segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Vamos mudar a manchete dos feriadões

Gostaria que, em cada feriadão, lêssemos uma manchete diferente. É como aquela que aprendemos nas faculdades de jornalismo: a notícia que deve ser perseguida é a do cão mordido pelo homem, e não o contrário. Mas, na questão de acidentes, os veículos de comunicação precisam noticiar o óbvio. Ou seja, a cada feriado mais prolongado, o número de mortos é destacado. Aqui no Rio Grande do Sul, 17 pessoas pereceram na guerra do trânsito nas rodovias no último feriado. Em todos o país, foram mais de 50 vítimas. Eu e tu gostaríamos que ler a manchete ideal: "Trânsito sem mortes no feriadão". Mas isso não depende apenas de nós, mas de quem está no volante ou daquele que se encontra do outro lado da rodovia. Detalhe: são motoristas que leram as informações sobre os cuidados na direção. Tomara que um dia aprendam...

Professor, curta o teu dia

Os professores são vitais na vida profissional de qualquer cidadão, inclusive para aqueles que alcançam sucesso absoluto em suas profissões. Mal pagos, trabalhadores mesmo fora da sala de aula, pacienciosos na hora em que são desrespeitados e psicólogos nos momentos necessários, merecem comemorar dia 15 de outubro como ninguém.
Pena que ainda tenhamos que ouvir ironias de alguns pais, sugerindo que os mestres estão de folga hoje. Ninguém reclama quando os professores saem da aula e vão para casa corrigir provas e preparar a aula do dia seguinte. Fora do seu expediente e, muitas vezes, tendo que atender simultaneamente aos filhos pequenos.
Muitos são obrigados a trabalhar três turnos, em escolas diferentes, atendendo dezenas de alunos em um único dia. O baixo salário não oferece outra alternativa para estes profissionais.
Parabéns, professores. Eu e muitos de seus ex-alunos os reconhecemos muito.

domingo, 14 de outubro de 2007

A qualidade de vida é essencial

Retornei hoje à tardinha de um período de reclusão no conjunto Vô Arthur, que reúne cabanas, pousada e camping em um único lugar. Fica em Barra do Ribeiro, a terra em que nasci e onde ainda moram a minha mãe e outros familiares. Mesmo enfrentando o "choro" da dona Suely, vou para lá compartilhar com a natureza e desfrutar de lazer. Volto a meia, dou um pulo na casa da minha velhinha. O bacana é que acordo de manhã cedo ouvindo o canto dos galos e dos pássaros, o barulho dos gansos e de outras aves e ainda tenho a oportunidade de vislumbar a natureza junto à janela do quarto (vejam a foto que tirei numa das manhãs em que fiquei lá). É impagável e sugiro a mesma rotina para quem tiver oportunidade. Fica a 55 quilômetros de Porto Alegre. Logo ali....

Mais uma vez, Inter deixa adversário empatar no final

Parece sina, mas o Internacional tem feito a alegria de times medíocres. Ontem, no Pacaembu, a torcida do Corinthians vibrou com o gol de empate aos 42 minutos da segunda etapa. Como já ocorrera nas partidas contra o Náutico e o Atlético Mineiro, o colorado perdeu gols e, no final do jogo, teve que buscar a bola no fundo de sua rede.
Desatenção? Cansaço? Não sei qual é a razão, mas o fato é que estão se tornando corriqueiras manchetes como "Inter deixa a vitória escapar", "Atlético empata no final depois de estar perdendo por 2 a 0" e "Corinthians arranca empate". Pergunta: Estes times que rondam a zona do rebaixamento conseguiram o empate por suas virtudes? Ou foi o Inter que cedeu por seus defeitos? Talvez ao final do campeonato tenhamos a resposta. E tomara que estejamos longe da zona do rebaixamento. Na foto de Alexandre Lops, do site do Inter, o meia Magrão acaba de marcar o gol do Inter.

