre o Nacional (URU) e o São Paulo e acertei.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Jogos em profusão

Para quem gosta de futebol, a tarde e a noite de hoje estão repletas de atrações. Para todos os gostos.
Vejam só:
1. 15h45min - Chelsea x Liverpool - Liga da Campeões da Europa
2. 17h40min - Boca Juniors x Cruzeiro - Libertadores da América
3. 19h45min - América (Mex) x Flamengo - Libertadores
4. 20h30min- Juventude x Corinthians (AL) - Copa do Brasil
5. 21h50 - Sport x Palmeiras - Copa do Brasil
6. 22h - Corinthians x Goiás - Copa do Brasil
7. 22h - Nacional (URU) x São Paulo - Libertadores

Alguns jogos são em canais abertos, outros em emissoras fechadas. É só escolher, torcer ou secar. Ou se divertir, caso seu time não esteja na lista. É o meu caso.

Minha opinião sobre os vitoriosos:
1. Chelsea -classificado à final
2. Boca Juniors
3. América
4. Juventude, mas com classificação do Corinthians
5. Empate, com Sport classificado
6. Corinthians, mas o Goiás será classificado
7. Empate.

Amanhã comento os acertos e os erros.

Pequim em cem dias

Faltam cem dias para os Jogos Olímpicos de Pequim e tudo já está pronto realização de centenas de competições no país comunista. Os chineses querem mostrar organização, beleza e alegria, mas muitas nações capitalistas pretendem mudar o curso da história. Em vez de competição esportiva, chamam a atenção para a política. Não estou livrando o regime fechado na terra da Olimpíadas 2008, mas destaco que o mesmo não acontece quando os jogos acontecem em cidades dos EUA, país imperialista, belicista e genocida. Os jogos devem unir os países. Nunca afastar...

Com pensamento no domingo


Hoje é quarta, mas meu pensamento está no domingo.
Cinco dias nos separam do momento em que o Internacional poderá repetir uma atuação mágica diante do Juventude, ganhando o Gauchão. Não é um título como Mundial, mas alguns fatores nos levam a lotar o Beira-Rio. O tradicional adversário - o Porto-Alegrense - caiu mais cedo e ficou em quinto lugar no campeonato. E o oponente de domingo é uma verdadeira "touca" do Inter, tendo ganho do meu time em três ocasiões só neste ano (a última no domingo passado). Por isso, vamos à forra contra os verdes de Serra, com a força dos jogadores e o apoio constante da nossa torcida).
Que domingo chegue logo... E esta torcida exploda de alegria!

Frutos, flores, folhas, sementes...

"Se não houver frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houver flores,
valeu a sombra das folhas.
E, se não houver folhas,
valeu a intenção da semente."

Mauricio Ceolin, embora muitos atribuam a Henfil.

Sensacionalismo na mídia

Ontem, foi comemorado o Dia Mundial de Liberdade de Imprensa. Tenho lido com freqüência manifestações de donos de veículos de comunicação e de seu prepostos em defesa da liberdade absoluta. Ou seja, os jornalistas devem escrever ou falar o que querem. Por isso, foi oportuna a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante uma atividade comemorativa ao dia. O ministro ressaltou que os profissionais devem estar atentos à responsabilidade de informar corretamente a sociedade, evitando abusos que são cotidianos. Ainda está na mente de todos o caso da Escola Base de São Paulo, em 1994, quando parte da mídia publicou matérias acusando os diretores da instituição de praticarem abusos sexuais. Eles foram inocentados na Justiça depois de terem sido condenados pela Imprensa.
Parece que a lição não foi aprendida. Os veículos buscam o sensacionalismo a qualquer custo. O caso do assassinato da menina Isabella Nardoni virou um show que dá Ibope e, por conseqüência, enche os bolsos dos donos de emissoras, jornais e revistas. Casos semelhantes acontecem diariamente no Brasil, sem ganhar uma linha sequer nos jornais. Mais: o episódio do jogador Ronaldo com travestis, no Rio, será explorado à exaustão. Hoje, abri um site onde a manchete era "Conheça a suíte onde Ronaldo se hospedou com os travestis". E a torcida (leitores, telespectadores, internautas) adora, como mostrou recente pesquisa de opinião.

Mudanças

A vida é realmente bela porque nos permite mudar o que não está dando certo. Isso acontece em casa, no trabalho, no cotidiano. Uma mudança pode ser, momentaneamente, dolorosa. Mas só permanecerá assim se nos acomodarmos e não buscarmos outras alternativas. Temos que manter permanente a disposição para a luta, onde nossos ideais não devem ser abandonados jamais. Vejo muita gente desistindo na primeira derrota, ignorando que existem outras batalhas e novas oportunidades de vitória. Por isso, vale a pena viver!

