terça-feira, 28 de outubro de 2008

Nova pesquisa confirma amplo apoio à exigência do diploma de Jornalismo


Pesquisa divulgada pelo site Comunique-se nesta terça-feira (28/10) confirmou a aprovação da esmagadora maioria de seus usuários à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Os dados assemelham-se aos da pesquisa FENAJ/Sensus, realizada em setembro. Lançamentos do livro “Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade” e a constituição de Comissões Estaduais da Campanha em Defesa do Diploma são as prioridades do movimento neste momento.

A pesquisa do site Comunique-se foi enviada por e-mail a seus usuários no dia 23 de outubro. Destes, 2.232 responderam às perguntas sobre a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo, a criação de um órgão como a OAB para regular a atividade profissional e sobre a criação do Grupo de Estudos do Ministério do Trabalho e Emprego para atualizar a regulamentação da profissão. Na pesquisa havia espaço para que, caso quisessem, os participantes justificassem suas opções.

Quanto à exigência do diploma, 73,9% dos participantes foram favoráveis. E 68,4% defenderam a criação de um órgão que fiscalize o exercício regular da profissão. E 70% aprovaram a criação do Grupo de Estudos do MTE.

Valci Zuculoto, diretora de Educação da FENAJ e membro da Coordenação Nacional da Campanha em Defesa do Diploma mostrou satisfação com o resultado da pesquisa do Comunique-se. “A maioria dos usuários do site são jornalistas, estudantes ou da área de comunicação e os resultados mostram uma sintonia dos participantes com os anseios da sociedade”, disse, elogiando a iniciativa do Comunique-se

Ela lembra que a pesquisa FENAJ/Sensus, que apresentou números semelhantes à do Comunique-se, foi feita em todo o país e consultando toda a sociedade. Nela, dos dois mil entrevistados, 74,3% mostraram-se favoráveis ao diploma e 74,8% favoráveis a criação de um órgão que fiscalize o exercício da profissão. Segundo Valci, todas as consultas que têm ocorrido mostram amplo apoio social à exigência do diploma. E para reforçar seu argumento, lembra, também, da enquete promovida pelo Correio de Uberlândia, no seu site, onde 79% dos internautas foram favoráveis à exigência do diploma.

Mobilização prossegue
Realizado em Brasília, no dia 18 de outubro, o II Encontro de Professores de Jornalismo do Distrito Federal, Goiás e Tocantins contou com mais de 100 participantes e 60 trabalhos inscritos. O evento aconteceu na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília e teve como tema "A formação do jornalista multimídia". Nele, a campanha em defesa do diploma foi um dos destaques nos debates.

Na semana passada, a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Paraná e vice-presidente da FENAJ para a Região Sul, Aniela Almeida, realizou uma série de atividades no Norte do estado. Em Maringá juntamente com Rogério Fischer, diretor do Sindicato dos Jornalistas de Londrina, percorreu as redações divulgando o Prêmio Sangue Bom do Jornalismo Paranaense, a campanha de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e a campanha em defesa do diploma. Em Londrina, Aniela participou da I Semana de Jornalismo da UEL, onde houve debate sobre o diploma e lançamento do livro “Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade”.

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul já iniciou o cadastramento de profissionais e estudantes que estejam dispostos a ir a Brasília acompanhar a votação, no Supremo Tribunal Federal, do recurso extraordinário que regulamenta a profissão de jornalista. A entidade pretende disponibilizar um ônibus para deslocamento dos interessados. Também vem debatendo com as escolas de Jornalismo, a possibilidade de paralisação na ocasião da votação.

O próximo lançamento do segundo livro em defesa do diploma – editado pela FENAJ em parceria com a Cátedra FENAJ-UFSC de Jornalismo para a Cidadania - está agendado para a Universidade Católica de Pernambuco, em Recife, no dia 30 de outubro. No dia 31, o lançamento será em Ponta Grossa (PR) e em Belém do Pará o evento será no dia 5 de novembro, às 19n, na Federação da Agricultura do Estado. Em Fortaleza, haverá venda do livro e afixação do banner da campanha no II Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste, que será realizado nos dias 10 e 11 de novembro. Também no dia 11, o livro será lançado no Encontro de Comunicação da Universidade Potiguar (UNP), em Maceió (RN).

