sábado, 3 de maio de 2008

Saber amar

Arthur da Távola

Cuidado com quem ama! Mas cuidado maior com quem sabe amar! Quem perde um amor perde menos do que quem perde alguém que sabe amar.

Saber amar não é depender. Não é ser servil. Não é viver agradando. Não é fazer o que o outro quer. Saber amar é ter as reações certas, de compreensão e crítica. É ocupar todo o seu lugar no espaço, no tempo do sentimento e da emoção do outro.

Saber amar é até saber desistir.

Saber amar é aquela parte que, partindo do amor, procura (até encontrar) a parte do outro que um dia saberá amar. E a encontrando tem paciência, afeto e tolerância. A menos que descubra que ela não merece. Porque saber amar é também ter a coragem das renúncias, bravura raramente presente em quem apenas ama.

A situação é de calamidade no RS





Como tinha relatado em tópico anterior, fiquei preso em casa por causa da ventania e da enxurrada provocada pelo ciclone extra-tropical que chegou ao Rio Grande do Sul na sexta-feira. Aos poucos, fui identificando na grande mídia e nos sites populares o alcance dos estragos. No www.noticiasdobairro.com, a colega jornalista Simone Moro de Souza diz que o bairro Lami, na zona sul de Porto Alegre, amanheceu embaixo d água. Ruas e estradas principais ficaram interrompidas por quedas de árvores e alagamentos. Muitas pessoas não puderam ir trabalhar porque os ônibus não passaram.
Em alguns locais, segundo o site, as pessoas só puderam sair de casa de barco. Foi o caso da Lúcia e de sua sobrinha Mariana que tiveram que ser resgatadas pela lancha do seu vizinho Cláudio. A estrada de acesso ao sítio virou um grande lago e assim a casa, os carros e os animais ficaram ilhados. O marido e o pai da Mariana, seu Arlindo preferiram ficar na casa junto com as cabras para cuidar dos pertences. Lúcia e Mariana foram levadas para casa de parentes em Ipanema.
As fotos acima, captadas por Simone, mostram o quadros de desolação.
E isso acontece em pleno governo do prefeito José Fogaça. Diziam que estes alagamentos privilégio dos 16 anos em que o PT permaneceu no poder em Porto Alegre.

Vamos, vamos Inter!


Os colorados cantam "vamo, vamo Inter", mas eu sinto a obrigação de escrever corretamente. Por isso, dentro de 24 horas, "vamos Inter".
Quero este campeonato gaúcho. E, mesmo com chuva, o Beira-Rio estará lotado, como na foto acima. Eu estarei lá de qualquer jeito.

Que ciclone!

Um ciclone extratropical invadiu o Litoral do Rio Grande do Sul na sexta-feira e provocou ventos superiores a 100 km/h e muita chuvarada. Só saiu de casa quem tinha alguma atividade inadiável. A fúria do fenômeno provocou queda de árvores, de postes, de barrancos e tudo que encontrou pela frente. Casas foram invadidas por árvores e pelas águas, e ruas foram interrompidas por quedas diversas.
A região Leste gaúcha, englobando as praias do Litoral Norte e a Grande Porto Alegre, foi a mais atingida. Acordei por volta das 3 horas da madrugada deste sábado sobressaltado com a ventania que vinha a rua e parecia querer avançar apartamento adentro. A luz tinha sido cortada. Não dormi mais, liguei o rádio de pilha e soube dos estragos em diversos municípios. Somente agora há pouco dei uma volta no Parque da Redenção, um dos dos maiores de Porto Alegre, e notei parte do estrago. Diversas árvores, como a da foto, tinham sido arrancadas do chão. Em outros locais, onde havia residências, as perdas foram maiores. Que este ciclone volte para o oceano...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Músicas de luta


Este é o tipo de espetáculo que eu não perco. E convido os amigos gaúchos e os viventes de outras paragens que andarem por aqui a também comparecerem. Os músicos são da melhor qualidade, assim como as canções por eles interpretadas. O cartaz acima já diz tudo. Clique nele para ampliar.

