segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Lá: breve história de uma candidatura

Dilma vem de uma imensa legião de brasileiros muito bem retratados no livro clássico de Éder Sader, “Quando novos personagens entraram em cena”. Ela representa um novo momento em que um sujeito coletivo ganha o rosto de uma personagem. Foi assim com Lula, rosto do sujeito coletivo das greves do ABC e das mobilizações contra a ditadura; rosto que adquiriu outras feições quando deputado constituinte em 1986; depois quando candidato em 1989, sua primeira campanha presidencial; e quando finalmente foi eleito e reeleito (2002 e 2006). Representa ainda uma longa trajetória de lutas sociais e a ainda breve trajetória de grandes mudanças proporcionadas pelo atual governo. O artigo é de Antonio Lassance.
Dilma é uma nova personagem que entra em cena na história brasileira. Consagrada por quase 56 milhões de votos, 12 milhões a mais que seu adversário, é uma figura distinta, em todos os sentidos; uma novidade e, ao mesmo tempo, uma velha conhecida. Boa parte do que se tem veiculado sobre a presidente eleita na mídia tradicional desconhece quem é a Dilma, sua capacidade e seu estilo de trabalho. O que até não seria tão grave, se não viesse acompanhado por um profundo desconhecimento sobre o que são o presidencialismo e a Presidência no Brasil. Há um misto de desinformação, má informação e deformação contra alguém que, em plena democracia, continua sendo acusada, como ocorria na ditadura, pelo que fez e pelo que não fez, pelo que é e pelo que não é.

Dilma vem de uma imensa legião de brasileiros muito bem retratados no livro clássico de Éder Sader, “Quando novos personagens entraram em cena” (de 1988). Ela representa um novo momento em que um sujeito coletivo ganha o rosto de uma personagem. Foi assim com Lula, rosto do sujeito coletivo das greves do ABC e das mobilizações contra a ditadura; rosto que adquiriu outras feições quando deputado constituinte em 1986; depois quando candidato em 1989, sua primeira campanha presidencial; e quando finalmente foi eleito e reeleito (2002 e 2006).

Dilma é de uma das três matrizes identificadas por Sader como representativas do pensamento de esquerda no país. Nem da matriz sindicalista, nem das comunidades eclesiais de base da igreja Católica, mas egressa da matriz da esquerda clandestina, que enfrentou as armas e a tortura dos porões da ditadura.

A mais nova personagem desse sujeito coletivo representa uma longa trajetória de lutas sociais e a ainda breve trajetória de grandes mudanças proporcionadas pelo atual governo. Independentemente de sua matriz original, Dilma foi transformada por duas experiências cruciais: a do governo Lula e a da campanha eleitoral. Ambas certamente alteraram profundamente as feições da futura presidenta, o suficiente para que pudesse enfrentar, sobreviver e sair-se vitoriosa de ataques do tipo que já abateu figuras supostamente muito mais experientes do que ela - e que poderiam ter sido as escolhas preferenciais do PT para 2010.

Dilma é uma novidade em termos de seu perfil. O PT sempre acalentou o sonho de consumo de realizar a fórmula propugnada há muito por Carlos Matus. Especialista em planejamento estratégico e com grande ênfase em gestão presidencial, Matus foi assessor de Salvador Allende (Chile, 1965-1970). Visitou o Brasil várias vezes, teve livros publicados pelo IPEA (graças ao empenho de pesquisadores como Ronaldo Garcia) e circulava muito entre o movimento sindical. Matus enfatizava a importância de se combinar desenvoltura política com habilidade técnico-gerencial. Sua criatura abstrata era o dirigente tecnopolítico. Lula, que conheceu Matus pessoalmente, soube usar desse modelo em seu governo, ao combinar sua maestria política - reconhecida até por seus oponentes - com escolhas de alto padrão técnico, como foi o caso de Dilma.

A opção do presidente Lula por Dilma criou a chance de se ter uma presidenta que fosse um quadro tecnopolítico por excelência. A tarefa que se colocava então era a de turbinar tal escolha com um treinamento intensivo, para cumprir um requisito bastante diverso: o da excelência decisória.