As direções dos Sindicatos dos Jornalistas também discutem a constituição de Comissões Estaduais ou Locais para ampliarem a Campanha em Defesa do Diploma em suas bases. O Sindicato do Ceará já indicou seu diretor Claylson Martins para coordenar as atividades e em Pernambuco o indicado foi Ricardo Melo. Um dos encaminhamentos das Comissões Estaduais ou locais é a preparação de um novo Dia Nacional de Mobilização, que ocorrerá na data do julgamento do recurso sobre o diploma no STF.

Base de apoio no Lula no Brasil

BM e os movimentos sociais

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Base de apoio a Lula vai governar 72% do eleitorado brasileiro

A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai governar 93,5 milhões de eleitores nos municípios em todo o país. A fatia representa 72,5% do eleitorado brasileiro. A oposição ficou com 35,4 milhões de pessoas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 128,9 milhões estavam aptos a votar no pleito deste ano.
A base de apoio a Lula no Congresso Nacional reúne uma legião de 16 partidos. Os grandes vencedores são: PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PRB, PR, PP, PTB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB.
A oposição, formada por PSDB, DEM, PPS e PSOL, sai enfraquecida destas eleições.

Sindicato repudia agressão a jornalista

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul lamenta e repudia as agressões sofridas pelo jornalista Graciliano Rocha, do jornal Folha de S.Paulo, no comitê do candidato José Fogaça, ao final da apuração das eleições municipais, no domingo à noite. Segundo o profissional de 31 anos, ele foi intimado por um estranho dentro do comitê, assim que o candidato reeleito se preparava para conceder uma entrevista coletiva. “Olha, tu não és bem quisto aqui. Só escreve matéria f.d.p.”, teria dito o homem. Ao final da coletiva e depois que Fogaça se dirigiu à rua para falar para a militância, Rocha foi abordado pelo mesmo homem na porta de saída. “Levei um soco no supercílio esquerdo e, a seguir, vários outros pelo corpo. Surgiu outro homem, que também começou a me soquear”, relata.
Diante das agressões, o jornalista caiu no chão e começou a levar pontapés das duas pessoas, que só pararam depois da chegada de outros jornalistas e de integrantes da cúpula do partido. “Fiz o Boletim de Ocorrência (BO) e exame de corpo de delito. Pessoalmente, apesar de estar com o corpo todo dolorido, este é um capítulo encerrado. Mas o jurídico do jornal é que decidirá o que fazer daqui para frente”, diz Rocha, lembrando que recebeu solidariedade e pedido de desculpas do jornalista Marcelo Villa Bôas, assessor de imprensa de Fogaça ainda no domingo.
O profissional está em Porto Alegre desde maio e fez basicamente matérias de cunho político. A que mais chamou a atenção foi a que denunciou o suposto enriquecimento ilícito do deputado estadual Luiz Fernando Záchia, coordenador da campanha de Fogaça. A reportagem provocou a saída do parlamentar do posto. A última foi publicada no último domingo e tratava da distribuição de bônus moradia pelo governo municipal.
O Sindicato entende que este tipo de ocorrência fere a todos os profissionais em exercício no Rio Grande do Sul pois tem o objetivo de cercear a liberdade de informar. Para a entidade, a discordância deve ser resolvida por meio do diálogo e não por agressão física como a que sofreu o jornalista Graciliano Rocha. A direção do Sindicato cobra ainda apuração imediata do caso, a identificação e a punição dos envolvidos nas agressões.

Mais informações no site do sindicato:
http://www.jornalistas-rs.org.br/

Democracia e dessacerto

O povo de Porto Alegre escolheu democraticamente o seu prefeito. Faz parte do regime ganhar e perder. Mas também tenho o direito de dizer que a população errou na escolha porque conviveu com um Governo que nada fez e até seis meses antes da eleição tinha alta rejeição entre a população. Não cumpriu nada do que prometera, fez um governo sem ação, quase parando. Mas tapa-buracos e enganações na véspera das eleições mudaram tudo. Quem votou no reeleito vai continuar a aplaudi-lo? Eu e boa parcela da população que não o elegemos vamos fiscalizá-lo, com certeza. O meu partido tinha proposta claras e objetivas para Porto Alegre voltar a ser o que era nas áreas da educação, da saúde, do transporte, da infraestrutura, da cultura de de outras áreas. Não fomos bem sucedidos. Até daqui há quatro anos, quando estaremos mais fortes.