Clube do povo já era

Sou colorado há 52 anos, vou ao Beira-Rio desde 1973 e devo ter assistido mais de mil partidas no nosso estádio. Muitas delas com quase 100 mil torcedores. Hoje, cabem 56 mil pessoas no complexo, e o clube tem 68.679 sócios desde ontem. A meta alcançada é motivo de rigozijo porque coloca o Internacional entre os 10 clubes com maior número de associados no mundo. No entanto, esta situação causa um grande problema na medida em que transforma o outrora "clube do povo" em uma instituição elitista. Só os que podem pagar mensalidade e ingresso em cada jogo têm direito a ver as partidas in loco.
O título acima saiu da boca de um torcedor que não é sócio, ficou na fila durante horas e voltou para casa sem o ingresso. Certamente não poderá assistir a final do Gauchão contra o Juventude pela televisão porque ela será transmitida por um canal fechado. O povo não tem condições de também pagar a Net. Um dirigente do Inter teve a cara de pau de dizer que o Inter continua sendo o clube do povo e se orgulha de sua origem. Mas argumenta que a realidade é outra.
Não posso concordar porque sempre assisti aos jogos da social e ficava feliz em ver gente humilde, de pé na popular, gritando pelo Inter. Estas caras não são mais vistas no Beira-Rio. Por quê? Para ser Sócio Campeão do Mundo, o torcedor desembolsa R$ 20 e vai a pelo menos dois jogos por mês, pagando mais R$ 30,00 (o ingresso mínimo para sócio custa R$ 15). Se for de ônibus, desembolsará mais R$ 8,40. E certamente gastará R$ 30 com lanches e bebidas nestes dois dias. Total: 88,40, ou 21,3% do salário mínimo (R$ 415).
Tenho lido barbaridades na Internet, como a de um guri que afirmou o seguinte : "Futebol não é para pobre." Os antigos ocupantes da coréia eram gente humilde, do povo, e por isso pagavam o equivalente a R$ 5 hoje. Nem por isso o Inter deixou de armar grandes esquadrões, reunindo jogadores como Falcão, Figueroa, Carpegiani, Escurinho, Caçapava, Manga, Marinho, Valdomiro, Lula, Mauro Galvão, Benitez, Jair e Mário Sérgio. Foi tricampeão brasileiro na década de 70, sendo uma das conquistas de forma invicta. Sou sócio, continuarei a ser e não deixarei de ir ao Beira-Rio. Mas não posso concordar com a elitização do clube do povo, que já aposentou a coréia e constrói camarotes a cada semestre.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Barbaridade: Roberto Civita quer imprensa acima da lei

http://blogdomello.blogspot.com/2008/04/roberto-civita-quer-imprensa-acima-da.html

Ainda a respeito da Conferência sobre Liberdade de Imprensa, que está acontecendo na Câmara dos Deputados, em Brasília, destaco outro trecho da reportagem de O Globo, hoje:
O presidente da Editora Abril, Roberto Civita, afirmou que nenhuma lei deve restringir a atividade dos meios de comunicação. Ele disse que a auto-regulação e a livre concorrência são as melhores formas de evitar eventuais abusos ou distorções na circulação das notícias.

- Na imprensa, quanto menos legislação, melhor. Todas as vezes em que se tenta legislar ou enquadrar atividades que deveriam ser livres, a democracia corre riscos - alertou.

Essas, segundo O Globo, são palavras do homem que já afirmou que a revista Veja, publicada pelo grupo presidido por ele, tem que se curvar ao desejo de seus leitores por uma revista indignada, que pegue pesado. Da revista especialista em assassinatos de reputação, como tem mostrado o dossiê Veja. Da revista que tem um blog infame, que usa de todos os artifícios para ofender, difamar e desqualificar os que pensam de forma diferente.
Quer dizer, então, senhor Civita, que se deve liberar geral, pois a livre concorrência entre vocês (Abril, Estadão, Folha, Organizações Globo) e a auto-regulação também exercida por vocês (Abril, Estadão, Folha, Organizações Globo) seriam suficientes para garantir a liberdade e a democracia no Brasil?
Mas, como assim, liberdade, se as Organizações Globo detêm 70% dos investimentos em publicidade e propaganda, e são praticamente monopolistas no Rio de Janeiro, por exemplo, com a concentração de rádios, TV, jornais e internet? Como assim, liberdade, se a Abril detém hoje o monopólio da distribuição de revistas em bancas, com uma concentração de absurdos 100%?
A liberdade de imprensa deve ser total, assim como a liberdade de expressão de todo cidadão brasileiro. Sem censura prévia. Mas dentro dos limites estabelecidos em lei. Portanto, todos devem responder pelo que afirmam, informam, fazem.
Sem Lei há o império do mais forte. É isso o que vocês pretendem. Agir sem limites. Mas, por quê? Quem lhes concedeu esse direito?
Na democracia representativa, só quem tem opinião absolutamente livre, sem restrição alguma, são os eleitos pelo povo, em votação direta. Estes não podem ser condenados por delitos de opinião.
Candidatem-se, elejam-se e falem à vontade. Como jornalistas, são cidadãos comuns, como qualquer de nós.