Advindo da própria intuição do presidente, os argumentos em torno da excelência decisória foram reforçados, desde 2003, com a visita, ao Brasil e ao Palácio do Planalto, de um especialista em presidências, Richard Neustadt. O autor de “Poder presidencial e os presidentes modernos” estava visivelmente empolgado com o governo Lula, que mal tinha começado e enfrentava sérias dificuldades em seu primeiro ano. Neustadt, do alto de seus 84 anos e com a experiência de quem acompanhou de perto os governos Roosevelt, Truman e Kennedy, acreditava profeticamente que Lula poderia ter para o Brasil a importância que Franklin Roosevelt teve para os Estados Unidos. Contudo, sua audiência palaciana, grata com tal simpatia, mas cética de suas reais possibilidades (que ainda não podiam ser de fato vislumbras), apreciou particularmente uma das teses clássicas de Neustadt: a de que um presidente não precisa ser especialista em nenhuma área, especificamente. Mais do que qualquer outra coisa, ele precisa ser um especialista em presidência da República. Um exímio operador do poder presidencial.

Neste aspecto, Dilma passou por um treinamento intensivo, ou laboratório, se preferirem, que não poderia ocorrer em lugar melhor a não ser na Casa Civil da Presidência da República, ou seja, na estrutura responsável por demandar, digerir e encaminhar os atos presidenciais para deliberação. Por trás das assinaturas de um presidente se escondem processos de decisão política com meandros que Dilma conhece em detalhes.

A experiência na Casa Civil dá a exata dimensão entre o que um presidente quer e o que ele pode; a medida sobre até onde vai o seu poder, que não é imperial, e o que depende de se contar com maioria disciplinada no Congresso - uma das regras do presidencialismo de coalizão. Enquanto isso, uma das comentaristas que transformaram o comentário político no Brasil numa espécie de colunismo social dos Três Poderes avalia que um dos problemas da presidenta eleita é o de que ela tem uma base congressual maior que a do presidente Lula (!)

Aprende-se na Casa Civil que a capacidade e a velocidade de implementação de políticas públicas dependem da natureza de nosso federalismo e do padrão de nossa burocracia. Dilma conhece cada milímetro da Esplanada e esquadrinhou, com o PAC, cada milímetro do País. Na Casa Civil, se é treinado o tempo todo para saber que nenhuma decisão é correta se for tomada da forma errada e em hora certa incerta.

Um presidente deve saber exatamente em que ponto da estrada deve pisar no freio e quando pode afundar o pé no acelerador. No final de 2003, foram apresentados a Lula resultados de uma pesquisa de opinião que atestava: as pessoas entendiam o momento de arrumar a casa e estavam pacientes com relação às mudanças prometidas. A conclusão oferecida pelos analistas da pesquisa era: o povo não está com pressa. O presidente, que pisou no freio por todo o ano de 2003, retrucou, simples e direto : “o povo não tá com pressa, mas eu tô”. Dilma qualificou-se dentro da Casa Civil para ser uma especialista em presidência ao tornar-se também uma especialista em “timing”.

Dilma, "pela primeira vez na história do País", permitirá que o Brasil tenha uma sequência democrática de governos que cumprem o ciclo de construtores de regimes e gerenciadores de regime, uma noção comum na literatura sobre presidências.

Há presidentes que são construtores de regimes e outros que são seus gestores. Uns constróem uma maneira particular de fazer política e uma orientação diversa da ação do Estado, representando uma coalizão majoritária que desaloja uma antiga coalizão, em decadência. Por sua vez, os gestores de regimes têm como tarefa manter sua coalizão unida, avançar na realização das políticas públicas que cimentam a coesão de suas bases e oferecer respostas a seus eleitores, na forma de ações governamentais. São os gestores de regime que desvelam o legado do presidente anterior e desdobram suas realizações.