Blairo Maggi e a falsa escolha de Sofia


O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, deu um passo atrás em sua recente conversão ao meio ambiente. E voltou a defender o desmatamento da Amazônia, desta vez com a justificativa de produzir mais alimentos. Em declaração à imprensa, Maggi afirmou que “com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está ou se vamos produzir mais comida”.
Ao reforçar o velho paradigma meio ambiente versus desenvolvimento, o governador do estado que mais desmata no Brasil contradiz totalmente a posição que assumiu em Bali, durante a reunião da ONU para discutir as mudanças climáticas, quando procurou mostrar seu lado “verde” e foi aplaudido por isso, ou por sua participação em outubro de 2007, no lançamento do Pacto pelo Desmatamento Zero. Naquela ocasião, o governador havia advertido que “o leão do desmatamento não estava morto, mas apenas dormindo”. Os recentes dados que mostram aumento na destruição florestal estimulada pelos preços elevados de grãos e carne no mercado internacional indicam que o Leão despertou e está com fome.
“A declaração do governador vem em um momento em que a Amazônia se encontra sob fogo cerrado. Depois do anúncio do aumento nas taxas de destruição florestal, da apresentação de um projeto na Câmara dos Deputados que amplia o desmatamento em áreas privadas da Amazônia e de uma medida provisória que anistia grileiros, o agronegócio brasileiro vem querer aproveitar a crise mundial de alimentos, de maneira oportunista, como justificativa para o ataque à floresta”, disse Paulo Adario, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Para a organização ambientalista, o dilema entre desmatar ou passar fome é falso. A distribuição injusta de alimentos é um fator-chave para a crise. Há comida suficiente para alimentar todos os seres humanos do planeta, mas muitos grãos estão deixando de ser utilizados como alimento para serem usados na produção de biocombustíveis ou de ração animal para atender a crescente demanda por carne, principalmente nos países desenvolvidos.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por pelo menos um quarto das emissões de gases que provocam o efeito estufa. No caso do Brasil, o índice sobe para 75%. Destruir a Amazônia significa comprometer a capacidade de produção brasileira, já que as chuvas que caem nas regiões Centro-Sul e Sudeste do País e em outros países da América Latina são produzidas na região. Portanto, a manutenção da floresta é essencial para manter a grande produtividade agrícola não apenas do Mato Grosso, mas do Brasil.

Na foto acima, a soja é ameaça à Floresta Amazônica

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Duvide do Inter

Como colorado de muitas décadas, sinto obrigação de publicar o texto de outro torcedor do Inter. É maravilhoso, sarcástico e uma espécie de chamamento à torcida colorada para o jogo de domingo contra o Juventude. Um confissão ao Andreas: para quem me perguntar, eu vou dizer que duvido. Mas, lá no fundo da alma, eu confio sempre.


Andreas Müller

Você aí: duvide do Inter. Sim, duvide, vá em frente, aproveite o momento e desabafe. Livre-se da imensa carga de frustração que abateu seu coração ao final da partida contra o Juventude, neste domingo. Vamos lá, duvide, dê-se por vencido. Leve as mãos à cabeça, puxe os próprios cabelos, chute o cachorro e despeje todo o seu vocabulário de xingamentos em Abelão e, principalmente, em Fernandão. Assim não dá! Assim não pode! E quem foi que disse que o Fernandão é craque? Que é ídolo? Pois ontem ele mais parecia um dublê de Leandro Guerreiro... Viu só? Você está pegando o espírito! Vamos lá, duvide do Inter.

Duvide, mas seja pragmático. Concentre-se nos fatos. Lembre-se que o Inter já enfrentou o Juventude três vezes neste ano e perdeu todas. Pior ainda, não conseguiu marcar um único gol. Na soma dos três confrontos, é como se estivéssemos sofrendo uma goleada de 5 x 0. A superioridade alvi-verde, portanto, é indiscutível. É um fato. O Juventude não é apenas favorito ao título regional de 2008: ele praticamente já o ganhou. O jogo de volta será apenas protocolar. Quase 50 mil colorados se amontoarão nas arquibancadas do Beira Rio para testemunhar o inevitável triunfo juventudista. O Inter se rendeu à máquina alvi-verde. Já era.
Ah, você é gremista? Então deleite-se, caro rival. Nós, colorados, estamos perdidos! Agora, o momento é todo seu. Vamos lá, sorria! Tripudie em cima dessa touca verde que teima cobrir nossas cabeças inchadas. O fracasso colorado é iminente – e vai tornar as suas férias forçadas um pouco menos dolorosas. Você, gremista, é um cara sensato. Você tem os pés no chão. No fundo, você sabe que a derrota do Inter, no próximo domingo, será o dia mais feliz deste seu desgraçado 2008. Você tem mais é que comemorar. Então vá lá: duvide do Inter. A sua festa já tem data para começar: próximo domingo, 16h. Duvide, é o que eu lhe peço.

