terça-feira, 6 de novembro de 2007

Pedágios - Santiago

Movimentos social e sindical fazem paralisação amanhã no RS

É com greve geral que os gaúchos vão responder à tentativa do governo Yeda de empurrar o tarifaço para a sociedade. A mobilização é a arma dos trabalhadores para dizer não a mais esta manobra da administração estadual, que prejudica a população pela falta de capacidade de resolver os problemas do Rio Grande. Depois de passar o patrimônio dos gaúchos para as mãos de investidores estrangeiros - que agora detêm 43% das ações do Banrisul - a governadora volta a prejudicar a população com a velha fórmula do aumento de impostos.
É contra esse pacotaço e tantas outras medidas tomadas pela governadora Yeda Crusius que a Central Única dos Trabalhadores e entidades sindicais querem dizer chega. O dia 7 de novembro, amanhã, foi escolhido como um marco em todo este Estado. Nesta data, o Estado vai parar como forma de protestar contra este pacotaço.
A saída que ela está apresentando para solucionar os problemas do Rio Grande do Sul não poderia ser mais antiga, e o pior, está afetando diretamente quem menos deveria ser atingido pelo “pacote” que está sendo lançado pelo governo do PSDB, os trabalhadores, o desenvolvimento e a economia do Estado.
Não sabendo como resolver a falta de dinheiro do governo, Yeda faz uso da velha e surrada fórmula de aumentar os impostos como forma de arrecadar mais. Adivinha quem vai, de novo, pagar a conta?
É claro que é você mesmo, quando comprar algum produto, pode ser desde um simples pãozinho até a utilização de algum serviço como, por exemplo, quando colocar gasolina no seu carro ou mesmo quando simplesmente acender a luz de sua casa. A proposta apresentada pelo governo de Yeda aumenta a alíquota básica do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre todos os produtos e serviços de 17 para 18%.
O imposto também será ampliado sobre energia elétrica, telecomunicações, combustíveis, bebidas alcoólicas, refrigerantes e produtos considerados como supérfluos pelo governo, como perfumes, armas e munições. Obviamente, o resultado de tudo isso será um aumento generalizado de preços.
E quem mais sofrerá as conseqüências deste aumento será você, trabalhador, que irá sentir no próprio bolso os reflexos da política neoliberal imposta pela governadora em nosso Estado.
Veja alguns exemplos de aumentos no valor do ICMS sobre produtos e serviços que a governadora Yeda quer colocar em vigor:


Luz

Alíquota hoje do ICMS : 25%

Yeda quer que passe para de 28 % a 30 %, o que faria você pagar de 5,5% a 9,5% a mais na sua conta.

Gasolina

Alíquota hoje do ICMS : 25%

Yeda quer que passe para de 28 % a 30 %, o que faria você pagar de oito a 13 centavos a mais por litro.


Cerveja

Alíquota hoje do ICMS : 25%

Yeda quer que passe para de 28 % a 30 %, o que causaria reajustes de 4% a 8%.

Telefone(fixo e celular)

Alíquota hoje do ICMS : 25%

Yeda quer que passe para de 28 % a 30 %, o que causaria aumentos entre 4% e 7% na conta.

Então, vai ficar aí parado? Entre em contato com seu sindicato, vereador, deputado e pressione para que o “pacotaço” de Yeda não seja aprovado! Do contrário, o pacote vai cair diretamente em cima do seu já sofrido bolso!

A programação do protesto prevê uma concentração, às 10h, em frente à prefeitura de Porto Alegre, seguida por uma caminhada até o Palácio Piratini.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Eu quero acreditar, Inter

Ainda estou batendo na madeira. Quero acreditar que a grande vitória de ontem contra o Vasco, no Rio, não seja mais um lampejo do Internacional neste Brasileirão. Outros tantos já antecederam decepções. Mas agora eu preciso confiar porque o time deu um show de bola no campinho encharcado de São Januário. Embora tenha perdido o grande zaqueiro Sorondo a 11min de jogo, não se desesperou. Pelo contrário, sob o comando de Nilmar, o colorado foi para cima e só não goleou o time carioca por falta de sorte e preciosismo. A reestréia do garoto não poderia ser melhor.
Durante os 61 minutos em que permaneceu em campo, correu, teve velocidade, partiu para cima dos zaqueiros, driblou, perdeu gols - natural para quem ficou mais de sete meses parado - e foi um assistente eficiente. É uma fora-de-série que poderá nos fazer subir na tabela nos três jogos restantes. Detalhe: foi bem assessorado pelos demais, especialmente por Fernandão, vocacionado para o gol. Vamos para cima do Cruzeiro, Inter.....
A foto de Alexandre Lops, do site do Inter, mostra o trio que está mudando o Inter: Fernandão, Nilmar e Iarley.

