Blog destinado ao Jornalismo, com informações e opiniões nas seguintes áreas: política, sindical, econômica, cultural, esportiva, história, literatura, geral e entretenimento. E o que vier na cabeça... Leia e opine, se quiseres!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Momentos
Sonha o que tu queres sonhar; vá aonde tu queres ir; seja o que tu queres ser porque só tens uma vida e uma oportunidade para fazer todas as coisas que queres fazer.
Que tenhas suficiente felicidade para ser doce; suficientes provas para ser forte; suficiente dor para ser humano; suficiente esperança para ser feliz.
Sempre se coloque no lugar dos demais. Se te dói, provavelmente doa também à outra pessoa. As pessoas mais felizes não necessariamente têm o melhor de tudo; simplesmente desfrutam ao máximo de tudo que está em seu caminho. A felicidade aguarda aqueles que choram, aqueles que sofrem, aqueles que buscam, aqueles que têm se esforçado, porque só essas pessoas podem apreciar a importância daqueles que têm deixado marcas em suas vidas.
O amor nasce com um sorriso, cresce com um beijo, e acaba com uma lágrima.
O futuro mais brilhante se faz quando não se valoriza demais o passado, pois não vencerás se não deixares para trás teus fracassos e tristezas.
As duas capas da revista dos Civita
Goebbels inspira Veja
Luciano Rezende*Quais são as razões dessa pretensa disparidade? O local da apuração das informações e a origem das fontes de consulta já seriam boas justificativas, caso se tratasse de outra revista que não essa máquina de doutrinação da direita. Há um “toque de classe” que necessita ser levado em consideração para entender a metodologia empregada e, mais que isso, seus interesses.
A revista Veja faz parte dessa rede mundial de comunicação neomacartista na eterna campanha da desinformação. Um olhar mais atento nos mostra outro fator importante na análise sobre a tática usada por todos os veículos de comunicação e formação da burguesia na satanização de ícones e referências da esquerda : a cronologia dos fatos.
Há uma passagem muito interessante no livro “Stalin, um novo olhar” do escritor belga Ludo Martens em que o mesmo chama atenção para as despudoradas campanhas empreendidas pela burguesia contra figuras ligadas ao socialismo. Na maioria das vezes são investidas grosseiras com objetivo de desmanchar biografias de personalidades cujas vidas foram dedicadas à luta pelo socialismo (ou mesmo contra o imperialismo).
No caso específico de Stalin as acusações de assassinato de inocentes civis por parte da burguesia variam, através de estudos “científicos”, de 500 mil a até 50 milhões, oscilando, entre outras coisas, de acordo com a ordem cronológica da publicação. Uma margem de erro grotesca que com o passar dos anos aumentou vertiginosamente.
Continuando sua linha de raciocínio, Ludo relata um artifício utilizado em suas palestras. Um texto sobre Stálin é distribuído para a classe a qual é solicitada a comentar sobre o teor do artigo logo após a leitura. Todos revelam que se trata de um escrito anti-stalinista embora reconheça os enormes êxitos alcançados pela URSS com Stálin à frente e que relata abertamente o entusiasmo dos jovens e dos pobres pelo bolchevismo. Ludo Martens então revela que o panfleto é uma publicação nazista distribuída em plena Segunda Guerra Mundial e daí conclui que com o passar dos anos, sem a URSS para fazer um contraponto a toda sorte de calúnias, ou mesmo com uma nova geração de russos que não viveram essa época para contestar muitas dessas acusações, vai-se aumentando a dose das acusações, confirmando a tese de Goebbels de que uma mentira dita mil vez pode se tornar verdade. Martens conclui afirmando que as campanhas anti-stalinistas promovidas pelas democracias ocidentais em 1989-1991 eram muitas vezes mais violentas e caluniosas que aquelas levadas no curso dos anos 30 pelos nazistas. Ontem a defesa de Stálin era espontânea a qualquer comunista, hoje é quase uma heresia.
