Mas o que me chamou a atenção - e eu esqueci de relatar nas postagens de ontem - foi o relato da passagem de Mercedes por Porto Alegre em 1980 (ela vivia no exílio em Madrid). Na época, eu era produtor do programa Portovisão, da antiga TV Difusora (hoje Band), e tive a oportunidade de entrevistá-la, preparando-a para o papo com a apresentadora e amiga Tânia Carvalho.
Pois o Renato lembra em ZH que, no show realizado no Gigantinho, alguém detonou uma bomba de efeito moral para "minar" com o show da argentina. Mercedes assumiu o comando com a sua voz e acalmou o público, que se juntou a ela em um coro emocionado. Eu estava lá, e chorei muito com punho da mão esquerda erguida. Todos estavam dispostos a lutar junto ao lado de alguém que lutou por todos.
Mercedes, gracias pelo teu fôlego ao ultrapassar enormes fronteiras.
Renato, gracias pela arte de sintetizar em pequeno mais generoso espaço o legado de Mercedes.
6 comentários:
Jorge, eu tb estava no Gigantinho neste dia.
Mandei recado para Josiane Picada falando exatamente sobre este show de Mercedes.
Que belo momento!
bjs
Si se calla el cantor, calla la vida...
Jorge, de Mercedes minha alma sopra lembrança viva. Que página bem diagramada a dessa grande guerreira.
Jorge, obrigado pela avaliação que fizeste da matéria sobre a Mercedes na ZH. A verdade é que é um desafio terrível escrever um texto à altura de La Negra. Me impressionei muito com o público que velou a cantora - só um artista tão poderoso como ela poderia reunir tantas gerações e classes sociais na mesma reverência. Para mim, o mais emocionante ainda é a vitória definitiva que Mercedes conseguiu contra quem odeia a liberdade, e que ficou mais evidente ainda nesse momento de dor: as músicas dela, sua voz e sua dignidade artística sobreviverão para sempre, enquanto quem se valeu do arbítrio cairá no esqucimento, sendo lembrado apenas por seus eventuais crimes e arbítrios.
Lembro que ela falou, logo após detonarem a bomba no Gigantinho: "acendam as luzes, pois os lobos só atacam no escuro".
Diva da música, não esperava menos de lá Negra.
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