No Brasil, se pode dizer que esse ciclo foi cumprido apenas em três épocas: no início da República, entre Campos Sales (verdadeiro construtor do regime da República Velha) e Rodrigues Alves; na Era Vargas, quando Getúlio foi, primeiro (1930-1945) construtor de um novo regime e, depois, ele próprio, continuador de sua construção pregressa, começando em 1950, tragicamente interrompida em 1954. Finalmente, no período dos governos da ditadura militar (1964-1984). Na República Velha, o Brasil tinha um regime pouco representativo (oligárquico e não democrático). A construção do regime varguista ocorreu sobretudo a partir de uma ditadura, a do Estado Novo. O mesmo vale para os 20 anos da ditadura de 64.

Dilma é a primeira experiência democrática brasileira de gestão de um novo regime político e de suas políticas públicas. Todas as demais fracassaram sem deixar sucessores: Juscelino, Jango, Sarney, FHC.

Gerenciar um regime, em parte, é continuar o que tem sido feito, mas apenas em parte. Em grande medida, um presidente de continuidade é um desbravador e um desdobrador. Não é alguém que fará a pintura de uma casa já construída. É quem pega o leme no meio da viagem e precisa conduzir a embarcação adiante, até completar-se o ciclo.

O regime estruturado pelo presidente Lula suplantou a montagem minimalista do tucanato. FHC apostou todos os esforços na estabilidade macroeconômica e supôs que, daí, os resultados para o crescimento econômico e para a melhoria das condições sociais viriam naturalmente. Não vieram, e isso explica seu declínio.

A coalizão encabeçada por Lula e seu novo regime basearam-se na combinação de estabilidade econômica com esforços decididos e simultâneos de aceleração do crescimento e redução drástica das desigualdades. Duas coisas que, na mentalidade do regime anterior, estavam fora da governabilidade do Executivo federal e deveriam ser subproduto da estabilidade.

A campanha possibilitou a todos, em especial à presidenta eleita, a percepção clara da importância da mobilização e do contato popular. Principalmente a campanha de segundo turno. Ficou claro que, deixada à sua própria sorte, Dilma e Lula seriam derrotados pelas forças do atraso.
Os relatos de quem a acompanhou na campanha são repletos de histórias sobre como o semblante e a disposição da candidata eram energizados pelo contato popular. Algo que vai na mesma linha do que o presidente Lula não se cansa de repetir: as viagens pelo país garantem o contato com o povo, e isso revigora um presidente.

A estrutura de qualquer presidência da República é tradicionalmente montada para afastar a “autoridade” daqueles que o elegeram. A presidência diariamente se esforça para assoberbar o presidente com papéis, para manter suas portas fechadas, para isolá-lo do barulho das ruas.

Diante disso, se o presidente se acomoda, se ele não se insurgir contra uma rotina ritualizada, se ele não fugir do Palácio, ele se tornará um presidente cada vez menos popular. É preciso romper os limites do palácio de cristal (outra imagem muito conhecida criada por Matus), a redoma que tem a boa intenção de proteger o presidente de tudo, mas que acaba por afastá-lo, inclusive, daquilo que há de melhor.

As viagens pelas quais o presidente foi tantas vezes criticado, mesmo quando percorria seu próprio país e visitava as localidades mais pobres, permitiram que ele visse claramente as mudanças em curso e os problemas que engavetavam suas decisões. Mas, principalmente, as viagens recarregavam suas baterias com uma energia que não é gerada em despachos, em reuniões ministeriais e em negociações com o Congresso - ao contrário, essas a exaurem.

Pelo pouco que se viu das primeira horas após o resultado das eleições, pode-se antever também outra novidade: ao contrário de presidentes anteriores, Dilma não contará com aquela fase de “lua de mel”, os primeiros 100 dias em que oposição e imprensa dão um desconto para o presidente que entra, antes de abrir fogo com todas as suas baterias. Mesmo informado do discurso de paz e da mão estendida, a oposição fez declaração de guerra. O candidato derrotado - aquele que sacralizou a baixaria - deu ao conservadorismo mais abominável o qualificativo de “delimitação de campo”. E avisou: “isso não é o fim. Isso é apenas o começo”. A frase queimada no calor da derrota exala uma fumaça com forte cheiro de terceiro turno.