Não é o caso aqui de inocentar ou culpar Stalin (ou quem quer que seja), mas de fazer um simples esforço de raciocínio de entender como a burguesia age para destruir figuras de esquerda em geral, usando os meios de comunicação para “provar” suas teses e outros “estudos científicos” com o passar do tempo. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Da mesma forma aqui no Brasil, se daqui a cinqüenta anos um estudante qualquer de mestrado ou doutorado pesquisar sobre os dois governos Lula tendo como fonte referencial a revista Veja, chegará, inequivocamente, à conclusão de que fomos governados por um despreparado (numa versão mais moderada) que nos solapou a oportunidade histórica de desenvolvimento e outras coisas mais. Particularmente não me espantarei se, chegando aos meus oitenta anos, deparar com algum “diário secreto” descoberto por alguém em que “revele” uma lista sortida de barbaridades cometidas por Lula. É salutar frisar que até mesmo investigações científicas sérias não podem ser concebidas como completamente desinteressadas ou neutras.
Com Che não é diferente. Mesmo gozando de grande reputação, ter uma trajetória distinta de outras figuras comunistas (ou de esquerda) e se tornado um verdadeiro mito, a burguesia não descansará até destruir sua imagem. Mesclando erros verídicos (e naturais) de outros inventados, descolam o personagem de seu contexto e realidade históricos com o objetivo de desmoralizar seu passado.
Ainda hoje temos centenas de pessoas que conviveram com Che em Cuba, Congo, Bolívia e até mesmo no México ou Argentina para fazerem esse importante contraponto através de testemunhos pessoais detalhados. Maioria absoluta delas é convicta em refutar todas as barbaridades disparadas por Veja e outras publicações de direita - como as ilações esboçadas pelo fútil Carlos Heitor Cony em sua coluna do dia 11 de outubro na Folha de São Paulo em que diz que Che foi um péssimo administrador público, o que é refutado pelos cubanos que trabalharam com ele nos primeiros anos da Revolução Cubana. Aí há outro ponto que também merece atenção: as variadas táticas de ataque. Enquanto o ataque da Veja é aberto, o de articulistas da estirpe de Cony é mais velado e mesclado com a defesa de certas qualidades. O bombardeio inimigo é intenso, o arsenal variado e os alvos bem definidos.
Nessa peleja a atuação da UJS do Rio de Janeiro foi exemplar. Não se pode vacilar ante a máquina de formação e (des)informação da burguesia. Uma das expressões da luta de classes é a luta de idéias. A defesa de Che é a defesa do socialismo e a denúncia do imperialismo que assassina e oprime povos por todo o mundo. A sentença da Veja de que ''Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história arremessou há tempos outros teóricos do comunismo'' é válida tão-somente sob sua ótica de classe. Uma vigorosa reciclagem mostrará, mais cedo ou mais tarde, o poder daquilo que a burguesia pensa poder descartar.
Hoje e sempre faremos a defesa de Che. Talvez com o passar dos anos os ataques sejam mais virulentos diante de um mundo que não terá mais as testemunhas oculares das grandes lutas empreendidas a favor dos povos levadas a cabo por Che. Todavia, seguiremos difundindo seus ideais e lutando pelos mesmos sonhos de nosso comandante, que vai se tornando mais real com as vitórias alcançadas pela esquerda em nosso continente na atualidade.