Perceba...

Perceba que mais um dia começou, e ele é todo seu.
Perceba que tu tens o tempo em tuas mãos e, mesmo quando atolado em problemas, a vida espera que tomes as decisões para seguir em frente.
Perceba que, se ficares deitado, com medo da vida, com medo até do ar que respiras, tudo ao seu redor vai parar.
Perceba que tu és o capitão de um navio cuja rota e destino dependem de tuas atitudes.
Perceba que culpar a situação, a crise e as pessoas é a nossa primeira reação de defesa quando sentimos que perdemos o comando do nosso navio. Para retomar o timão é preciso coragem para assumir as próprias fraquezas, é preciso determinação para seguir na direção certa, determinada por ti.
Perceba que a vida o presenteou com inúmeros recursos, como a inteligência e a capacidade de comunicação.
Se tu usufruis destes recursos, já tens tudo isso e ainda sabe que é um ser privilegiado. Então, não falta nada, só falta rumo e determinação.
Perceba que todas as pessoas possuem qualidades e defeitos.
Sem respeitar o ser humano que luta ao seu lado por dias melhores, o seu navio encalha e atrapalha os outros que estão chegando.
Perceba que a felicidade talvez já não seja mais um porto distante, mas um ponto no horizonte.

sábado, 3 de novembro de 2007

Um mundo melhor

Cliquem na imagem e terão uma informação maior da campanha.

A visão sensível de um fotógrafo

Recebi e-mail do colega F. Stuckert, um fotojornalista sensível e preocupado em retratar da forma mais simples o que está ocorrendo nas cadeias públicas desse nosso Brasil. É claro que o objetivo dele não é, forma alguma, "passar a mão" na cabeça dos detentos, mas como ser humano considera degradante ver um outro ser em péssimas condições de vida. Reflitam sobre isso e vejam as imagens no www.stuckert.com.br
No site do colega, tu lerás o texto abaixo e a foto ao lado, mostrando a sensibilidade do F.Stuckert, que exibe outros trabalho de qualidade.


O intuito deste texto é fazer menção a horrível condição pessoal em que se encontram os presos do Brasil, jogados e esquecidos “nas masmorras” do desrespeito, esquecendo-se eles próprios de que são seres humanos. Objetivo de nossas cadeias seria reabilitar, o preso, entretanto, infelizmente, não é o que acontece nas cadeias deste país. O sistema carcerário brasileiro está falido e o que observamos são estas cadeias se transformarem em verdadeiras “usinas de revolta humana”, verdadeiras masmorras, depósitos humanos de excluídos. As causas de tantos problemas nesta fábrica de desumanidade, reflete nos jornais devido a: Superlotação que gera os mais preocupantes efeitos, como promiscuidade, falta de higiene, comodidade etc. Em alguns Estados, devido à superlotação das delegacias de polícia ou pequenas cadeias públicas, muitas mulheres são colocadas em celas masculinas e terminam estupradas. Ressaltando que algumas celas possuem apenas 12 metros quadrados e que muitas chegam a comportar seis presos sentados ou de pé, a situação passa de grave à gravíssima; Falta de higiene e assistência médica social muitos dos presos estão submetidos a péssimas condições de higiene. As condições higiênicas em muitas cadeias são precárias e deficientes, além do que o acompanhamento médico inexiste em algumas delas; Falta de acesso à educação e ensino profissionalizante Uma antiga máxima popular diz que “mente vazia é a oficina do diabo”. Este provérbio não poderia ser mais adequado quando se trata da vida carcerária. O indivíduo privado de sua liberdade e que não encontra ocupação, entra num estado mental onde sua única perspectiva é fugir. O homem nasceu para ser livre, não faz parte de sua natureza permanecer enjaulado. A visão à cerca do criminoso é que, a partir do delito ele se torna um indivíduo à parte na sociedade, e que seu isolamento dentro de uma prisão significa a perda de toda a sua dignidade humana devendo, por isso, ser esquecido enquanto pessoa humana, e ignora-se que os direitos humanos valem para todos, sejam criminosos ou não que visam resguardar um mínimo de dignidade do indivíduo. Depois da vida, o mais importante bem humano é a sua liberdade. A seguir, advém o direito à dignidade. Infelizmente, dignidade não é algo que vê com freqüência dentro de nossos presídios. Muitas prisões não tem mais a oferecer aos seus detentos do que condições sub-humanas, o que constitui a violação dos Direitos Humanos. A realidade nua e crua é que os presidiários, em nosso país, são maltratados, humilhados e desrespeitados em sua dignidade, contribuindo para que a esperança de seu reajuste desapareça justamente por causa do ambiente hostil que se lhe apresenta quando cruza os portões da penitenciária.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Somos humanos e não sabemos agir como os animais