Vencedor e perdedor

Um vencedor é sempre parte da resposta
Um perdedor é sempre parte do problema
Um vencedor tem sempre uma proposta
Um perdedor tem sempre uma desculpa
Um vencedor sempre diz: "Posso ajudar?"
Um perdedor sempre diz: "Não é minha obrigação"
Um vencedor enxerga uma resposta para cada problema
Um perdedor enxerga um problema para cada resposta
Um vencedor sempre diz: "Pode ser difícil, mas é possível"
Um perdedor sempre diz: "Pode ser possível, mas é difícil"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Viva o diploma

Muniz Sodré *

Em fevereiro de 2007, a Newspaper Association of America anunciou, durante sua convenção anual em Las Vegas, o lançamento de uma campanha nacional para incutir no público leitor a idéia de que o jornal do futuro será uma “multiplataforma de informação”, o que implica na prática a junção empresarial e cultural do papel com a Web. Daí, slogans do tipo “a Internet é a melhor coisa que poderia acontecer aos jornais”.

Mas será essa também a melhor coisa que poderia acontecer aos jornalistas?

Esta questão tem alguma pertinência para o atual debate sobre a exigência de diploma universitário.

Em princípio, é preciso debater a hipótese de que essa nova face da informação pública possa pôr em crise a própria identidade do jornalismo clássico como mediação discursiva e como funcionalidade específica de um grupo profissional. Disto um claro sintoma é a questão levantada por um arauto da chamada cibercultura: “Seria ainda necessário, para se manter atualizado, recorrer a esses especialistas da redução ao menor denominador comum que são os jornalistas clássicos?”

A resposta, de certo modo, começa a ser dada pelos grandes conglomerados do jornalismo impresso, por meio da progressiva conversão empresarial do papel à eletrônica. Nada impede que o jornalismo troque de suporte preferencial, uma vez que os conteúdos informativos, na medida da independência de sua forma técnica, podem passar de um suporte para outro, sem alterar substancialmente a sua natureza. A despeito do potencial midiático da Internet, a digitalização em si mesma não é um medium, e sim um processo técnico (informático).

Veja-se o livro: mesmo digitalizado continua a ser “livro”, isto é, a organizar seqüencialmente os conteúdos de acordo com a milenar forma códice (codex), embora ainda sejam grandes as dificuldades de leitura de textos extensos na tela do computador. Daí, as hibridizações formais, já praticadas por alguns jornais, entre a escrita tradicional e a escrita para a tela do computador, oferecendo ao público a opção de leitura jornal entre resumos e textos maiores.

Ainda o livro: também não se pode passar por cima da evidência de que, em nossa modernidade, a forma códice (escrita unidirecional, páginas organizadas em cadernos e costuradas), depois chamada livro, impôs-se aos usos e aos espíritos como locus do conhecimento centrado, da leitura que constitui pastoralmente a cidadania, da produção do sentido e do real medidos pela escala do humanismo.

O mesmo se dá com o jornal. Pode trocar de suporte técnico, pode mesmo existir na complementação dos suportes (papel e eletrônica), mas continua impelido, como forma moderna e democrática da comunicação, pela ideologia humanista que garante a cidadania. Eventuais descaminhos não podem elidir a evidência de que a imprensa brasileira, por exemplo, jamais deixou, em seus 200 anos de existência de estar presente, como parte essencial, nas causas que ajudaram a dar à Nação a sua face atual – a abolição da escravatura (de cuja campanha participou a maioria dos jornais provinciais) e a criação da república. O jornalismo, no Brasil e no resto do mundo, reflete as questões públicas decisivas para os rumos da Nação.

Como conceber hoje o funcionamento dessa instituição “quase-pública”, geradora da informação necessária ao cidadão para o pleno funcionamento da democracia, sem uma formação universitária, especializada, de jornalistas? Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão. Se a garantia dessa formação adequada se espelha hoje no diploma, viva o diploma.

* Presidente da Fundação Biblioteca Nacional e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutor em Comunicação pela Sorbonne.