Porque o seu pessimismo é a nossa última esperança.

Quase todas as torcidas do planeta sofrem (ou já sofreram) da síndrome do “já ganhou”. Mas nós, colorados, somos diferentes. Nós também apresentamos, às vezes, o lado oposto desse otimismo descabido – um inexplicável clima de “já perdeu”. São crises aterradoras de pessimismo que nos acometem nesses momentos em que tudo parece conspirar contra. Um Barcelona invicto, que aplica uma ciranda num time mexicano, é um dos fatores capazes de nos fazer submergir na desgraça antecipada. Um São Paulo tricampeão mundial, que nunca perde jogos decisivos no Morumbi, idem. E não precisamos nos restringir somente às finais de campeonatos. Às vezes, basta um gol sorrateiro do Paraná logo no segundo minuto de jogo para que o drama do “já perdeu” venha à tona. E aí a casa cai. Nós jogamos a toalha, damo-nos por vencidos. Nós duvidamos do Inter.

O curioso é que, justamente nestes momentos, o Inter cresce. Quando todos estão convencidos de que “já era“, a mística do Saci reaparece em campo e o Inter, literalmente, prega uma peça no adversário. Tem sido assim ao longo da história colorada. O Inter desacreditado é sempre mais poderoso do que o Inter favorito. Se passamos toda a década de 80 sem ganhar títulos de grande expressão, foi porque ainda estávamos deslumbrados com aquele Inter de Falcão e Figueroa, que pisava no gramado apenas para cumprir o script de vitórias inevitáveis. Nós tínhamos certeza de que ganharíamos o Brasileirão de 1987. Nós tínhamos certeza de que superaríamos as macumbas de Bobô naquela final de 1989. Nós tínhamos certeza de que passaríamos do Olímpia naquela Libertadores maldita. Mas a mística do Saci é cruel. Naquelas ocasiões, nós mesmos éramos vítimas de suas peças.

Por isso, eu imploro: duvide do Inter. Tenha absoluta certeza de que o título gaúcho já é do Juventude. Reclame de Fernandão, da inconstância de Abelão, das canelas de vidro de Alex e do cabelo do Nilmar – a falta de gols só pode ser obra e graça daquela franja que lhe cobre os olhos. Duvide do Inter com todas as suas forças. Mas, só por segurança, garante o seu lugar nas arquibancadas do Gigante no próximo domingo. Esteja lá, ignore as desconfianças e apóie o time o tempo inteiro, só por “amor à camiseta” – que é como a turma dos otimistas se refere ao masoquismo. Na volta, é bem provável que lhe perguntem:

— E aí, tu acha que ainda tem lugar para estacionar lá na Goethe?

Você olhará o trânsito, o congestionamento de bandeiras, as pequenas multidões que se formam nas sinaleiras. E responderá com o pragmatismo habitual:

— Duvido. A essa hora, já era.

sábado, 26 de abril de 2008

Coerência, presidente Lula!

Eu tenho coerência e não sou obrigado a concordar com partidários da mesma ideologia. Quando estava na oposição, o PT do presidente Lula combateu ferozmente o projeto de FHC que instituiu o famigerado fator previdenciário, que corta em até 30% o valor das aposentadorias. Agora, o coerente senador Paulo Paim (PT) conseguiu apresentar um projeto no Senado que acaba com o tal fator. Foi o que bastou para que Luiz Inácio Lula da Silva pressionasse os aliados - muitos petistas - na Câmara Federal para que não votem o que chama de "irresponsabilidade". O presidente usa da mesma retórica utilizada pela direita representada pelos aliados do PSDB no passado: a retirada do fator previdenciário vai quebrar a previdência. Da mesma forma, quer derrubar outro projeto que equipara os reajustes dos aposentados à elevação do salário mínimo. Ou seja: em vez de buscar novas formas de aumentar os recursos da Previdência - como defendia outrora - o chefe do Executivo quer continuar mexendo no bolso do trabalhador. Coerência, presidente Lula!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Alimentos com mais agrotóxicos