É uma vergonha o que aconteceu durante a semana em um bairro da Zona Norte de Porto Alegre. "Humanos" mataram um filhote de chupim que estava preso de cabeça para baixo no alto de um poste. Antes, durante três dias, um casal de joão-de-barro alimentava a pequena ave, como única forma de mantê-la viva, apesar do sol e da chuva. Moradores ficaram sensibilizados e pediram socorro à Companhia Estadual de Ernergia Elétrica (CEEE), atitude fatal para o filhote. Insensíveis, os funcionários não subiram até a casa de barro para salvar o chupim. Derrubaram o ninho e, com ele, a pequena ave. Morreu na queda. O ato atingiu em cheio os joões-de-barro, que ficaram sem a casa e sem o filhote adotado com carinho nos últimos três dias.
A imprensa, que acompanhou o caso, disse que sobrou a lição de persistência. A meu ver, ficou também a prova de insensibilidade do humano, muitas vezes chamado de animal quando comete atos insanos.
Não, os animais não fariam isso.

Humor - charge de Bessinha

Sentimentos

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

É tempo de abraçar....

Como faz bem abraçar e ser abraçado!
Um abraço pode desencandear reações emocionais contidas.
Um abraço é forma de compartilhar alegria...
Um abraço acalma... libera perdão...
Um abraço derruba barreiras e preconceitos...
Um abraço acalenta, mostra apoio, transmite segurança... mata a saudade...
Num abraço se divide a alegria ou a dor com o outro...
Muito do que jamais poderia ser traduzido em palavras pode facilmente ser expresso num abraço.
O avanço tecnológico tem sido responsabilizado pelo aumento do distanciamento entre as pessoas. Conversas virtuais, amizades e namoros virtuais...
É possível ‘’mandar’’ abraço, mas isto em nada se compara à sensação de abraçar e ser abraçado.
Os efeitos psicológicos do abraço têm sido amplamente analisados.
O ser humano precisa do toque do outro para o seu suprimento emocional. Há pessoas que não se deixam abraçar, talvez por terem sido enrijecidas pelas dificuldades da vida. É preciso ajudá-las a superar essa distância.
O abraço é terapêutico. Aproxima do outro, faz sentir-se aceito, incluído.
O abraço é a indicação de que, além de braços entrelaçados, há corações e mentes envolvidas.
Abraços em pessoas conhecidas há anos, pessoas queridas, familiares antes distantes. Isso é comum.
Porém, quero propor um novo desafio: abraçar pessoas que têm pouco acesso a abraços, pessoas que quase não são abraçadas, idosos isolados num asilo, adolescentes rebeldes, crianças carentes, doentes enfraquecidos, viúvas cheias de lembranças, pessoas solitárias.
Este é o tempo de abraçar, abraçar com os braços e com o coração.
Muitas pessoas estão, neste momento, precisando sentirem-se amadas, protegidas, acolhidas, agasalhadas afetivamente. Deus pode usar nossos braços para lhes transmitir amor.
É preciso ter cuidado para não atarefar-se tanto a ponto de não sobrar tempo para abraçar alguém que precisa de carinho. Sempre há tempo para um abraço, desde que haja esta disposição no coração.
Não economize abraços. É tempo de abraçar!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Diferença de polegadas...

Amigos e leitores deste blog, somente agora identifiquei um problema resultante de minhas postagens aqui. Tenho um computador com monitor de 21 polegadas e, por conseqüencia, com mais amplitude para publicação de textos, fotos, títulos, etc. Hoje, diante de um PC com 14 polegadas, verifiquei uma edição completamente diferente: títulos de uma linha ficaram com duas, fotos postadas lado a lado estavam desparelhas e a identificação de imagens (ao lado ou acima) destoavam com a versão do meu computador. Ficou feio e certamente quem tem um aparelho menor deve ter notado isso. Procurarei cuidar deste detalhe, mas nem sempre será possível advinhar como ficará em um monitor menor. Espero que entendam e relevem a situação.