Neste sentido, mesmo com toda a agressividade, a oposição se coloca em desvantagem. Ao contrário de Dilma, que aprendeu muito em pouco tempo, a oposição demonstra que nada aprendeu em 8 anos de sucessivas derrotas. Consegue considerar-se campeã moral de uma guerra na qual se desmoralizou. Seu diagnóstico é o de que quem errou foi o povo. “Não foi dessa vez”, que se traduz em “o povo um dia aprende”. Suas lideranças se fecharam em copas e se arvoram bastiões dos velhos tempos; tempos que não voltam mais, principalmente porque cada vez menos gente sente saudades deles.

Ao longo da campanha, uma das formas mais utilizadas de se manifestar apoio a Dilma foi estampar sua foto de militante clandestina presa pela ditadura. As pessoas mostravam sua adesão a um rosto que simbolizava uma identidade coletiva. Enquanto essa coletividade estiver unida em torno de Dilma, a oposição estará condenada a repetir: “não foi dessa vez”.No que depender de seu preparo, a presidenta eleita teve, ao longo da vida, as melhores dentre todas as escolas.

(*) Cientista político, pesquisador do IPEA, foi assessor da Presidência da República de 2003 a 2010.

Dilma no mundo

 Olhem só a cobertura da imprensa mundial sobre a vitória de Dilma.
 
Jornais  argentinos "Clarín" e "La Nación": "Dilma se converte na presidenta" e "Rousseff se impõe",

Espanhol "El País": "Primeira mulher alcança a Presidência", 

Francês "Le Monde": "Rousseff é dada como vencedora".

E o jornal  americano "Wall Street Journal": "Dilma Rousseff vence eleição no Brasil".
Na cobertura on-line, o jornal ja vinha dando destaque para  vitória da Dilma  desde a madrugada. Foi até manchete no "WSJ": "Rousseff lidera voto"

Na home do "NYT", "Prestes a liderar Brasil".

E assim também, antes e depois, pelos canais CNN e BBC e pelas agências, da AP à Bloomberg.

Coroação 

A "Economist", que embarcou na vitória de Dilma no primeiro turno e depois deu editorial contra ela, noticiou sob o título "Nenhuma surpresa desta vez". À tarde, já havia postado a provável vitória, sob o título "Dia da coroação".
O papa perdeu "Guardian" e outros produziram longas reportagens sobre a "revolução evangélica" que mudou a campanha no Brasil. 

Depois, os blogs de José Roberto de Toledo e Blue Bus sublinharam que até o papa "cabo eleitoral" perdeu.

O "Financial Times" nem esperou acabar  a eleição para arriscar que  Palocci "parece certo" para Casa Civil ou Fazenda, assim como Luciano Coutinho.

"New York Times" deu manchete:  "Sucessora escolhida pelo líder do Brasil é eleita". 

No "China Daily": "Brasil elege primeira mulher presidente".

Enquanto isso, aqui no Brasil....

"Dilma não bate recorde de votos de Lula", diz manchete da Folha de São Paulo.

Mas antes....

Às 20h07, na Globo, William Bonner anunciou em plantão: "Pela primeira vez na história , o Poder Executivo será comandado por uma mulher".

No início da noite, Bonner perguntou sobre Minas a Alexandre Garcia, que criticou: Aécio prometeu eleger Serra, mas não está". Após pausa, Bonner contrapôs: "Dilma é mineira, não se pode botar tudo nas costas do senador Aécio".

Àquela altura, Xico Graziano, um dos coordenadores de Serra, já havia tuitado, com eco por todo lado,:"Perdemos feio em Minas. Por que será?". E, em seu discurso, Serra evitou citar Aécio Neves.
 