Tema da vitória



Versão do Sport Club Internacional

Oh dalê, dalê, dalê oh
dalê, dalê, dalê oh
Pra sempre Inter

Eu nunca me esquecerei
Dos dias que passei
Contigo Inter

Colorado é coração
trago amor e paixão
Pra sempre Inter

Oh dalê, dalê, dalê oh
dalê, dalê, dalê oh
Pra sempre Inter

Dia do trabalhador, dia de luta

Neste 1º de maio tem muita gente fazendo festa em praça pública. Entidades comemoram o Dia do Trabalhador com shows, como se tudo fosse um mar de rosas. Não é! Este é um dia para refletir e para garantir a luta diária por dignidade no local de trabalho. É preciso manter e ampliar as conquistas, sem as quais seremos meros robôs. Ou escravos. Em homenagem a nós, trabalhadores, deixo registrado o seguinte poema:

MEU MAIO

(Vladimir Maiakovski)

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua -
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário - Este é o meu maio.
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro - Eis o maio que eu quero.
Sou terra - O maio é minha era.

NÃO SE PODE ESCREVER A HISTÓRIA DO BRASIL SEM MOLHAR A PENA NO SANGUE DO RIO GRANDE

O COMEÇO DA BRIGA

- O senhor foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém no Iguariaçá. Três mortos, oito feridos, um horror...

- No meu bolicho, seu delegado? Quem sou eu para ter armazém? Armazém é do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que...
- Não desvie do assunto. Como e por que começou a briga?

- Bueno, pos então, historemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada. O doutor entende: Peonada no más, locos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal...

- Continue, continue, deixe o turco em paz.

- Pois então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns quinze home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Faca Feia. O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá, deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe.

O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo, deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Faca Feia. Um contraparente do Faca Feia não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo no lombo, um amigo do Lautério se botou no contraparente do Faca - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna.
Um irmão do Sarna acho que chateado com aquilo pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor. E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido.
Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero, meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada.
Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda. O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo. Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito -se arrevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha?

- Acho, sim. Mas e aí?

- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemo os talher. E foi aí que começou a briga...

(*) o dicionário com as palavras não entendidas é o gaúcho mais perto.

Palpites

Foi uma tarde/noite cheia para os amantes do futebol. Dei o palpite para sete jogos que estavam sendo transmitidos ontem por canais abertos e fechados. Acertei quatro, errei um e fiquei no meio do caminho em dois. Vamos a eles:

1. Embora estivesse torcendo para o Liverpool, o vermelho inglês, deu Chelsea, como eu previra.
2. Finquei no Boca Junior contra o Cruzeiro e acertei. Os argentinos poderiam ter feito mais, o Cruzeiro teve um pênalti não marcado e fez um gol de muita sorte.
3. Pensei que o América passaria pelo Flamengo. Mas é um time muito ruim e levou 4 a 2 dos cariocas.
4. Como eu previra - e torcia - o Juventude ganhou, mas não levou. Fez 3 a 1 no Cortinthians alagoano, mas perdeu pelo gol qualificado. Virá mais murcho enfrentar o meu Inter no domingo pelo Gauchão.
5. Aqui tem meio acerto. Escrevi ontem que o Sport empataria com o Palmeiras, se classificando para enfretar o Inter na próxima etapa da Copa do Brasil. Realmente, o time pernambuco passou, mas com um goleada de 4 a 1. Páreo duro para o Inter.
6. Outro acerto pela metade. O Corinthians realmente ganhou do Goiás, mas passou para as semifinais da Copa do Brasil. Eu tinha fincado na vitória dos paulistas, mas não esperava que os goianos fossem goleados por 4 a 0. Estão fora.
7. Cravei no empate entre o Nacional (URU) e o São Paulo e acertei.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Jogos em profusão

Para quem gosta de futebol, a tarde e a noite de hoje estão repletas de atrações. Para todos os gostos.
Vejam só:
1. 15h45min - Chelsea x Liverpool - Liga da Campeões da Europa
2. 17h40min - Boca Juniors x Cruzeiro - Libertadores da América
3. 19h45min - América (Mex) x Flamengo - Libertadores
4. 20h30min- Juventude x Corinthians (AL) - Copa do Brasil
5. 21h50 - Sport x Palmeiras - Copa do Brasil
6. 22h - Corinthians x Goiás - Copa do Brasil
7. 22h - Nacional (URU) x São Paulo - Libertadores

Alguns jogos são em canais abertos, outros em emissoras fechadas. É só escolher, torcer ou secar. Ou se divertir, caso seu time não esteja na lista. É o meu caso.