Sete jornalistas e uma pauta

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul informa aos participantes da festa dos 65 anos da entidade, ocorrida em 22 de setembro no Clube Caixeiros Viajantes, em Porto Alegre, que o CD promocional alusivo à data já está disponível. É possível retirar gratuitamente seu disco na sede do Sindicato - Rua dos Andradas, 1270, 13º andar, sala 133, em Porto Alegre - ou informar endereço para remessa via Correios, sem custo. Em locais próximos ao Centro da Capital, o CD também pode ser entregue pessoalmente, em horário comercial. Contatos pelo jornalistasrs@jornalistasrs.brte.com.br ou 51-3226-0664.
O CD (foto ao lado) foi totalmente produzido por jornalistas: organização de Juarez Fonseca, ilustração de Santiago e músicas de Arthur de Faria, Gustavo Telles, Jimi`Joe, Nando Gross, Nelson Coelho de Castro, Renato Martins e Renato Mendonça. São 14 faixas de boa música.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Zeca Baleiro contesta 'texto fútil' de Huck

Em resposta a Luciano Huck, o cantor Zeca Baleiro pergunta na edição desta segunda-feira - 29 de outubro – da Folha de S.Paulo: por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça, só quando é roubado?” E conclui, para elevar o debate: “o problema do mundo é mesmo um só – uma luta de classes cruel e sem fim". Vale a pena ler o artigo na íntegra, já reproduzido também em outros sites e blogs. Afinal, nesta guerra é preciso usar todas as armas.

O rolo do Rolex

Por Zeca Baleiro

No início do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal (Folha de S.Paulo), entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então.
Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação.
Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal.
Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime.
Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração.
E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas
Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]".
A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático.
Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso.
Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida.
Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate.
Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só - uma luta de classes cruel e sem fim.



Vida

"E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida...!"

William Shakespeare

Em sete anos, Brasil precisará mostrar condições para ter a Copa do Mundo

O anúncio já esperado foi feito hoje (às12h36min, horário de Brasília). O Brasil, sempre um dos favoritos de cada Copa do Mundo de futebol, desta vez não encontrou adversários. Ao mostrar, de forma protocolar, o nome do Brasil como sede da disputa em 2014, em Zurique, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixou claro que as exigências serão as mesmas de outros anos. Ou seja, no período de sete anos, a entidade máxima do futebol analisárá itens como uso da verba disponível, esquema da venda de ingressos, estádios, estrutura para treinamentos, facilidades para a mídia, possibilidade de realização de congressos e eventos, segurança, telecomunicações, transportes e capacidade de acomodação.
Por enquanto, o Brasil é carente em todos os setores e terá que se valer de recursos públicos e privados para ter a Copa do Mundo. Tanto que o mal-humorado presidente da CBF, Ricardo Teixeira, respondeu de forma pouco polida a pergunta de uma repórter sobre a situação da criminalidade no Brasil. Citou situações em outros países e minimizou a do seu próprio. Lula, embora ressaltando que não estará mais no Planalto em 2014 e será apenas torcedor, destacou que o Brasil e o seu povo farão tudo por uma grande festa. "O fato do País ter sido escolhido aumenta a responsabilidade dos governantes. Estou convencido de que o Brasil vai realizar uma Copa extraordinária", disse, antes de fazer brincadeiras com o francês Platini e com os argentinos.
Agora, esperamos que os investidores realmente apareçam e que não hajam obras superfaturadas, como aconteceu recentemente no Pan do Rio.
Na foto da AFP (acima), Lula, Dunga, Romário e Teixeira comemoraram a escolha do Brasil.

Democracia no Grêmio?

Ontem à noite, nas eleições para a presidência do Conselho Deliberativo do Grêmio, muitos conselheiros se enforçaram para demonstrar que o clube vive uma democracia plena, afastando-se da imagem da agremiação fechada de poucos anos atrás. No entanto, as atitudes e depoimentos de alguns gremistas durante o pleito revelou a preferência por antigas práticas feudais. A primeira foi a ameaça do presidente Paulo Odone de renunciar caso o candidato da chapa 3 - Raul Régis de Freitas Lima - ganhasse a eleição para o Conselho.
Durante as transmissões das rádios, um jornalista e conselheiro esbravejou aos microfones sua preferência pelo regime ditatorial. Quando um repórter o entrevistou, ele começou a atacar as demais chapas, dizendo não entender como havia oposição para um presidente que tinha sido campeão da segunda divisão, bicampeão gaúcho, vice da Libertadores e terceiro lugar no Brasileirão (na verdade, está em quinto). O repórter foi direto, dizendo que a existência de disputa é resultado da democracia. "Que democracia! Por causa dela, o país está como está", desdenhou o conselheiro, misturando a eleição do seu clube com a política nacional.
Este é o Grêmio, que tenta ser democrata sem afastar o fantasma de um tempo em que um presidente encerrava o mandato e indicava o outro, sem participação de conselheiros e, muito menos, de associados. Agora, caminha para a eleição direta, como já faz o Internacional há muito tempo. Dará certo?