O gênio Chaplin...


sábado, 13 de outubro de 2007

Ele (FHC) não cansa de mentir

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua viajando mundo à fora, sempre exibindo sua imensa cara de pau. Mente, mente, mente.... Acha, certamente, que o povo já não o conhece suficientemente para se deixar enganar. Desta vez, FHC disse que "nunca interferiu" para que a Procuradoria Geral da República arquivasse processos contra membros de seu governo e que – durante seu período na Presidência – o procurador era "totalmente independente" do poder Executivo. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa de TV Hard Talk, que foi ao ar no canal de notícias internacional BBC World na quinta-feira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do PT têm argumentado com freqüência que acusações de corrupção envolvendo membros do governo e do partido seriam resultado de uma postura mais independente do procurador-geral e da Polícia Federal. Durante a campanha eleitoral de 2006, Lula disse que, no seu governo, "procurador-geral da República indicia. Em outros governos, ele engavetava".

A primeira parte da entrevista, em que o repórter da BBC World "aperta" FHC, pode ser conferida no link abaixo:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071004_fhchardtalk1.shtml

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Feliz Dia das Crianças


Aos amigos que conservam alguma coisa do espírito infantil e deixam a vida rolar entre momentos de trabalho e lampejos de brincadeiras, desejo um feliz Dia das Crianças.

Conheça o Manual de Redação da Folha de São Paulo

Este é o Manual de Redação da Folha de São Paulo, mas pode valer para qualquer outro jornalão do país. Sem falar na Veja.

Capítulo 1

1. O Serra tem razão.
2. O Serra tem sempre razão.
3. O Serra não erra, se engana.
4. Ante a improvável hipótese de que ele não tenha razão, entra em vigência os artigos 1 e 2.
5. O Serra não dorme, repousa.
6. O Serra não come, se nutre.
7 O Serra não bebe, degusta.
8 . O Serra nunca chega tarde, algo o atrasou.
9. O Serra nunca abandona o trabalho, é requerida sua presença em outro lugar.
10. O Serra nunca lê jornal no gabinete, se informa.
11. O Serra não se familiariza com a secretária... apenas a educa.
12. Quem entrar no gabinete do Serra com idéias próprias, deve ajustá-las às dele.
13. O Serra pensa por todos.
14. Quanto mais se pensa como Serra, mais se sobe na Folha.
15. Qualquer dúvida, vale o artigo 2.

Capítulo 2

1. O PT não tem razão.
2. O PT nunca tem razão.
3. O PT sempre erra.
4. Na hipótese absurda do PT acertar, valem os itens 1 e 2.
5. Se alguém do PT erra, Lula é o culpado.
6. Se a direção do PT erra, Lula é o culpado.
7 O Lula não degusta, bebe.
8 . O Lula não governa, viaja.
9. O Serra viaja e governa.
10. Escândalo no PT é mensalão.
11. Escândalo no PSDB é caixa 2.
12. Não se fala mais em juros altos.
13. Agora vamos pegar o Renan.
14. Jornalista precisa criticar o Lula.
15. Qualquer dúvida, vale o artigo 2.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Jornalismo, caminhões e tragédias

Por questões profissionais, já atravessei o Rio Grande do Sul de ponta a ponta. E sempre digo que a perícia dos motoristas que me acompanhavam nas pautas jornalísticas nos livrou de sérios acidentes. Dezenas de vezes nos deparamos, frente-a-frente, com caminhões em alta velocidade e só escapamos de uma batida porque havia um encostamento para o providencial desvio. "Temos que dar passagem para os grandões" é a frase repetida, à exaustão, pelos colegas do volante. Por isso, entendo a tragédia que matou pelo menos 27 pessoas na BR-282, no Oeste catarinense. Tendo um prazo para entregar determinada mercadoria, eles tomam o "rebite", objetivando dirigir à noite e não pegar no sono, ficando "acesos" e "presos" ao volante. Pois estas anfetaminas - misturadas com álcool - podem dar efeito contrário.
Nos acidentes simultâneos em Santa Catarina, os envolvidos diretos foram caminhões e seus motoristas. Lamento a morte de todos e, especialmente, dos colegas jornalistas Evandro Troian, da RBS TV, e Elisandra Lucotti, do jornal Folha do Oeste, além do radialista Valdik Rupolo. Morreram trabalhando num momento em que poderiam estar desfrutando da folga (aliás, saíram de casa para cobrir o primeiro acidente). Sempre digo que o Jornalismo é uma vocação e está nas veias de quem o escolhe. Não tem hora para o cumprimento da pauta. Por isso, na hora da negociação, os donos das empresas não deveriam sonegar a discussão sobre o pagamento de horas extras. O propalado banco de horas é uma farsa porque não cobre todo o período a mais trabalhado pelos profissionais.