Vitória de Dilma gera onda de preconceito e xenofofia. Isso é crime

A vitória da Dilma Roussef na eleição presidencial gerou uma onda de ódio na Internet. Comentários com contéudos preconceituos e xenófobos contra nordestinos invadiram ontem o twitter, gerando reação de grande número de pessoas. O fato é que comentários como os que foram feitos é crime, previsto no Código Penal. A Justiça poderia agir, pois os autores têm cara e endereço eletrônico.
Uma reação merece ser reproduzida aqui. É da moradora de Fortaleza (CE) Cynara Peixoto, publicada no site Mundo Tecno. Ele reproduziu a postagem de alguns preconceituosos, mas vou evitar de fazê-lo. Quem quiser conferir: acesse o seguinte link:
http://www.mundotecno.info/destaque/o-dia-em-que-o-preconceito-tomou-conta-do-twitter?utm_source=feedburner

Este é o artigo, muito bom, da Cynara:
  
O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter

"Sim, a mulher pode."

A frase acima foi dita ontem à noite - 31 de outubro -  pela primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff, durante entrevista em Brasília. É simbólica porque nossa República só teve homens presidentes. Ao conseguir 56,05% do votos válidos na eleição contra José Serra, a economista mineira/gaúcha quebrou um novo paradigma. O primeiro tinha sido quebrado com a eleição de Lula em 2002. Pela primeira vez, um operário sem curso superior chegava ao quadro mais alto do País. Foi bonita a festa em Brasília e aqui em Porto Alegre. 
Posto as fotos abaixo para mostrar o quando este momento é importante para mim e para milhões de brasileiros.

Comemoração merecida de Lula e Dilma no Palácio do Planalto. Ela continuará a obra dele. Fotos de Ricardo Stuckert/divulgação


Em Porto Alegre, a festa foi na Avenida João Pessoa, junto ao Diretório Municipal do PT. Milhares de pessoas comemoraram a vitória de Dilma, entre os quais este blogueiro, e o ex-governador Olívio Dutra, que não parou de autografar em bandeiras petistas. Como se vê, encontrei muitos amigos e amigas por lá.
Muita alegria!

domingo, 31 de outubro de 2010

Imagem tocante que prescinde de legenda

O momento do voto

Momento histórico: em Porto Alegre, Dilma Roussef vota em uma eleição que poderá torná-la a primeira mulher presidente do Brasil. 
No mesmo local, recebeu o voto do governador eleito do RS, Tarso Genro. 
Que parceria!

Dilma já votou em Porto Alegre


Dilma Rousseff concede entrevista coletiva em Porto Alegre, onde já votou. Diz que, se eleita, governará para toda a população. Depois, a candidata petista votou na Escola Estadual Santos Dumont, na zona sul de Porto Alegre, ao lado do governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Na foto, atrás de Dilma, estão dois ex-governadores do Rio Grande do Sul: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). Ela trabalhou com ambos.

Foto: Tarlis Schneider/Terra

Tempo bom para votar em Dilma

Em Porto Alegre, o sol brilha forte, o céu é de brigadeiro e temos disposição para eleger Dilma a primeira mulher presidente do Brasil.
À luta, companheiros!

É a nossa presidente!

Eles já admitem a vitória de Dilma

Um dos jornalões mais reacionários admite em sua capa do dia da eleição, 31 de outubro de 2010. Não dá para enconder o que o povo decide...

Meu bairro faz história na véspera da eleição

 Olha a caminhada da vitória no meu bairro, Cidade Baixa. Aconteceu na tarde de Porto Alegre neste sábado. Centenas de militantes e simpatizantes de Dilma, além de lideranças políticas, como o governador eleito Tarso Genro, participaram do ato que movimentou as ruas do bairro. Mostramos força...

sábado, 30 de outubro de 2010

Agora até o Papa dá palpite na eleição brasileira

Do blog Balaio do Kotscho (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/)