O neoliberalismo dançou

Márcia Denser*

Sei que estou devendo até a alma¹ para os meus leitores, mas não posso deixar de prestar este grande serviço a todos vocês, representado por esta pesquisa das grandes e sábias vozes a interpretar o que realmente está acontecendo por aí, o que fatalmente sinaliza o começo do fim do neoliberalismo, a política cruel que durante trinta anos castiga o planeta. Lá vai, pessoal:

O desmoronamento de Wall Street é comparável, no âmbito financeiro, ao que representou, no geopolítico, a queda do muro de Berlim. Uma mudança de mundo e um giro copernicano. Quem o afirma é o Nobel de Economia, Paul Samuelson: "Esta débâcle é para o capitalismo o que a queda da URSS foi para o comunismo". Termina o período aberto em 1981 com a fórmula de Ronald Reagan: "O Estado não é a solução, é o problema." Durante trinta anos, os fundamentalistas do mercado repetiram que este tinha razão, que a globalização era sinônimo de felicidade, e que o capitalismo financeiro edificava o paraíso terreno para todos. Equivocaram-se.
A "idade de ouro" de Wall Street acabou. E também acabou um período de exuberância e esbanjamento representada por uma aristocracia de banqueiros de investimento, "amos do universo" denunciados por Tom Wolfe em "A Fogueira das Vaidades" (1987). Possuídos pela lógica da rentabilidade de curto prazo. Pela busca dos lucros exorbitantes.
Dispostos a tudo para obter mais lucros: vendas abusivas no curto prazo, manipulações, invenção de instrumentos opacos, titulação de ativos, contratos de cobertura de riscos, fundos Hedge. A febre do proveito fácil contagiou a todo o planeta. Os mercados se sobreaqueceram, alimentados pelo excesso de financeirização que facilitou a alta dos preços.
A globalização conduziu a economia mundial a tomar a forma de uma economia de papel, virtual, imaterial. A esfera financeira chegou a representar mais de 250 trilhões de euros, ou seja, seis vezes o montante de riqueza real mundial. E, de chofre, essa gigantesca "bolha" explodiu. O desastre é de proporções apocalípticas. Mais de 200 bilhões de euros derreteram. A banca de investimento foi varrida do mapa. As cinco maiores entidades desmoronaram: Lehman Brothers na bancarrota; Bear Stears foi comprado com a ajuda do Federal Reserve, por Morgan Chase; Merril Lynch foi adquirido pelo Bank of America; e dois dos últimos, Goldman Sachs e Morgan Stanley (em parte comprado pelo japonês Mitsubishi UFJ), reconvertidos em bancos comerciais.
Toda a cadeia de funcionamento do aparato financeiro colapsou. Não só a banca de investimento, mas os bancos centrais, os sistemas de regulação, os bancos comerciais, as caixas econômicas, as companhias de seguros, as agências de qualificação de risco (Standard&Poors, Moody's, Fitch) e até as auditorias contábeis (Deloitte, Ernst&Young, PwC).
O naufrágio não pode surpreender a ninguém. O escândalo das "hipotecas lixo" era conhecido de todos. Assim como o excesso de liquidez orientado para a especulação, e a explosão delirante dos preços do custo de vida. Tudo isso foi denunciado há tempo. Sem que ninguém se mexesse. Porque o crime beneficiava a muitos. E se seguiu afirmando que a empresa privada e o mercado solucionavam tudo.
A administração do presidente George W. Bush teve de renegar esse princípio e recorrer, maciçamente, à intervenção do Estado. As principais entidades de crédito imobiliário, Fannie Mae y Freddy Mac, foram nacionalizadas. Também o foi o American International Group (AIG), a maior companhia de seguros do mundo. E o secretário do tesouro, Henry Paulson (ex-presidente do banco Goldman Sachs) propôs um plano de resgate de ações "tóxicas" procedentes das "hipotecas lixo" (subprime) por um valor de uns 500 bilhões de euros, que o Estado também adiantará, quer dizer, os contribuintes. Prova do fracasso do sistema, essas intervenções do Estado – as maiores, em volume, da história econômica – demonstram que os mercados não são capazes de se regularem por si mesmos. Se autodestruíram por sua própria voracidade. Ademais, confirma-se uma lei do cinismo neoliberal: privatizaram os lucros mas se socializaram as perdas. Os pobres têm de arcar com as excentricidades irracionais dos banqueiros, e se lhes ameaça, em caso de não quererem pagar, com o seu maior empobrecimento.
As autoridades norte-americanas dedicam-se ao resgate dos "banksters" ("banqueiro gângster"), às expensas dos cidadãos. Há alguns meses o presidente Bush se negou a assinar uma lei que oferecia uma cobertura médica a nove milhões de crianças pobres por um custo de 4 bilhões de euros. Considerou um gasto inútil. Agora, para salvar aos rufiões de Wall Street, nada lhe parece suficiente. Socialismo para os ricos e capitalismo selvagem para os pobres.
Este desastre ocorre num momento de vazio teórico das esquerdas, que não têm um "plano B" para tirar proveito do descalabro. Em particular as da Europa, asfixiadas pelo choque da crise, quando seria tempo de refundação e de audácia.
Quanto durará a crise? "Vinte anos se tivermos sorte, ou menos de dez se as autoridades agirem com mão firme", vaticina o editorialista neoliberal Martin Wolf (1). Se houvesse alguma lógica política, este contexto deveria favorecer a eleição do democrata Barack Obama (em não sendo assassinado) para a presidência dos Estados Unidos no 4 de novembro próximo. É provável que, como D. Roosevelt, em 1930, o jovem presidente lance um novo "New Deal", baseado no neokeynesianismo que confirmará o retorno do Estado à esfera econômica. E que trará, por fim, mais justiça social aos cidadãos. Vai se caminhar para um novo Bretton Woods. A etapa mais selvagem e irracional da globalização terá terminado.