Britto é o pedágio, Olívio é o caminho

Lembro do slogan acima para mostrar a saia justa em que se meteu o Governo Lula na questão dos pedágios federais. Dizem que concessão não é privatização e que o preço acertado com as consórcios vencedores do leilão é bem inferior aos atuais. Os usuários não pensam assim e vão cobrar, especialmente a questão dos preços. Além disso, se algum motorista saudosista mantiver o o decalco com o slogan "Britto é o pedágio, Olívio é o caminho" em seu carro, deve providenciar a retirada. Questão de coerência...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Scala, zagueiro de classe e garra

Eu era adolescente, morava em Barra do Ribeiro (distante 55 quilômetros de Porto Alegre) e escutava aos jogos do meu Internacional pelas ondas do rádio. Não havia aparelho de televisão em nossa casa e, mesmo que tivéssemos, os jogos não eram transmitidos. Por isso, minha paixão pelo Inter foi crescendo a partir de vozes de narradores como Pedro Carneiro Pereira, da Rádio Guaíba. Foi dessa forma que aprendi a admirar um zagueiro chamado Scala, que aliava técnica e força que causavam admiração em todo o Brasil. Tanto que o defensor colorado jogou na seleção e foi relacionado para o Copa do Mundo no México. Só não foi tricampeão por conta da política que privilegiava os jogadores do Centro do País e de uma lesão surgida na época da convocação. Um exemplo: Piazza, um meio-campista, foi nosso zagueiro. Um lugar que seria de Scala.
Pois o nosso atleta morreu hoje, aos 67 anos, vítima do mal de Alzheimer. Meu respeito a ele, integrante de um time que consegui decorar durante anos e foi responsável pela retomada da hegemonia do Inter no Rio Grande do Sul e, quem sabe, foi o embrião do esquadrão que mais tarde foi tricampeão do Brasil na década de 70. Eu diria, saudoso, romântico e meio exagerado, que era um timaço: Gainete, Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi, Elton e Dorinho, Carlitos (Valdomiro), Bráulio (Sérgio), Claudiomiro e Canhoto. É uma feliz lembrança no dia da partida do grande Scala (na foto, do site do Milton Neves).

Vamos à luta contra a receita de Yeda

Companheiros, sem luta jamais alcançaremos a vitória. Che Guevara nos ensinou isso.
Neste momento, o Rio Grande do Sul precisa de briga para impedir a expansão dos ímpetos estatizantes da governadora Yeda Crusius. Aliás, quem não votou nela já sabia que sua trajetória seguiria este caminho. Entre 1995 e 1997, o nosso Estado foi governado por Antônio Britto, que deu o tom da idéia neoliberal utilizada hoje pelo PSDB (aliás, aliado naquela ocasião). O homem que quebrou o Estado e a empresa Azaléia, além de ser recentemente ser impedido - graças ao apelo popular - de ser presidente do Grêmio, promoveu a renúncia fiscal e vendeu estatais, empobrecendo nosso patrimônio público, sem obter qualquer resultado. Pois agora a governadora tucana repete a receita amarga, não ingerida pelos gaúchos há mais de dez anos. Aumentando impostos e privatizando estatais - mesmo que sob outros nomes - não conseguirá recuperar o equilíbrio fiscal do Estado. Britto já mostrou isso. Por que insistem nesta opção? A elite que a elegeu pressiona por este caminho...