Minha opinião sobre os vitoriosos:
1. Chelsea -classificado à final
2. Boca Juniors
3. América
4. Juventude, mas com classificação do Corinthians
5. Empate, com Sport classificado
6. Corinthians, mas o Goiás será classificado
7. Empate.

Amanhã comento os acertos e os erros.

Pequim em cem dias

Faltam cem dias para os Jogos Olímpicos de Pequim e tudo já está pronto realização de centenas de competições no país comunista. Os chineses querem mostrar organização, beleza e alegria, mas muitas nações capitalistas pretendem mudar o curso da história. Em vez de competição esportiva, chamam a atenção para a política. Não estou livrando o regime fechado na terra da Olimpíadas 2008, mas destaco que o mesmo não acontece quando os jogos acontecem em cidades dos EUA, país imperialista, belicista e genocida. Os jogos devem unir os países. Nunca afastar...

Com pensamento no domingo


Hoje é quarta, mas meu pensamento está no domingo.
Cinco dias nos separam do momento em que o Internacional poderá repetir uma atuação mágica diante do Juventude, ganhando o Gauchão. Não é um título como Mundial, mas alguns fatores nos levam a lotar o Beira-Rio. O tradicional adversário - o Porto-Alegrense - caiu mais cedo e ficou em quinto lugar no campeonato. E o oponente de domingo é uma verdadeira "touca" do Inter, tendo ganho do meu time em três ocasiões só neste ano (a última no domingo passado). Por isso, vamos à forra contra os verdes de Serra, com a força dos jogadores e o apoio constante da nossa torcida).
Que domingo chegue logo... E esta torcida exploda de alegria!

Frutos, flores, folhas, sementes...

"Se não houver frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houver flores,
valeu a sombra das folhas.
E, se não houver folhas,
valeu a intenção da semente."

Mauricio Ceolin, embora muitos atribuam a Henfil.

Sensacionalismo na mídia

Ontem, foi comemorado o Dia Mundial de Liberdade de Imprensa. Tenho lido com freqüência manifestações de donos de veículos de comunicação e de seu prepostos em defesa da liberdade absoluta. Ou seja, os jornalistas devem escrever ou falar o que querem. Por isso, foi oportuna a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante uma atividade comemorativa ao dia. O ministro ressaltou que os profissionais devem estar atentos à responsabilidade de informar corretamente a sociedade, evitando abusos que são cotidianos. Ainda está na mente de todos o caso da Escola Base de São Paulo, em 1994, quando parte da mídia publicou matérias acusando os diretores da instituição de praticarem abusos sexuais. Eles foram inocentados na Justiça depois de terem sido condenados pela Imprensa.
Parece que a lição não foi aprendida. Os veículos buscam o sensacionalismo a qualquer custo. O caso do assassinato da menina Isabella Nardoni virou um show que dá Ibope e, por conseqüência, enche os bolsos dos donos de emissoras, jornais e revistas. Casos semelhantes acontecem diariamente no Brasil, sem ganhar uma linha sequer nos jornais. Mais: o episódio do jogador Ronaldo com travestis, no Rio, será explorado à exaustão. Hoje, abri um site onde a manchete era "Conheça a suíte onde Ronaldo se hospedou com os travestis". E a torcida (leitores, telespectadores, internautas) adora, como mostrou recente pesquisa de opinião.

Mudanças

A vida é realmente bela porque nos permite mudar o que não está dando certo. Isso acontece em casa, no trabalho, no cotidiano. Uma mudança pode ser, momentaneamente, dolorosa. Mas só permanecerá assim se nos acomodarmos e não buscarmos outras alternativas. Temos que manter permanente a disposição para a luta, onde nossos ideais não devem ser abandonados jamais. Vejo muita gente desistindo na primeira derrota, ignorando que existem outras batalhas e novas oportunidades de vitória. Por isso, vale a pena viver!