Ignácio Ramonet, jornalista, ex-editor do Le Monde Diplomatique

Entupiu o sistema circulatório do capitalismo. É preciso agir rápido, antes que ocorra a trombose.

É preciso deixar de lado a esperança liberal de que os bancos vão agir em benefício da sociedade e do desenvolvimento. O governo tem que injetar crédito direto na veia do setor produtivo e demais instituições. A palavra que falta dizer é: estatização do crédito.

Lembro que os fatos caminham à frente das idéias também neste caso. Como decorrência da desregulação geral das finanças, desde os anos 70, os bancos sofreram uma mutação em todo mundo. Eles renunciaram à condição original de emprestadores finais, aqueles que geram o crédito e carregam o risco até a liquidação dos contratos: tornaram-se meros corretores das finanças. O banco continua a originar o empréstimo, mas securitiza a operação, revendendo-a no mercado de forma a dividir os riscos.

O problema é que esse mecanismo de defesa degenerou-se.
Assumiu a forma de imensas pirâmides de ativos securitizados, em diferentes versões de derivativos que turbinaram os circuitos especulativos das finanças desreguladas. Sua essência desestabilizadora – são pirâmides invertidas cujo ponto de apoio em valor real se esfumou - só foi reconhecida pelos neoliberais urbi et orbi quando a casa caiu nos EUA, na explosão da bolha imobiliária.

Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, professor-titular do Instituto de Economia da Unicamp e presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.

As medidas nacionalizantes de ações e bancos anunciadas pelo primeiro ministro Gordon Brown, do mesmo Labour Party de Blair, tiveram um poder eletrizante em relação aos demais governantes dos países diretamente envolvidos com as causas da crise, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. As medidas, elogiadas de imediato pelo novo ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, conhecido crítico das políticas econômicas e externas de Bush, foram profundas e cortantes, equivalendo, em alguns aspectos, a aplicação de uma lei marcial nas instituições

Larry Eliot, editor de economia do The Guardian, comentou em vídeo gravado na página do jornal, que chegara "a hora da esquerda". É claro que "esquerda" neste contexto londrino, quer dizer algo diferente do que em Caracas ou mesmo no Rio de Janeiro. Quer dizer a defesa de uma melhor e mais profunda regulamentação dos mercados, coisa com que todos, no momento (na página da CBN vi comentário até do Arnaldo Jabor neste sentido!!) parecem concordar. Parecem? Vejamos.

A reação da The Economist é muito sintomática neste sentido. A revista é uma publicação seriíssima, aberta ao debate político e econômico de uma multiplicidade de correntes, mas com uma posição editorial declarada e assumida em defesa do livre mercado (por isso mesmo, por sua posição ser aberta e declarada, é dos jornais mais confiáveis, daqueles que ainda procuram distinguir fato de opinião).

Em artigo de 9/10 ("Saving the System"), depois de assinalar que, só em setembro, 159 mil trabalhadores norte-americanos perderam o emprego, e que o custo da empreitada já está chegando nos Estados Unidos a 1 trilhão de dólares, duas vezes o custo da guerra no Iraque, diz o jornal: "A direção da globalização vai mudar". Esse processo está sendo revertido de três modos:

1) As finanças do Ocidente voltarão a ser regulamentadas.