ACM não agradece

Prédio 100% amigo da Amazônia

Foi inaugurado em setembro, em São Leopoldo (RS), na Grande Porto Alegre, o prédio do Centro Turístico Municipal. Ele traz uma inovação: é a primeira obra pública do Brasil 100% amiga da Amazônia. Foi usada apenas madeira amazônica certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês), reduzindo o impacto ambiental e também os custos do projeto.
A iniciativa é fruto de um compromisso assumido pela prefeitura local com a União Protetora do Ambiente Natural (Upan) e o Greenpeace, que criou em 2003 o programa Cidade Amiga da Amazônia, destinado a ajudar municípios e estados de todo o país a eliminarem o consumo de madeira extraída de forma ilegal ou predatória na Amazônia.
O prédio inaugurado pelo prefeito Ary Vanazzi (PT) abriga o Centro de Informações Turísticas da Rota Romântica da Serra Gaúcha, que tem seu marco zero em São Leopoldo e abrange outros 11 municípios. “A concretização dessa obra pioneira demonstra que tanto o poder público quanto a iniciativa privada podem contribuir com a preservação de nossas florestas, consumindo seus recursos de forma responsável”, diz Márcio Astrini, do programa Cidade Amiga da Amazônia.
A redução do impacto ambiental do centro turístico de São Leopoldo foi pensada desde a concepção do projeto. Captação da água da chuva, aproveitamento da iluminação natural, ventilação e aquecimento espacialmente planejados também contribuíram para baratear os custos. “Preservar nossas florestas, suas comunidades e a biodiversidade é dever de todo cidadão e obrigação do poder público”, diz Astrini.
Segundo a empresa responsável pela obra, Sawaya Construções e Incorporações, a obra custou menos da metade de um projeto que usassem matéria-prima convencional, não certificada. “Os orçamentos oferecidos pelos fornecedores locais eram mais que o dobro que o da madeira certificada que compramos diretamente de uma empresa certificada no Pará”, conta Júlio César Sawaya, diretor da empresa.
Mesmo com o pagamento do transporte da madeira certificada do Pará até Rio Grande do Sul, além da compra de ferramentas adequadas para tratar o material, a obra ficou bem mais em conta. A certificação florestal FSC é independente e adota critérios aceitos internacionalmente. O selo oferece ao consumidor a melhor garantia de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição das florestas, além de ter origem em uma operação socialmente justa e economicamente viável.

Texto e foto do Greenpeace.

A mensagem atual de velhos heróis


Vale a pena ler o artigo abaixo, escrito pelo monge beneditino Marcelo Barros. Teólogo, escritor e autor de 30 livros publicados, faz uma homenagem ao revolucionário Ernesto Che Guevara, a partir da nojenta matéria publicada pela revista Veja.