Só faltava ele! Pois ao abrir a capa (alguns preferem chamar de home page) do portal Estadão.com, a 72 horas das eleições presidenciais, tomo um susto ao ler a manchete: “Papa condena aborto e pede a bispos que orientem politicamente fíéis”.
Diz a nota que “em reunião em Roma na manhã desta quinta-feira, 28, o papa Bento XVI conclamou um grupo de bispos brasileiros a orientar politicamente fiéis católicos. Sem citar especificamente as eleições de domingo, o Papa reforçou a posição da Igreja a respeito do aborto e recomendou a defesa de símbolos religiosos em ambientes públicos”.
Além de condenar o aborto, como se alguém pudesse ser a favor do aborto, embora muitos defendam a sua descriminalização, o papa também cobrou o ensino religioso nas escolas públicas e defendeu a luta pela manutenção dos símbolos religosos, citando o monumento do Cristo Redentor no Rio, como se eles estivessem ameaçados.
O Brasil é um Estado laico e mantem relações diplomáticas com o Estado do Vaticano. Com que direito Sua Santidade vem meter o bedelho em questões internas de um país às vésperas das eleições presidenciais? Já não basta o papel impróprio e deprimente  exercido por alguns dos seus bispos que, com esta falsa questão do aborto, transformaram seus altares em palanques contra uma candidatura e a favor de outra, distribuindo panfletos políticos em lugar de homilias?
Depois de ser explorado até a exaustão pelos bispos teefepeanos, telepastores dos dízimos e, principalmente, pela mídia, o assunto já tinha até saído de pauta, tão rapidamente quanto entrou, porque as últimas pesquisas mostraram que ele não estava mais rendendo nenhum resultado nas intenções de voto dos eleitores.
Em artigo publicado terça-feira no Observatório da Imprensa, o analista de mídia Cristiano Aguiar Lopes prova com números de uma pesquisa que “houve um esforço coordenado e eficiente dos principais jornais e revistas do país para insuflar a polêmica sobre o tema com vistas a um fim eleitoral mais que óbvio: roubar votos de Dilma entre eleitores conservadores contrários à descriminalização do aborto”.
Os números são impressionantes: a três dias do primeiro turno, no dia 30 de setembro, as principais publicações do país pesquisadas registraram 149 menções sobre o aborto, chegando a 430 no dia 8 de outubro, na primeira semana do segundo turno que foi dominada pelo tema.
“A primeira escalada ocorre pouco antes do primeiro turno e tem como objetivo conquistar os votos de indecisos e de dilmistas não muito convictos. A segunda, bem mais intensa, busca transferir para Serra os votos de um grande contingente de eleitores conservadores _ sobretudo católicos e evangélicos _ contrários à descriminalização do aborto”, conclui Cristiabno Aguiar Lopes.
A pesquisa prova também que não houve “onda verde” nenhuma que tenha provocado o segundo turno. Foi, na verdade, uma “onda religiosa” nas igrejas e nos subterrâneos da internet que beneficiaram a candidata evangélica Marina Silva e levaram a eleição ao segundo turno, usando a ameaça do aborto como instrumento eleitoral.
O Papa foi inconveniente, chegou atrasado na história e entrou de gaiato numa falsa polêmica que até a mídia já tinha esquecido. Deveria se preocupar mais com os casos de pedofilia envolvendo religiosos que grassaram nos últimos anos em sua igreja, com a fuga de fiéis e o esvaziamento dos seus templos. Não precisamos dos seus conselhos para saber como deveremos votar no domingo.

Pesquisas apontam Dilma Rousseff presidente do Brasil

Escolham a pesquisa de sua preferência. 
Conforme dados divulgados neste sábado, (30), véspera da eleição, os principais institutos apontam os seguintes percentuais para os votos válidos:

Ibope: Dilma (56%), Serra (44%)
Datafolha: Dilma (55%), Serra (45%)
Vox Populi: Dilma (57%), Serra (43%)
Sensus: Dilma (57,2%), Serra (42,8%)

Alguma dúvida? DILMA 13

Dois grandes presidentes, dois apoiadores das mulheres

Amanhã, estaremos diante de um novo feito histórico. O Brasil certamente elegerá Dilma Rousseff a sua primeira mulher presidente. Ela foi escolhida por Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro operário a ocupar o maior cargo do país. Outro presidente do povo, Getúlio Vargas, garantiu essa possibilidade, ao promulgar em 1932 o novo Código Eleitoral, garantindo o direito de voto às mulheres brasileiras. Ou seja, no intervalo de 78 anos, as mulheres foram conquistando espaços em todas as atividades da sociedade brasileira, inclusive na política. É a mesma que poderá consagrar a candidata mineira/gaúcha amanhã. Para minhas amigas mulheres, este feito é motivo de orgulho.