Artigo originalmente publicado no Blog do Rodrigo Moraes (www.blogdorodrigomoraes.blogspot.com)
terça-feira, 16 de outubro de 2007
A defesa da TVE é incentivada
Se estiveres a fim de colaborar e repassar para outros amigos, conhecidos, vizinhos ou até transeuntes, faça isso. As equipes das emissoras agradecem. Veja o link abaixo, onde tu poderás participar do abaixo-assinado eletrônico:
http://www.petitiononline.com/TVE_FM/petition.html
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Vamos mudar a manchete dos feriadões
Gostaria que, em cada feriadão, lêssemos uma manchete diferente. É como aquela que aprendemos nas faculdades de jornalismo: a notícia que deve ser perseguida é a do cão mordido pelo homem, e não o contrário. Mas, na questão de acidentes, os veículos de comunicação precisam noticiar o óbvio. Ou seja, a cada feriado mais prolongado, o número de mortos é destacado. Aqui no Rio Grande do Sul, 17 pessoas pereceram na guerra do trânsito nas rodovias no último feriado. Em todos o país, foram mais de 50 vítimas. Eu e tu gostaríamos que ler a manchete ideal: "Trânsito sem mortes no feriadão". Mas isso não depende apenas de nós, mas de quem está no volante ou daquele que se encontra do outro lado da rodovia. Detalhe: são motoristas que leram as informações sobre os cuidados na direção. Tomara que um dia aprendam...
Professor, curta o teu dia
Pena que ainda tenhamos que ouvir ironias de alguns pais, sugerindo que os mestres estão de folga hoje. Ninguém reclama quando os professores saem da aula e vão para casa corrigir provas e preparar a aula do dia seguinte. Fora do seu expediente e, muitas vezes, tendo que atender simultaneamente aos filhos pequenos.
Muitos são obrigados a trabalhar três turnos, em escolas diferentes, atendendo dezenas de alunos em um único dia. O baixo salário não oferece outra alternativa para estes profissionais.
Parabéns, professores. Eu e muitos de seus ex-alunos os reconhecemos muito.
domingo, 14 de outubro de 2007
A qualidade de vida é essencial
Retornei hoje à tardinha de um período de reclusão no conjunto Vô Arthur, que reúne cabanas, pousada e camping em um único lugar. Fica em Barra do Ribeiro, a terra em que nasci e onde ainda moram a minha mãe e outros familiares. Mesmo enfrentando o "choro" da dona Suely, vou para lá compartilhar com a natureza e desfrutar de lazer. Volto a meia, dou um pulo na casa da minha velhinha. O bacana é que acordo de manhã cedo ouvindo o canto dos galos e dos pássaros, o barulho dos gansos e de outras aves e ainda tenho a oportunidade de vislumbar a natureza junto à janela do quarto (vejam a foto que tirei numa das manhãs em que fiquei lá). É impagável e sugiro a mesma rotina para quem tiver oportunidade. Fica a 55 quilômetros de Porto Alegre. Logo ali....
Mais uma vez, Inter deixa adversário empatar no final
Parece sina, mas o Internacional tem feito a alegria de times medíocres. Ontem, no Pacaembu, a torcida do Corinthians vibrou com o gol de empate aos 42 minutos da segunda etapa. Como já ocorrera nas partidas contra o Náutico e o Atlético Mineiro, o colorado perdeu gols e, no final do jogo, teve que buscar a bola no fundo de sua rede. sábado, 13 de outubro de 2007
Ele (FHC) não cansa de mentir
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua viajando mundo à fora, sempre exibindo sua imensa cara de pau. Mente, mente, mente.... Acha, certamente, que o povo já não o conhece suficientemente para se deixar enganar. Desta vez, FHC disse que "nunca interferiu" para que a Procuradoria Geral da República arquivasse processos contra membros de seu governo e que – durante seu período na Presidência – o procurador era "totalmente independente" do poder Executivo. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa de TV Hard Talk, que foi ao ar no canal de notícias internacional BBC World na quinta-feira.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do PT têm argumentado com freqüência que acusações de corrupção envolvendo membros do governo e do partido seriam resultado de uma postura mais independente do procurador-geral e da Polícia Federal. Durante a campanha eleitoral de 2006, Lula disse que, no seu governo, "procurador-geral da República indicia. Em outros governos, ele engavetava".