Neste outubro, quando faz 40 anos da morte de Ernesto Che Guevara, a revista Veja (edição 2028, de 03/10/2007) publica um artigo rancoroso que tenta denegrir a imagem de um dos homens mais admirados pela juventude. Mas, do mundo inteiro, homens e mulheres ligados aos movimentos sociais e à busca de uma sociedade nova se reúnem no lugar em que o Che foi assassinado (Valle Grande, Bolívia) para avaliar honestamente sua trajetória e atualizar sua proposta para um mundo mais justo.
A maioria dos estudiosos e pesquisadores, como os diversos biógrafos do Che, confirma a motivação ética que o movia e a generosidade com a qual quis conquistar para todos os seres humanos um mundo mais igualitário. Um mínimo de honestidade histórica e de lucidez política exige que não julguemos ações da década de 60 como se a conjuntura internacional e latino-americana fossem as mesmas de hoje. Uma encíclica do papa Paulo VI, em 1967, retomava a antiga convicção teológica cristã de que " em casos de tirania prolongada e evidente que ofenda gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudique o bem comum do país, as pessoas têm o direito moral da insurreição revolucionária para derrubá-la" (Populorum Progressio 31). Foi o que, na década de 60, muitos jovens fizeram. Na América Latina, muitas pessoas de profunda vida espiritual, e mesmo pastores evangélicos e padres católicos como Camilo Torres, na Colômbia, se engajaram em grupos que lutavam contra as ditaduras políticas e o modelo econômico assassino de tantos pobres. Ernesto Guevara renunciou ao conforto de sua vida ambientada na classe média argentina e a promissora profissão de médico para se consagrar de corpo e alma à libertação social e política dos povos do mundo. Atualmente, a maioria dos que trabalham para transformar o mundo não aceita mais a luta armada como método justo nem válido para alcançar a libertação. Entretanto, quase ninguém põe em dúvida a grande humanidade do Che e a mensagem moral que ele nos deixa para prosseguirmos o caminho da transformação.
Há poucos anos, no filme "Diários de motocicleta", Walter Salles emocionava as platéias com o relato cinematográfico da viagem que, aos 23 anos, Ernesto Guevara fez de moto, com Alberto Gramado, por grande parte da América do Sul. Naquele tempo, já aparecia clara a sua sensibilidade de justiça e sua opção por estar do lado dos mais fracos e marginalizados. Na época, ele ainda não tinha recebido o apelido carinhoso de "Che". Até hoje, na Argentina e em regiões do Rio Grande do Sul, os homens intercalam no diálogo a expressão "che", como forma de envolver o outro na conversa. "O dia hoje está bonito, che!" ou "Ninguém ganha do meu time, che!". Como em outras regiões se diz "cara", "rapaz", "homem" ou "meu" como conotação de amizade e confidência. No México, quando se engajou na luta contra a ditadura cubana, ao falar com os companheiros, Ernesto Guevara usava muito esta expressão. Por isso, os mexicanos e cubanos o apelidaram "Che". É um nome que lhe cabe muito porque é como se alguém tivesse como apelido "o companheiro".
De fato, Ernesto Guevara se tornou companheiro dos lavradores e indígenas de toda a América Latina. O que o levou a estudar o socialismo e a unir-se a grupos engajados na revolução social e política do continente foi o sonho de uma ordem mais justa com os empobrecidos do mundo. Che trabalhou muito para educar lavradores e índios. Por onde andava, parava nas aldeias e compartilhava noções de saneamento básico e saúde preventiva. Foi através deste trabalho humanitário com os mais pobres que ele acabou conhecendo e se inserindo na guerrilha dos jovens cubanos para derrubar o regime sanguinário que dominava a ilha. Quando os revolucionários tomaram o poder em Cuba, ele se tornou a segunda autoridade do país, logo a seguir de Fidel Castro. Tornou-se comandante da fortaleza de Havana, onde eram julgados e condenados os criminosos de guerra. Muitos testemunhos desmentem as lendas criadas pela imprensa ligada ao governo dos Estados Unidos, dando conta que Che chegou a desagradar a companheiros por nunca permitir vingança e por protelar, enquanto podia, sentenças de morte. Em todos os casos, exigiu novas averiguações e deu mais prazo à defesa dos prisioneiros que os próprios organismos internacionais consideraram criminosos de guerra e não apenas opositores políticos.
Poucos anos depois (1965), Che novamente renuncia ao poder conquistado e decide se juntar a grupos de libertação, primeiro no ex- Congo Belga, na África e depois na Bolívia. Ali no dia 08 de outubro de 1967, ele foi traído e preso por um comando antiguerrilha do exército boliviano e norte-americano. É levado a uma escola do lugar - La Higuera, na província de Valle Grande, estado de Santa Cruz. Ali é assassinado e seu cadáver, depois de exposto ao público, é enterrado em local secreto, só descoberto após trinta anos.
Neste aniversário de 40 anos de martírio (testemunho), homens e mulheres de todo o mundo, representando diversas raças e credos, se reúnem em Valle Grande, o local onde o Che assinou com o seu sangue a convicção de que a solidariedade e a justiça são valores dos quais não podemos abrir mão. Este encontro tem como objetivo compartilhar preocupações, refletir sobre os destinos da humanidade e proclamar as esperanças que, neste começo de milênio podemos ainda nutrir. Ele nos atesta que grande parte dos seres humanos continua a busca por uma sociedade nova. Também nos estimula a assumir a capacidade de ir à raiz das questões- a radicalidade- do Che em um caminho espiritual novo: percurso não-violento e solidário em comunhão com todos os seres vivos. O Che reavivou as brasas da esperança de uma pátria grande latino-americana que um século e meio antes Simon Bolívar tinha lançado. Neste início do século XXI, o processo democrático e não-violento da chamada revolução bolivariana está ainda no início, mas é uma realidade na Venezuela, Bolívia, Equador e em outros lugares da América Latina. É um convite paro o esforço de tornar real o sonho e a esperança da justiça.

Fonte:Adital http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29947


terça-feira, 9 de outubro de 2007

TVE: a voz dos funcionários

A questão da TVE e da FM Cultura merece ser tratada com muita profundidade. Quem tem espaço na mídia - mesmo num blog, como eu - deve defender de forma enfática essas emissoras públicas, ameaçadas pela intenção governamental de privatizá-las. Sim, esse é o objetivo, mesmo que venha por meio de um projeto-de-lei travestido de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Nesta cruzada, reproduzo e apóio o manifesto dos funcionários das duas emissoras:

"Nós, servidores da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão, vimos através deste enfatizar nossa defesa da instituição como uma Fundação Pública de Direito Privado, rechaçando qualquer proposta de conversão em Organização Social (OS) ou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Demonstramos preocupação com o atual processo de inviabilização das rotinas de trabalho nas emissoras. Também entendemos a necessidade de fortalecer a atuação do Conselho Deliberativo para que exerça suas responsabilidades estabelecidas em lei. A TVE e a FM Cultura são emissoras públicas a serviço da comunidade gaúcha. Nosso objetivo é garantir que continuem sendo janelas da multiplicidade cultural do Rio Grande do Sul. Isso só é possível se resguardadas as condições técnicas e humanas de trabalho."