domingo, 28 de outubro de 2007

Viajar é sinônimo de felicidade

Gosto de viajar, embora as minhas preferências não batam com as opções de outras pessoas em certas ocasiões. Para muitos, viajar significa varar fronteiras, atravessar oceanos, cruzar os céus. Exterior.... Não condeno estes sonhos (até já visitei outros países), mas constantemente espio o mapa do meu Brasil e observo muitas coisas que ainda não vi neste país-continente. Já viajei muito por razões profissionais ou por lazer, mas sinto que ainda existe território a ser desbravado. Inclusive no Rio Grande do Sul, onde já visitei mais de 300 cidades. Um exemplo: sempre que posso, vou à região serrana gaúcha, peculiar pelos cenários maravilhosos, pela arquitetura preservada e pelo acolhimento da população local. De lá, sempre volto com algumas histórias para contar. Já percorri quatro vezes o Vale dos Vinhedos e o Caminho de Pedras (foto ao lado), em Bento Gonçalves, e não hesitarei em voltar. Sempre há uma novidade e um fato novo para guardar na memória ou contar aos amigos. Enfim, viajar é sinônimo de felicidade.

Sem legenda...

Na redação de um jornal, sempre surgem algumas fotos que dispensam uma legenda.
A imagem diz tudo.
Esta que tu vês acima é uma dela. E merece profunda reflexão.
Busquei no site http://www.diariogauche.blogspot.com/

sábado, 27 de outubro de 2007

Bem-vinda, Feira do Livro


Quando cheguei a Porto Alegre, em 1972, morei por alguns meses na casa de meus tios Luiz a Aracy. Por intermédio dele, marceneiro, tive os primeiros contatos com a feira do livro de Porto Alegre. Ele construía as barracas das editoras que iam para a praça da Alfândega ofertar seus livros. Lembro que eram menos de 50 estandes, mas a quantidade de livros expostos me fascinava. Ontem, passados 35 anos de minha chegada à capital gaúcha, foi inaugurada a 53ª Feira do Livro de Porto Alegre, com 165 expositores e um número extraordinário de obras. E com desconto....

A feira mudou, expandiu-se e perdeu seu lado romântico de décadas atrás, quando podíamos circular livremente pelas bancas e escolher cuidadosamente uma obra sem sermos empurrados. Dava tempo para ler um pequeno livro se o dono permitisse. Atualmente, visitar a feira no fim de semana é inadequado para quem não tem paciência, como eu. Na primeira folhada, somos convidados a devolver a obra ao seu lugar. O ideal é ir durante a semana para poder olhar tudo - e comprar o livro bom e barato. Afinal, a nossa feira do livro é uma das principais festas populares da cidade e devemos valorizá-la.

Boa notícia: juiz que rejeitou Lei Maria da Penha pode responder a processo

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai decidir se abre processo administrativo contra o juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas (MG), que considerou inconstitucional a Lei Maria da Penha.
O magistrado classificou a lei como "conjunto de regras diabólicas" e negou proteção a mulheres que foram vítimas de violência doméstica, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo.
Por unanimidade, o CNJ decidiu nesta terça-feira, 23, encaminhar ao corregedor nacional de Justiça, Cesar Asfor Rocha, cópia de um despacho do magistrado. O CNJ recebeu um ofício da secretária especial de Políticas para Mulheres, ministra Nilcéia Freire. E seguiu decisão da relatora do caso, a juíza Andréa Pachá.
A partir das conclusões do corregedor, o conselho vai decidir se abre a investigação administrativa. A punição máxima que ele pode sofrer é a aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais. Não há prazo para a decisão.
O CNJ é responsável pelo controle externo do Poder Judiciário. As decisões do conselho só podem ser revistas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Lei Maria da Penha
A lei nº 11.340, sancionada em agosto de 2006, aumentou o rigor nas penas para agressões contra a mulher, além de fornecer instrumentos para ajudar a coibir a violência doméstica.
O nome é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia, que sofreu duas tentativas de de assassinato em 1983 e ficou paraplégica. O marido, Marco Antonio Herredia, só foi preso após 19 anos de julgamento.

Fonte: Revista Fórum