2) O equilíbrio entre o Estado e o Mercado está mudando em outras áreas, além da de finanças. Exemplo: o do preço dos alimentos, onde vários governos estão tomando medidas estritas de controle de preços, de limitação de exportações e outras, em escala mundial.

3) Os Estados Unidos estão perdendo a sua posição de vanguarda econômica e a sua autoridade intelectual, em favor de nações que mantém uma posição forte quanto à capacidade de crédito, como a China. Aqui The Economist cita a frase do premiê chinês sobre serem os países do Ocidente os "mestres" e os outros os "discípulos" em matéria de economia: "parece que os mestres estão em dificuldade".
Flávio Aguiar, editor da Carta Maior

A liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um "parlamento virtual" de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e "votam" contra eles, se os consideram "irracionais", quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado. Os investidores e credores podem "votar" com a fuga de capitais, com ataques às divisas e com outros instrumentos que a liberalização financeira lhes serve de bandeja. Essa é uma das razões pelas quais o sistema de Bretton Woods, estabelecido pelos EUA e pela Grã-Bretanha depois da II Guerra Mundial, instituiu controle de capitais e regulou o mercado de divisas.

Pode ser que a paixão pela campanha não seja uma coisa universalmente compartilhada, mas quase todo mundo pode perceber a ansiedade desencadeada pela execução hipotecária de um milhão de residências, assim como a preocupação com os riscos que correm os postos de trabalho, as poupanças e os serviços de saúde. As propostas iniciais de Bush para lidar com a crise fediam a tal ponto a totalitarismo que não tardaram a ser modificadas. Sob intensa pressão dos lobbies, foram reformuladas "para o claro benefício das maiores instituições do sistema... uma forma de desfazer-se dos ativos sem necessidade de fracassar ou quase", segundo descreveu James Rickards, que negociou o resgate federal por parte do fundo de cobertura de derivativos financeiros Long Term Capital Management em 1998, lembrando-nos de que estamos caminhando em terreno conhecido. Como era previsível, as medidas tomadas a esse respeito incrementaram a frequência e a profundidade dos grandes reveses econômicos, e agora estamos diante da ameaça de que se desencadeie a pior crise desde a Grande Depressão. Os EUA têm efetivamente um sistema de um só partido, o partido dos negócios, com duas facções, republicanos e democratas. Há diferenças entre eles. Larry Bartels mostra que durante as últimas seis décadas "a renda real das famílias de classe média cresceu duas vezes mais rápido sob administração democrata que republicana.

Os eleitores deveriam tê-las em conta, mas sem ter ilusões sobre os partidos políticos, e reconhecendo o padrão regular que, nos últimos séculos, vem revelando que a legislação progressista e de bem-estar social sempre foram conquistas das lutas populares, nunca presentes dos de cima.
Noam Chomsky, professor emérito de lingüística no MIT – Massachussets Institute of Technology

O tempo foi passando, passando, a situação do mundo complicando-se cada vez mais, e a esquerda, impávida, continuava a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes haviam sido distribuídos. Eu que, entretanto, tinha feito outra descoberta, a de que Marx nunca havia tido tanta razão como hoje, imaginei, quando há um ano rebentou a burla cancerosa das hipotecas nos Estados Unidos, que a esquerda, onde quer que estivesse, se ainda era viva, iria abrir enfim a boca para dizer o que pensava do caso.
Já tenho a explicação: a esquerda não pensa, não age, não arrisca um passo. Passou-se o que se passou depois, até hoje, e a esquerda, cobardemente, continua a não pensar, a não agir, a não arriscar um passo. Por isso não se estranhe a insolente pergunta do título: "Onde está a esquerda?" Não dou alvíssaras, já paguei demasiado caras as minhas ilusões.

José Saramago, escritor.

Bom, a notinha mais fraca é, para variar, por conta do Saramago, que se queixa tolamente da "esquerda", tal qual alguém "sem nenhum poder" a culpar "alguma instância superior", porquanto, mais acima, Chomsky esclarece: "a legislação progressista e de bem-estar social sempre foi conquista das lutas populares, nunca presente dos de cima".