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Fidel faz homenagem a Che Guevara


Fidel Castro homenageou Ernesto Che Guevara, "o predestinado e semeador de consciências que combatia conosco e por nós" em uma nota publicada nesta segunda-feira (8), na qual expressou seu respeito e gratidão ao combatente excepcional, na celebração dos 40 anos da captura e morte de Che na Bolívia (na foto, ambos em Havava).


Cuba comemora nesta segunda-feira, em Santa Clara – onde o guerrilheiro participou de sua principal batalha em 1958 e onde está seu corpo desde 1997 – o 40º aniversário da queda em combate do "Guerrilheiro Heróico".
O concerto "Homem e Amigo" de trovadores latino-americanos na Universidade de Santa Clara, dirigido pelo cubano Silvio Rodríguez, abriu formalmente à noite o tributo a Che e marcou o início também do "Ano Guevariano" que terminará na Argentina em 2008, quando o guerrilheiro iria completar 80 anos.

Confira abaixo o texto escrito por Fidel:

El Che

Faço uma pausa no combate diário para inclinar minha cabeça, com respeito e gratidão, ante o combatente excepcional que caiu em um 8 de outubro, há 40 anos. Pelo exemplo que nos deu com sua Coluna Invasora, que atravessou os terrenos pantanosos ao sul das antigas províncias do Oriente e Camagüey perseguido por forças inimigas, libertador da cidade de Santa Clara, criador do trabalho voluntário, cumpridor de honrosas missões políticas no exterior, mensageiro do internacionalismo militantes aqui e na Bolívia, semeador de consciências em nossa América e no mundo. Dou-lhe graças pelo que tratou de fazer e não pôde em seu país natal, porque foi como uma flor arrancada prematuramente de seu caule. Deixou-nos seu estilo inconfundível de escrever, com elegância, concisão e veracidade, cada detalhe do que se passava por sua mente. Era um predestinado, mas ele não sabia disso. Combateu conosco e por nós.

Fidel Castro Ruz


Fonte: Granma

Nossa força é infinita, camarada Che

"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."

A frase é de um comandante - Ernesto Che Guevara -, pintado como sanguinário por dois repórteres da direitosa revista Veja. Deveriam lavar suas mãos....
São servis aos seus donos, mas nada os impedia de serem imparciais, tributos dos verdadeiros jornalistas.

SOS TVE e Rádio FM Cultura

Amigos, vamos defender as nossas emissoras públicas da sanha privativista do Governo estadual. O tão temido projeto que entrega a TVE e a Rádio FM Cultura, de Porto Alegre (RS), para serem gerenciadas por uma ONG - Organização Social de Interesse Público (OSCIP) - deve ser enviado essa semana para a Assembléia Legislativa. Funcionários e sindicatos já estudaram o assunto, fizeram seminários e ouviram especialistas. A conclusão é uma só: a OSCIP significa, na prática, a privatização das duas emissoras.
Foi criado um abaixo-assinado para ser entregue aos deputados. Já foram conseguidas 700 assinaturas, e a idéia é chegar a 10 mil!
A foto de Arfio Mazzei mostra os funcionários da TVE mobilizados e colhendo assinaturas.

Basta acessar o link abaixo:


http://www.petitiononline.com/TVE_FM/petition.html

Tem também uma versão em papel do abaixo assinado, caso seja necessário passar para quem não tem acesso à Internet.