O tomate, o morango e a alface foram os alimentos que apresentaram os maiores números de amostras irregulares referentes aos resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2007. Os dois problemas detectados na análise das amostras foram teores de resíduos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. Já a batata e a maçã tiveram redução no número de amostras com resíduos de agrotóxicos.
Os dados são do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), coordenado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde. No balanço geral, dos nove produtos avaliados (alface, batata, morango, tomate, maça, banana, mamão, cenoura e laranja), o índice de amostras insatisfatórias ficou em 17,28%.
O caso que mais chamou a atenção foi o do tomate. Das 123 amostras analisadas, 55 apresentaram resultados insatisfatórios, o equivalente a 44,72%. Nesta cultura, os técnicos encontraram a substância monocrotofós, ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade.
Ainda em relação a esta cultura, embora os teores de resíduos encontrados não ultrapassem os limites aceitáveis para a alimentação diária da população, foi detectada a presença do metamidofós no tomate de mesa. Este agrotóxico é autorizado apenas para a cultura de tomate industrial (plantio rasteiro), que permite aplicação por via área, trator ou pivô central, evitando assim a possibilidade de intoxicação do trabalhador rural. O metamidofós também foi encontrado no morango e na alface, culturas para as quais não é permitido o uso deste agrotóxico.
A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do Programa, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% neste período, fechou 2007 com incidência de 2,9%.

Para

O objetivo do Para, criado em 2001, é manter a segurança alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador rural. O Programa abrange 16 estados e deve chegar a todo o país até 2009. A escolha dos itens leva em consideração a importância destes alimentos na cesta básica do brasileiro, o consumo in natura, o uso de agrotóxicos e a distribuição das lavouras pelo território nacional.
O Programa funciona a partir de amostras coletadas em pontos de venda pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios. As equipes enviam o material para os laboratórios de resíduos de agrotóxicos.
Caso a utilização de agrotóxicos esteja acima dos limites permitidos pela Anvisa, os órgãos responsáveis pela áreas de agricultura e meio ambiente são acionados para rastrear e solucionar o problema. As medidas em relação aos produtores são de orientação para adoção de boas práticas agrícolas.

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2008/230408.htm

DADOS CONSOLIDADOS DO PARA 2007
Cultura
Total de amostras analisadas
Amostras insatisfatórios
Total
%
Alface
.135
54
40,00
Batata
.147
..2
..1,36
Morango
...94
41
43,62
Tomate
.123
55
44,72
Maçã
.38
..4
..2,90
Banana
.139
..6
..4,32
Mamão
.122
21
17,21
Cenoura
.151
15
..9,93
Laranja
.149
..9
..6,04
Total
1198
207
17,28


quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nosso belo Interior





Temos sonhos de viagens para fora o Brasil ou mesmo dentro do País, desde que seja em outras regiões. Nosso Estado é quase sempre esquecido quando programamos um roteiro em um feriado. Esquecemos de nossas belezas naturais. Contudo, tenho programado algumas saídas pelo nosso Interior, como no feriado de Tiradentes. Durante três dias, visitei municípios do Vale do Caí, pertinho de Porto Alegre (são pouco mais de 100 quilômetros). São Sebastião do Caí, Feliz e Montenegro estiveram na minha agenda, que incluiu a coleta de algumas fotografias, exibidas aqui. Vale a pena viajar e desfrutar de nossa natureza.

Inter: grande, heróico e vencedor

















Já vivi dias e noites memoráveis no Beira-Rio, como as finais do Brasileirão de 1975, 1976 e 1979 e a conquista da América em 2006 e o chamado Gre-Nal do século. Mas a gloriosa goleada de 5 a 1 sobre o Paraná ontem à noite não será esquecida pelo torcedor colorado tão cedo. O Beira-Rio explodiu de tanto incentivo, e os jogadores do Internacional exibiriam garra e heroísmo do tamanho da história quase centenária do clube. Tenho orgulho deste time, que teve um jogador (Jonas) desacordado antes de um minuto e tomou um gol aos três minutos. Qualquer um desanimaria ante a possibilidade de ter que fazer quatro gols para seguir adiante na Copa do Brasil. Mas isso o Inter e os 42 mil torcedores que estavam em nosso estádio farão jamais. E ainda tem clube que exalta a tal "Batalha dos Aflitos'. Garra, luta, bravura e futebol foram mostrados ontem diante de um adversário que costuma nos aplicar algumas peças. Viva o Inter e viva a sua empolgante torcida (onde eu me incluo). Juntos, iremos mais longe. Podem esperar.

sábado, 12 de abril de 2008

Poema à boca fechada

José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.