Não só das lutas populares, meu amigo, mas do próprio capitalismo selvagem que nos fez o favor de se suicidar. De forma que aqui, agora, esta noite, a liberdade!


domingo, 19 de outubro de 2008

Sobre pesquisas eleitorais...

Quem lê o que escrevo, sabe o que penso das pesquisas eleitorais. Elas servem para induzir e promover o voto útil. Alguns dizem que muitas vezes elas erram. Eu afirmo que algumas delas apontam um resultado de acordo com o que quer quem solicitou e vão ajustando com a proximidade da eleição. Algumas nem isso Fazem. No caso de Porto Alegre, a candidada petista, Maria do Rosário, não estaria no segundo turno das eleições se dependesse de alguns levantamentos. Por isso, o eleitor não deve se orientar por pesquisas. Eleição é ganha pelo voto nas urnas. Me cobrem depois, mas garanto que a diferença entre Fogaça e Maria do Rosário é muito menor do que mostram as sondagens deste final de semana.
O Datafolha, que não fez a pesquisa para interessados locais, está mais próxima da realidade. O atual prefeito tem 50% das preferências, enquanto a deputada federal está com 37%. No primeiro turno também foi assim. Ou seja, Maria nunca esteve atrás de Manuela, como apostaram o Ibope - a pedido da RBS - e o Methodus, cujo trabalho é publicado pelo Correio do Povo.

Um centroavante, por favor


Qualquer time do Brasil tem um centroavante alto, rompedor, que incomoda a defesa. O Internacional não tem este jogador, ou o técnico não quer escalar quem dispõe no plantel. Com isso, fico dependente dos belos gols de Nilmar (oportunista) e Alex (tiro potente). O time toca bem a bola, ronda a área, mas tem poucas conclusões. Não seria o caso de escalar o Guto e deixá-lo, mesmo que perca gols ou não tenha uma boa atuação? Pelo menos vai incomodar os adversários. O jogo deste sábado contra o Atlético Paranaense foi um retrato do que afirmo. Contra um adversário que está na zona do rebaixamento e teve um jogador expulso, sofremos um gol depois de estarmos ganhando por 2 a 0. E sofremos até o final da partida. Um centroavante, portanto. Enquanto isso, os nossos goleadores, Alex e Nilmar (na foto acima, do site do Inter), comemoram seus feitos com justiça.

Provocador, mas pelo seu futebol

Observem o título abaixo, publicado no Terra:

D'Alessando é provocador, diz presidente do Inter

E leiam a matéria:

"Um dos principais nomes do Internacional na vitória sobre o Atlético-PR por 2 a 1 neste sábado, o argentino D'Alessandro irritou os adversários com sua habilidade e acabou "caçado em campo". Mas o presidente do clube gaúcho, Vitório Píffero, não vê problema no futebol praticado pelo meia. Questionado, se D'Alessandro havia provocado os adversários, Píffero foi taxativo. "Diria que provocou sim. O futebol dele, as jogadas dele provocam", apontou o presidente do Inter, que acha que o meia deve continuar a jogar desta maneira "provocativa", principalmente no duelo contra o Boca Juniors, pelas quartas-de-final da Copa Sul-Americana."


Como jornalista, sou observador atento ao que publicam na mídia. O descompasso entre o que diz o título e o texto é notório. O presidente do Inter afirma que D´Alessandro (na foto acima, do site do Inter) provoca pelo futebol e pela sua jogadas. Em momento algum diz que que ele provoca no sentido literal da palavra. Mas a pessoa que fez o título aproveitou para oferecer ao leitor do Terra algo mais "provocativo". O jornalismo tem estes desvios eventualmente. E certamente muitos cronistas e adversários se pautarão pelo título nos próximos dias. Observem!


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Em defesa da orla do Guaíba

Agradecemos os apoios recebidos pelo Movimento em Defesa da Orla do Guaíba contra a privatização de seu uso e descaracterização da paisagem da cidade. Enfatizamos a necessidade de que todos os porto-alegrenses entrem nesta luta de corpo presente, com pessoas, faixas e muita disposição para vencer.

Nesta quarta-feira, dia 15, será votada a emenda que pretende alterar a legislação municipal sobre a Ponta do Melo, a fim de permitir a construção da muralha de concreto que é chamada de Pontal do Estaleiro – seis edifícios - cada um tem volumetria similar ao Hospital de Clínicas!

Essa votação pode ocorrer a qualquer momento, a partir das 14 horas.