Abaixo, os argumentos no documento com as assinaturas que será entregue aos deputados:

A TVE (canal 7) e a Rádio FM Cultura (107.7), emissoras da Fundação Piratini, vêm sofrendo um período de desgastes que pode culminar na sua extinção. O orçamento vem sendo reduzido a cada ano e os equipamentos não têm manutenção. Por causa disso, a programação foi afetada e o sinal da TV já não chega a boa parte do interior do Estado do RS. Para piorar, há falta de pessoal: não foram chamados todos os aprovados no último concurso, que sequer foi renovado. Devido às más condições de trabalho, muitos profissionais de alta qualificação se demitiram. Preocupados com essa situação, os funcionários lançaram um Manifesto denunciando a precarização do serviço e, principalmente, sugerindo alternativas para viabilizá-las economicamente, propondo uma mudança radical no modelo de gestão em maio de 2007 (vide em http://docs.google.com/View?docID=ddt9tm2b_22d47jrr&revision=_latest).
A governadora Yeda Crusius tem demonstrado desinteresse em manter a TVE e a FM Cultura. Pelo contrário, elaborou um projeto de lei para ceder os serviços públicos para OSCIPs – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - o que, na verdade, é uma forma de PRIVATIZAÇÃO. Trata-se de entregar a TVE e a FM Cultura para uma entidade privada: uma espécie de ONG ou associação. Qual será o compromisso dessa entidade com o conteúdo que deve ser veiculado em uma TV e uma rádio públicas? Quais os interesses comerciais que estarão por trás dela?
A TVE e a FM Cultura são dos gaúchos! Têm história, têm cultura, fazem cultura, e, mesmo com poucos recursos, produzem e veiculam uma programação qualificada e alternativa às emissoras comerciais.
Nós, funcionários, queremos construir uma verdadeira TV e uma rádio públicas, que atendam aos interesses de todas as parcelas da sociedade com autonomia perante os governos. Mas para isso, o primeiro passo é EVITAR A PRIVATIZAÇÃO da TVE e da FM Cultura. Por isso, encaminhamos o abaixo-assinado pedindo o seu apoio contra a entrega da TVE/FM Cultura para uma OSCIP.

PROGRAMAÇÃO QUE PRIMA PELA QUALIDADE

A TVE produz: o "Pandorga", único programa infantil do Estado. O "Hip Hop Sul", dedicado à comunidade hip hop, vencedor do Prêmio Lança de Ouro. O "TVE Repórter", o único programa de grandes reportagens produzido no Estado, e que só em 2006 ganhou 6 prêmios jornalísticos. O "TV Cine", que toda semana apresenta um curta-metragem. O "Radar", espaço mais democrático da cultura jovem gaúcha. O "Estação Cultura", revista diária aberta às mais diversas manifestações artísticas. O "Paralelo Sul", que retrata a cultura do povo gaúcho em seu sentido amplo, costumes, história, economia. O "Palcos da Vida", com shows de artistas da musica popular gaúcha e brasileira. O "Concertos TVE", dando acesso à música clássica na TV aberta. O "Galpão Nativo", expressão sensível da genuína cultura rio-grandense. "Primeira Pessoa", entrevista aprofundada com personalidades do RS. Viva Bem, programa de saúde e qualidade de vida. "Cidadania", refletindo os direitos do cidadão. "Consumidor em Pauta", com direitos do consumidor. Dois telejornais diários. Somos a segunda emissora em rede instalada no estado. Transmitimos eventos como o Fórum Social Mundial, Fórum da Liberdade, Festival de Gramado, os desfiles da Semana da Pátria e da Semana Farroupilha. Coberturas especiais da Expointer e Feira do Livro, entre outras.

Dentro do mesmo espírito, a rádio FM Cultura oferece uma programação de alta qualidade e valorização da produção cultural gaúcha e brasileira:

AS MÚSICAS QUE FIZERAM A SUA CABEÇA
AVENIDA CULTURA
BRASILIANA
CLÁSSICOS DA MANHÃ
CONCERTOS FM CULTURA
CONTEMPORÂNEA
CONTRACULTURA
CONVERSA DE BOTEQUIM
CULTURA DA INFÂNCIA
CULTURA DOCUMENTA
CULTURA HIP HOP
CULTURA NA MESA
ENSAIO ABERTO
ESTAÇÃO CULTURA
ESTÚDIO B
FILARMONIA
FM CULTURA INFORMA
MANHÃ POPULAR BRASILEIRA
NA TRILHA DA TELA
ÓPERA DA SEMANA
RADIOTEATRO
SESSÃO JAZZ
TARDE POPULAR BRASILEIRA
TONS E NOTAS
UM BOM DIA MEU RIO GRANDE
UNIRÁDIO