Indecisos no debate da Globo correm para tirar foto com Dilma

O fim do debate de ontem na Globo foi melancólico para Serra. 
Os indecisos, escalados para fazer perguntas para os dois candidatos, correram para tirar fotos com Dilma. 
O tucano ficou, amuado, num canto, à espera da coletiva.
 

Leiam mais no Blog do Mello:
http://blogdomello.blogspot.com/2010/10/depois-do-debate-da-globo-indecisos.html


E observem a foto abaixo:

Apoteose para Lula no Recife


Em desfile em carro aberto realizado nesta sexta-feira (29), no centro de Recife, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi recepcionado em sua terra natal para o último evento da campanha pró-Dilma antes do segundo turno das eleições. Segundo estimativa da Polícia Militar de Pernambuco, mais de 100 mil pessoas acompanharam a passagem do petista pela cidade. Durante o trajeto os militantes gritaram: "Lula guerreiro do povo brasileiro".

Foto de Aldo Carneiro/ Futura Press


Leia mais no Terra:
http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4763249-EI15311,00-Lula+arrasta+mil+pessoas+e+e+aclamado+nas+ruas+do+Recife.html

Leonardo Boff : Dilma - a importância de uma mulher na Presidência

Há duas formas principais de estarmos presentes no mundo: pelo trabalho e pelo cuidado. Como somos seres sem nenhum órgão especializado, à diferença dos animais, temos que trabalhar para sobreviver. Vale dizer, precisamos tirar da natureza tudo o que precisamos. Nessa diligência usamos a razão prática, a criatividade e a tecnologia. Aqui, precisamos ser objetivos e efetivos; caso contrário, sucumbimos às necessidades. Na história humana, pelo menos no Ocidente, instaurou-se a ditadura do trabalho. Este, mais do que obra, foi transformado num meio de produção, vendido na forma de salário, implicando concorrência e devastação atroz da natureza e perversa injustiça social. Representantes principais, mas não exclusivos, do modo de ser do trabalho são os homens.  

A segunda forma é o cuidado. Ele tem como centralidade a vida e as relações interpessoais e sociais. Todos somos filhos e filhas do cuidado, porque se nossas mães não tivessem tido infinito cuidado quando nascemos, algumas horas depois teríamos morrido e não estaríamos aqui para escrever sobre estas coisas. O cuidado tem a ver mais com sujeitos que interagem entre si do que com objetos a serem gestionados. O cuidado é um gesto amoroso para com a realidade.

O cuidado não se opõe ao trabalho. Dá-lhe uma característica própria que é ser feito de tal forma que respeita as coisas e permite que se refaçam. Cuidar significa estar junto das coisas protegendo-as e não sobre elas, dominando-as. Elas nunca são meros meios. Representam valores e símbolos que nos evocam sentimentos de beleza, complexidade e força. Obviamente, ocorrem resistências e perplexidades. Mas elas são superadas pela paciência perseverante. A mulher, no lugar da agressividade, tende a colocar a convivência amorosa. Em vez da dominação, a companhia afetuosa. A cooperação substitui a concorrência. Portadoras privilegiadas, mas não exclusivas, do cuidado são as mulheres.

Desde a mais remota antiguidade, assistimos a um drama de consequências funestas: a ruptura entre o trabalho e o cuidado. Desde o neolítico se impôs o trabalho como busca frenética de eficácia e de riqueza. Esse modo de ser submete a mulher, mata o cuidado, liquida a ternura e tensiona as relações humanas. É o império do androcentrismo, do predomínio do homem sobre a natureza e a mulher. Chegamos, agora, a um impasse fundamental: ou impomos limites à voracidade produtivista e resgatamos o cuidado ou a Terra não aguentará mais.