Blairo Maggi e a falsa escolha de Sofia


O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, deu um passo atrás em sua recente conversão ao meio ambiente. E voltou a defender o desmatamento da Amazônia, desta vez com a justificativa de produzir mais alimentos. Em declaração à imprensa, Maggi afirmou que “com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está ou se vamos produzir mais comida”.
Ao reforçar o velho paradigma meio ambiente versus desenvolvimento, o governador do estado que mais desmata no Brasil contradiz totalmente a posição que assumiu em Bali, durante a reunião da ONU para discutir as mudanças climáticas, quando procurou mostrar seu lado “verde” e foi aplaudido por isso, ou por sua participação em outubro de 2007, no lançamento do Pacto pelo Desmatamento Zero. Naquela ocasião, o governador havia advertido que “o leão do desmatamento não estava morto, mas apenas dormindo”. Os recentes dados que mostram aumento na destruição florestal estimulada pelos preços elevados de grãos e carne no mercado internacional indicam que o Leão despertou e está com fome.
“A declaração do governador vem em um momento em que a Amazônia se encontra sob fogo cerrado. Depois do anúncio do aumento nas taxas de destruição florestal, da apresentação de um projeto na Câmara dos Deputados que amplia o desmatamento em áreas privadas da Amazônia e de uma medida provisória que anistia grileiros, o agronegócio brasileiro vem querer aproveitar a crise mundial de alimentos, de maneira oportunista, como justificativa para o ataque à floresta”, disse Paulo Adario, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Para a organização ambientalista, o dilema entre desmatar ou passar fome é falso. A distribuição injusta de alimentos é um fator-chave para a crise. Há comida suficiente para alimentar todos os seres humanos do planeta, mas muitos grãos estão deixando de ser utilizados como alimento para serem usados na produção de biocombustíveis ou de ração animal para atender a crescente demanda por carne, principalmente nos países desenvolvidos.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por pelo menos um quarto das emissões de gases que provocam o efeito estufa. No caso do Brasil, o índice sobe para 75%. Destruir a Amazônia significa comprometer a capacidade de produção brasileira, já que as chuvas que caem nas regiões Centro-Sul e Sudeste do País e em outros países da América Latina são produzidas na região. Portanto, a manutenção da floresta é essencial para manter a grande produtividade agrícola não apenas do Mato Grosso, mas do Brasil.

Na foto acima, a soja é ameaça à Floresta Amazônica

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Duvide do Inter

Como colorado de muitas décadas, sinto obrigação de publicar o texto de outro torcedor do Inter. É maravilhoso, sarcástico e uma espécie de chamamento à torcida colorada para o jogo de domingo contra o Juventude. Um confissão ao Andreas: para quem me perguntar, eu vou dizer que duvido. Mas, lá no fundo da alma, eu confio sempre.


Andreas Müller

Você aí: duvide do Inter. Sim, duvide, vá em frente, aproveite o momento e desabafe. Livre-se da imensa carga de frustração que abateu seu coração ao final da partida contra o Juventude, neste domingo. Vamos lá, duvide, dê-se por vencido. Leve as mãos à cabeça, puxe os próprios cabelos, chute o cachorro e despeje todo o seu vocabulário de xingamentos em Abelão e, principalmente, em Fernandão. Assim não dá! Assim não pode! E quem foi que disse que o Fernandão é craque? Que é ídolo? Pois ontem ele mais parecia um dublê de Leandro Guerreiro... Viu só? Você está pegando o espírito! Vamos lá, duvide do Inter.

Duvide, mas seja pragmático. Concentre-se nos fatos. Lembre-se que o Inter já enfrentou o Juventude três vezes neste ano e perdeu todas. Pior ainda, não conseguiu marcar um único gol. Na soma dos três confrontos, é como se estivéssemos sofrendo uma goleada de 5 x 0. A superioridade alvi-verde, portanto, é indiscutível. É um fato. O Juventude não é apenas favorito ao título regional de 2008: ele praticamente já o ganhou. O jogo de volta será apenas protocolar. Quase 50 mil colorados se amontoarão nas arquibancadas do Beira Rio para testemunhar o inevitável triunfo juventudista. O Inter se rendeu à máquina alvi-verde. Já era.
Ah, você é gremista? Então deleite-se, caro rival. Nós, colorados, estamos perdidos! Agora, o momento é todo seu. Vamos lá, sorria! Tripudie em cima dessa touca verde que teima cobrir nossas cabeças inchadas. O fracasso colorado é iminente – e vai tornar as suas férias forçadas um pouco menos dolorosas. Você, gremista, é um cara sensato. Você tem os pés no chão. No fundo, você sabe que a derrota do Inter, no próximo domingo, será o dia mais feliz deste seu desgraçado 2008. Você tem mais é que comemorar. Então vá lá: duvide do Inter. A sua festa já tem data para começar: próximo domingo, 16h. Duvide, é o que eu lhe peço.