A primeira parte da entrevista, em que o repórter da BBC World "aperta" FHC, pode ser conferida no link abaixo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071004_fhchardtalk1.shtml
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Feliz Dia das Crianças
Conheça o Manual de Redação da Folha de São Paulo
Capítulo 1
1. O Serra tem razão.
2. O Serra tem sempre razão.
3. O Serra não erra, se engana.
4. Ante a improvável hipótese de que ele não tenha razão, entra em vigência os artigos 1 e 2.
5. O Serra não dorme, repousa.
6. O Serra não come, se nutre.
7 O Serra não bebe, degusta.
8 . O Serra nunca chega tarde, algo o atrasou.
9. O Serra nunca abandona o trabalho, é requerida sua presença em outro lugar.
10. O Serra nunca lê jornal no gabinete, se informa.
11. O Serra não se familiariza com a secretária... apenas a educa.
12. Quem entrar no gabinete do Serra com idéias próprias, deve ajustá-las às dele.
13. O Serra pensa por todos.
14. Quanto mais se pensa como Serra, mais se sobe na Folha.
15. Qualquer dúvida, vale o artigo 2.
Capítulo 2
1. O PT não tem razão.
2. O PT nunca tem razão.
3. O PT sempre erra.
4. Na hipótese absurda do PT acertar, valem os itens 1 e 2.
5. Se alguém do PT erra, Lula é o culpado.
6. Se a direção do PT erra, Lula é o culpado.
7 O Lula não degusta, bebe.
8 . O Lula não governa, viaja.
9. O Serra viaja e governa.
10. Escândalo no PT é mensalão.
11. Escândalo no PSDB é caixa 2.
12. Não se fala mais em juros altos.
13. Agora vamos pegar o Renan.
14. Jornalista precisa criticar o Lula.
15. Qualquer dúvida, vale o artigo 2.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Jornalismo, caminhões e tragédias
Nos acidentes simultâneos em Santa Catarina, os envolvidos diretos foram caminhões e seus motoristas. Lamento a morte de todos e, especialmente, dos colegas jornalistas Evandro Troian, da RBS TV, e Elisandra Lucotti, do jornal Folha do Oeste, além do radialista Valdik Rupolo. Morreram trabalhando num momento em que poderiam estar desfrutando da folga (aliás, saíram de casa para cobrir o primeiro acidente). Sempre digo que o Jornalismo é uma vocação e está nas veias de quem o escolhe. Não tem hora para o cumprimento da pauta. Por isso, na hora da negociação, os donos das empresas não deveriam sonegar a discussão sobre o pagamento de horas extras. O propalado banco de horas é uma farsa porque não cobre todo o período a mais trabalhado pelos profissionais.
Britto é o pedágio, Olívio é o caminho
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Scala, zagueiro de classe e garra
Eu era adolescente, morava em Barra do Ribeiro (distante 55 quilômetros de Porto Alegre) e escutava aos jogos do meu Internacional pelas ondas do rádio. Não havia aparelho de televisão em nossa casa e, mesmo que tivéssemos, os jogos não eram transmitidos. Por isso, minha paixão pelo Inter foi crescendo a partir de vozes de narradores como Pedro Carneiro Pereira, da Rádio Guaíba. Foi dessa forma que aprendi a admirar um zagueiro chamado Scala, que aliava técnica e força que causavam admiração em todo o Brasil. Tanto que o defensor colorado jogou na seleção e foi relacionado para o Copa do Mundo no México. Só não foi tricampeão por conta da política que privilegiava os jogadores do Centro do País e de uma lesão surgida na época da convocação. Um exemplo: Piazza, um meio-campista, foi nosso zagueiro. Um lugar que seria de Scala.Pois o nosso atleta morreu hoje, aos 67 anos, vítima do mal de Alzheimer. Meu respeito a ele, integrante de um time que consegui decorar durante anos e foi responsável pela retomada da hegemonia do Inter no Rio Grande do Sul e, quem sabe, foi o embrião do esquadrão que mais tarde foi tricampeão do Brasil na década de 70. Eu diria, saudoso, romântico e meio exagerado, que era um timaço: Gainete, Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi, Elton e Dorinho, Carlitos (Valdomiro), Bráulio (Sérgio), Claudiomiro e Canhoto. É uma feliz lembrança no dia da partida do grande Scala (na foto, do site do Milton Neves).