Sentimos a urgência de feminilizar as relações; quer dizer, reintroduzir em todos os âmbitos o cuidado especialmente com referência às pessoas mais massacradas (dois terços da humanidade), à natureza devastada e ao mundo da política. A porta de entrada ao universo do cuidado é a razão cordial e sensível que nos permite sentir as feridas da natureza e das pessoas, deixar-se envolver e se mobilizar para a humanização das relações entre todos, sem descurar da colaboração fundamental da razão intrumental-analítica que nos permite sermos eficazes.

É aqui que vejo a importância de podermos ter providencialmente à frente do governo do Brasil uma mulher como Dilma Rousseff. Ela poderá unir as duas dimensões do trabalho que busca racionalidade e eficácia (a dimensão masculina) e do cuidado que acolhe o mais pobre e sofrido e projeta políticas de inclusão e de recuperação da dignidade (dimensão feminina). Ela possui o caráter de uma grande e eficiente gestora (seu lado de trabalho/masculino) e ao mesmo tempo a capacidade de levar avante com enternecimento e compaixão o projeto de Lula de cuidar dos pobres e dos oprimidos (seu lado de cuidado/feminino). Ela pode realizar o ideal de Gandhi: "política é um gesto amoroso para com o povo".

Neste momento dramático da história do Brasil e do mundo é importante que uma mulher exerça o poder como cuidado e serviço. Ela, Dilma, imbuída desta consciência, poderá impor limites ao trabalho devastador e poderá fazer com que o desenvolvimento ansiado se faça com a natureza e não contra ela, com sentido de justiça social, de solidariedade a partir de baixo e de uma fraternidade aberta que inclui todos os povos e a inteira a comunidade de vida.


Leonardo Boff é Teólogo, filósofo e escritor

Fonte: Adital

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ministra Cármem Lúcia nega seguimento da ação da Folha de S. Paulo

Pedido de abertura dos arquivos do processo contra Dilma Rousseff durante a ditadura é barrado no STF
 Celso Marcondes
A ministra Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, não aceitou a Ação Cautelar da Folha de S. Paulo que pedia a abertura dos arquivos do processo de Dilma Rousseff durante a ditadura militar. É o que se pode deduzir de seu despacho publicado no site do STF, sob
o número AC2727. No item “andamento” está escrito como despacho da
ministra: “negado seguimento” e no item “observação” ela escreveu:
“prejudicada a liminar”.No site não estão escritas as justificativas da ministra para esta decisão.
CartaCapital tentou falar com sua assessoria, mas até aqui não conseguiu. É possível interpretar que em sua avaliação o processo deva continuar
em andamento aonde estava, ou seja, no Superior Tribunal Militar (STM).

Leia mais no link:
http://www.cartacapital.com.br/politica/ministra-carmem-lucia-nega-liminar-da-folha-de-s-paulo

Tomada da João Pessoa, em Porto Alegre, por Dilma

É hora de permanecer na rua, mostrar a nossa força e conquistar os indecisos.

PORTO ALEGRE - Tomada da João Pessoa pró-Dilma - hoje,  sexta-feira, a partir das 17h
-  do Viaduto Loureiro da Silva (Salgado Filho) até a José Bonifácio. Os dois lados.


Vai ser lindo...

Ontem, lembranças. Hoje, força

Apague da mente as lembranças tristes a fim de libertar o dia de hoje da escravidão do ontem.  
São as idéias ligadas ao hoje as reais construtoras do amanhã. 
O ontem teve o seu momento, mas a vida chama para prosseguir, avançar, renovar,  começar de novo, vencer as imperfeições,
dar o máximo de si mesmo.
Livre-se do passado negro e use as suas capacidades, os recursos da inteligência, a força das oportunidades deste dia para realizar-se como pessoa, corrigir erros e compreender a vida, como ela é.
Não fique a lamuriar.
A força do hoje quebra as algemas do ontem.