Porque o seu pessimismo é a nossa última esperança.

Quase todas as torcidas do planeta sofrem (ou já sofreram) da síndrome do “já ganhou”. Mas nós, colorados, somos diferentes. Nós também apresentamos, às vezes, o lado oposto desse otimismo descabido – um inexplicável clima de “já perdeu”. São crises aterradoras de pessimismo que nos acometem nesses momentos em que tudo parece conspirar contra. Um Barcelona invicto, que aplica uma ciranda num time mexicano, é um dos fatores capazes de nos fazer submergir na desgraça antecipada. Um São Paulo tricampeão mundial, que nunca perde jogos decisivos no Morumbi, idem. E não precisamos nos restringir somente às finais de campeonatos. Às vezes, basta um gol sorrateiro do Paraná logo no segundo minuto de jogo para que o drama do “já perdeu” venha à tona. E aí a casa cai. Nós jogamos a toalha, damo-nos por vencidos. Nós duvidamos do Inter.

O curioso é que, justamente nestes momentos, o Inter cresce. Quando todos estão convencidos de que “já era“, a mística do Saci reaparece em campo e o Inter, literalmente, prega uma peça no adversário. Tem sido assim ao longo da história colorada. O Inter desacreditado é sempre mais poderoso do que o Inter favorito. Se passamos toda a década de 80 sem ganhar títulos de grande expressão, foi porque ainda estávamos deslumbrados com aquele Inter de Falcão e Figueroa, que pisava no gramado apenas para cumprir o script de vitórias inevitáveis. Nós tínhamos certeza de que ganharíamos o Brasileirão de 1987. Nós tínhamos certeza de que superaríamos as macumbas de Bobô naquela final de 1989. Nós tínhamos certeza de que passaríamos do Olímpia naquela Libertadores maldita. Mas a mística do Saci é cruel. Naquelas ocasiões, nós mesmos éramos vítimas de suas peças.

Por isso, eu imploro: duvide do Inter. Tenha absoluta certeza de que o título gaúcho já é do Juventude. Reclame de Fernandão, da inconstância de Abelão, das canelas de vidro de Alex e do cabelo do Nilmar – a falta de gols só pode ser obra e graça daquela franja que lhe cobre os olhos. Duvide do Inter com todas as suas forças. Mas, só por segurança, garante o seu lugar nas arquibancadas do Gigante no próximo domingo. Esteja lá, ignore as desconfianças e apóie o time o tempo inteiro, só por “amor à camiseta” – que é como a turma dos otimistas se refere ao masoquismo. Na volta, é bem provável que lhe perguntem:

— E aí, tu acha que ainda tem lugar para estacionar lá na Goethe?

Você olhará o trânsito, o congestionamento de bandeiras, as pequenas multidões que se formam nas sinaleiras. E responderá com o pragmatismo habitual:

— Duvido. A essa hora, já era.

sábado, 26 de abril de 2008

Coerência, presidente Lula!

Eu tenho coerência e não sou obrigado a concordar com partidários da mesma ideologia. Quando estava na oposição, o PT do presidente Lula combateu ferozmente o projeto de FHC que instituiu o famigerado fator previdenciário, que corta em até 30% o valor das aposentadorias. Agora, o coerente senador Paulo Paim (PT) conseguiu apresentar um projeto no Senado que acaba com o tal fator. Foi o que bastou para que Luiz Inácio Lula da Silva pressionasse os aliados - muitos petistas - na Câmara Federal para que não votem o que chama de "irresponsabilidade". O presidente usa da mesma retórica utilizada pela direita representada pelos aliados do PSDB no passado: a retirada do fator previdenciário vai quebrar a previdência. Da mesma forma, quer derrubar outro projeto que equipara os reajustes dos aposentados à elevação do salário mínimo. Ou seja: em vez de buscar novas formas de aumentar os recursos da Previdência - como defendia outrora - o chefe do Executivo quer continuar mexendo no bolso do trabalhador. Coerência, presidente Lula!