Vamos à luta contra a receita de Yeda
Neste momento, o Rio Grande do Sul precisa de briga para impedir a expansão dos ímpetos estatizantes da governadora Yeda Crusius. Aliás, quem não votou nela já sabia que sua trajetória seguiria este caminho. Entre 1995 e 1997, o nosso Estado foi governado por Antônio Britto, que deu o tom da idéia neoliberal utilizada hoje pelo PSDB (aliás, aliado naquela ocasião). O homem que quebrou o Estado e a empresa Azaléia, além de ser recentemente ser impedido - graças ao apelo popular - de ser presidente do Grêmio, promoveu a renúncia fiscal e vendeu estatais, empobrecendo nosso patrimônio público, sem obter qualquer resultado. Pois agora a governadora tucana repete a receita amarga, não ingerida pelos gaúchos há mais de dez anos. Aumentando impostos e privatizando estatais - mesmo que sob outros nomes - não conseguirá recuperar o equilíbrio fiscal do Estado. Britto já mostrou isso. Por que insistem nesta opção? A elite que a elegeu pressiona por este caminho...
Prédio 100% amigo da Amazônia
Foi inaugurado em setembro, em São Leopoldo (RS), na Grande Porto Alegre, o prédio do Centro Turístico Municipal. Ele traz uma inovação: é a primeira obra pública do Brasil 100% amiga da Amazônia. Foi usada apenas madeira amazônica certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC, na sigla em inglês), reduzindo o impacto ambiental e também os custos do projeto.A iniciativa é fruto de um compromisso assumido pela prefeitura local com a União Protetora do Ambiente Natural (Upan) e o Greenpeace, que criou em 2003 o programa Cidade Amiga da Amazônia, destinado a ajudar municípios e estados de todo o país a eliminarem o consumo de madeira extraída de forma ilegal ou predatória na Amazônia.
O prédio inaugurado pelo prefeito Ary Vanazzi (PT) abriga o Centro de Informações Turísticas da Rota Romântica da Serra Gaúcha, que tem seu marco zero em São Leopoldo e abrange outros 11 municípios. “A concretização dessa obra pioneira demonstra que tanto o poder público quanto a iniciativa privada podem contribuir com a preservação de nossas florestas, consumindo seus recursos de forma responsável”, diz Márcio Astrini, do programa Cidade Amiga da Amazônia.
A redução do impacto ambiental do centro turístico de São Leopoldo foi pensada desde a concepção do projeto. Captação da água da chuva, aproveitamento da iluminação natural, ventilação e aquecimento espacialmente planejados também contribuíram para baratear os custos. “Preservar nossas florestas, suas comunidades e a biodiversidade é dever de todo cidadão e obrigação do poder público”, diz Astrini.
Segundo a empresa responsável pela obra, Sawaya Construções e Incorporações, a obra custou menos da metade de um projeto que usassem matéria-prima convencional, não certificada. “Os orçamentos oferecidos pelos fornecedores locais eram mais que o dobro que o da madeira certificada que compramos diretamente de uma empresa certificada no Pará”, conta Júlio César Sawaya, diretor da empresa.
Mesmo com o pagamento do transporte da madeira certificada do Pará até Rio Grande do Sul, além da compra de ferramentas adequadas para tratar o material, a obra ficou bem mais em conta. A certificação florestal FSC é independente e adota critérios aceitos internacionalmente. O selo oferece ao consumidor a melhor garantia de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição das florestas, além de ter origem em uma operação socialmente justa e economicamente viável.
Texto e foto do Greenpeace.
A mensagem atual de velhos heróis
Vale a pena ler o artigo abaixo, escrito pelo monge beneditino Marcelo Barros. Teólogo, escritor e autor de 30 livros publicados, faz uma homenagem ao revolucionário Ernesto Che Guevara, a partir da nojenta matéria publicada pela revista Veja.
Neste outubro, quando faz 40 anos da morte de Ernesto Che Guevara, a revista Veja (edição 2028, de 03/10/2007) publica um artigo rancoroso que tenta denegrir a imagem de um dos homens mais admirados pela juventude. Mas, do mundo inteiro, homens e mulheres ligados aos movimentos sociais e à busca de uma sociedade nova se reúnem no lugar em que o Che foi assassinado (Valle Grande, Bolívia) para avaliar honestamente sua trajetória e atualizar sua proposta para um mundo mais justo.
A maioria dos estudiosos e pesquisadores, como os diversos biógrafos do Che, confirma a motivação ética que o movia e a generosidade com a qual quis conquistar para todos os seres humanos um mundo mais igualitário. Um mínimo de honestidade histórica e de lucidez política exige que não julguemos ações da década de 60 como se a conjuntura internacional e latino-americana fossem as mesmas de hoje. Uma encíclica do papa Paulo VI, em 1967, retomava a antiga convicção teológica cristã de que " em casos de tirania prolongada e evidente que ofenda gravemente os direitos fundamentais da pessoa humana e prejudique o bem comum do país, as pessoas têm o direito moral da insurreição revolucionária para derrubá-la" (Populorum Progressio 31). Foi o que, na década de 60, muitos jovens fizeram. Na América Latina, muitas pessoas de profunda vida espiritual, e mesmo pastores evangélicos e padres católicos como Camilo Torres, na Colômbia, se engajaram em grupos que lutavam contra as ditaduras políticas e o modelo econômico assassino de tantos pobres. Ernesto Guevara renunciou ao conforto de sua vida ambientada na classe média argentina e a promissora profissão de médico para se consagrar de corpo e alma à libertação social e política dos povos do mundo. Atualmente, a maioria dos que trabalham para transformar o mundo não aceita mais a luta armada como método justo nem válido para alcançar a libertação. Entretanto, quase ninguém põe em dúvida a grande humanidade do Che e a mensagem moral que ele nos deixa para prosseguirmos o caminho da transformação.
Há poucos anos, no filme "Diários de motocicleta", Walter Salles emocionava as platéias com o relato cinematográfico da viagem que, aos 23 anos, Ernesto Guevara fez de moto, com Alberto Gramado, por grande parte da América do Sul. Naquele tempo, já aparecia clara a sua sensibilidade de justiça e sua opção por estar do lado dos mais fracos e marginalizados. Na época, ele ainda não tinha recebido o apelido carinhoso de "Che". Até hoje, na Argentina e em regiões do Rio Grande do Sul, os homens intercalam no diálogo a expressão "che", como forma de envolver o outro na conversa. "O dia hoje está bonito, che!" ou "Ninguém ganha do meu time, che!". Como em outras regiões se diz "cara", "rapaz", "homem" ou "meu" como conotação de amizade e confidência. No México, quando se engajou na luta contra a ditadura cubana, ao falar com os companheiros, Ernesto Guevara usava muito esta expressão. Por isso, os mexicanos e cubanos o apelidaram "Che". É um nome que lhe cabe muito porque é como se alguém tivesse como apelido "o companheiro".
De fato, Ernesto Guevara se tornou companheiro dos lavradores e indígenas de toda a América Latina. O que o levou a estudar o socialismo e a unir-se a grupos engajados na revolução social e política do continente foi o sonho de uma ordem mais justa com os empobrecidos do mundo. Che trabalhou muito para educar lavradores e índios. Por onde andava, parava nas aldeias e compartilhava noções de saneamento básico e saúde preventiva. Foi através deste trabalho humanitário com os mais pobres que ele acabou conhecendo e se inserindo na guerrilha dos jovens cubanos para derrubar o regime sanguinário que dominava a ilha. Quando os revolucionários tomaram o poder em Cuba, ele se tornou a segunda autoridade do país, logo a seguir de Fidel Castro. Tornou-se comandante da fortaleza de Havana, onde eram julgados e condenados os criminosos de guerra. Muitos testemunhos desmentem as lendas criadas pela imprensa ligada ao governo dos Estados Unidos, dando conta que Che chegou a desagradar a companheiros por nunca permitir vingança e por protelar, enquanto podia, sentenças de morte. Em todos os casos, exigiu novas averiguações e deu mais prazo à defesa dos prisioneiros que os próprios organismos internacionais consideraram criminosos de guerra e não apenas opositores políticos.
Poucos anos depois (1965), Che novamente renuncia ao poder conquistado e decide se juntar a grupos de libertação, primeiro no ex- Congo Belga, na África e depois na Bolívia. Ali no dia 08 de outubro de 1967, ele foi traído e preso por um comando antiguerrilha do exército boliviano e norte-americano. É levado a uma escola do lugar - La Higuera, na província de Valle Grande, estado de Santa Cruz. Ali é assassinado e seu cadáver, depois de exposto ao público, é enterrado em local secreto, só descoberto após trinta anos.
Neste aniversário de 40 anos de martírio (testemunho), homens e mulheres de todo o mundo, representando diversas raças e credos, se reúnem em Valle Grande, o local onde o Che assinou com o seu sangue a convicção de que a solidariedade e a justiça são valores dos quais não podemos abrir mão. Este encontro tem como objetivo compartilhar preocupações, refletir sobre os destinos da humanidade e proclamar as esperanças que, neste começo de milênio podemos ainda nutrir. Ele nos atesta que grande parte dos seres humanos continua a busca por uma sociedade nova. Também nos estimula a assumir a capacidade de ir à raiz das questões- a radicalidade- do Che em um caminho espiritual novo: percurso não-violento e solidário em comunhão com todos os seres vivos. O Che reavivou as brasas da esperança de uma pátria grande latino-americana que um século e meio antes Simon Bolívar tinha lançado. Neste início do século XXI, o processo democrático e não-violento da chamada revolução bolivariana está ainda no início, mas é uma realidade na Venezuela, Bolívia, Equador e em outros lugares da América Latina. É um convite paro o esforço de tornar real o sonho e a esperança da justiça.
Fonte:Adital http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29947
terça-feira, 9 de outubro de 2007
TVE: a voz dos funcionários
A questão da TVE e da FM Cultura merece ser tratada com muita profundidade. Quem tem espaço na mídia - mesmo num blog, como eu - deve defender de forma enfática essas emissoras públicas, ameaçadas pela intenção governamental de privatizá-las. Sim, esse é o objetivo, mesmo que venha por meio de um projeto-de-lei travestido de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Nesta cruzada, reproduzo e apóio o manifesto dos funcionários das duas emissoras:"Nós, servidores da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão, vimos através deste enfatizar nossa defesa da instituição como uma Fundação Pública de Direito Privado, rechaçando qualquer proposta de conversão em Organização Social (OS) ou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Demonstramos preocupação com o atual processo de inviabilização das rotinas de trabalho nas emissoras. Também entendemos a necessidade de fortalecer a atuação do Conselho Deliberativo para que exerça suas responsabilidades estabelecidas em lei. A TVE e a FM Cultura são emissoras públicas a serviço da comunidade gaúcha. Nosso objetivo é garantir que continuem sendo janelas da multiplicidade cultural do Rio Grande do Sul. Isso só é possível se resguardadas as condições técnicas e humanas de trabalho."