Decidimos, portanto, montar uma vigília ao prédio da Câmara, com acampamento, material expositivo e cidadãos de Porto Alegre, para aumentar nossa visibilidade, nossa capacidade de pressão e exercer o direito do cidadão comum ser ouvido

A vigília começa às 8 horas da manhã e se estende todo o dia. Às 14 horas, precisamos de um bom contingente para lotar o plenário da Câmara. Podem trazer a família inteira e os vizinhos, e desfrutar de alguns momentos de descontração e camaradagem no acampamento, antes do horário de votação, acertando e articulando novos passos – porque a luta ambiental e do direito do cidadão ser ouvido vai longe, esta é apenas a primeira grande batalha.

As novas gerações, especialmente as futuras, esperam isso de nós para termos uma cidade melhor, mais justa e com melhor qualidade de vida!


NÃO ESQUEÇAM: QUEM CALA, CONSENTE.

Fórum Municipal de Entidades

Porto Alegre - RS


Ainda não temos página na internet. Por enquanto acesse os Blogs:

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Especulação, essência do capitalismo

Zillah Branco*

A linguagem que hoje desperta a confiança popular é a de Lula quando diz que “esta crise é do Bush” e se deve ao fato “das grandes instituições financeiras viverem da especulação e da agiotagem”, ou a de Evo Morales que explica porque “expulsou o embaixador norte americano que promoveu os disturbio na Bolívia”.

A midia no Brasil tenta ridicularizar os conceitos populares do nosso Presidente citando as frases confusas em economês que Meireles usa para justificar a posição do Banco Central autônoma face ao governo brasileiro e omite as palavras de Evo. A técnica é antiga, de falar difícil e desprestigiar quem não é (e não quer ser) da elite reinante e, simplesmente, ignorar e apagar da comunicação social o que não aprecia. Assim entendem a “liberdade de expressão”. Mas os tempos são outros, graças a Deus, talvez.Há muitos anos bons economistas têm demonstrado que as finanças têm-se tornado o cerne das políticas economicas globalizadas. Mesmo um leigo pode verificar que enquanto cresce o desemprego e aumenta o custo de vida em todo o mundo, mesmo no Brasil onde o governo Lula se esforça por tirar a população da miséria, os bancos e empresas imobiliárias e de seguro multiplicam anualmente os seus lucros milionários. Só a midia tenta tapar o sol com a peneira para que não se compreenda porquê a renda está cada vez mais mal distribuida.
Agora, ficou claro para toda a gente. Até os deputados mais reacionários dos Estados Unidos foram contra a proposta inicial de Bush para salvar os seus parceiros das finanças com o dinheiro público! E no dia 8 de Outubro, até a Globo referiu a “herança maldita de Bush”. Quando a dor chega ao bolso, desperta a lucidez dos mais renitentes defensores do sistema capitalista.
Fica claro também que há uma linguagem utilizada pela elite mundial destinada a parecer democrática mesmo quando efetivamente é reacionária, isto é, defensora dos privilégios da elite às custas do sacrifício popular.
Vivemos uma época em que os velhos preconceitos – de raça, de classe, de religião, de ideologia – estão em extinção graças ao surgimento de uma linguagem transparente que desnuda os conceitos antes escondidos nas suas diferentes estruturas acadêmicas. Por isso a linguagem popular, mesmo com erros gramaticais ou outros formais, traduz melhor a realidade da vida em sociedade. Lula pergunta: “Cadê o FMI agora para explicar a crise? (...) Antes dava palpite para denunciar erros nas politicas nacionais, recomendando isto e aquilo ..”
Quem leu anteriormente o livro “Chutando a escada”, do economista Ha-Joon Chang, já pode perceber que os conselhos do FMI aos paises em desenvolvimento eram para cairem da escada que levava os mais ricos ao poder mundial. E a escada, sustentada pelo sistema financeiro, afinal despencou levando os Estados Unidos e todos os que se atrelam ao poder capitalista, para uma crise tremenda. “Cadê o FMI com os seus conselhos errados”? Está agora como um velho sismógrafo apenas indicando o gráu do desastre para cada país: os Estados Unidos terão um crescimento de 0,1%, o Brasil de 3 ou 3,5% no próximo ano.
Porquê o Brasil recebe as “marolas” do “tsunami” que arrebentou com a economia da super-potência? (como bem disse Lula na sua linguagem clara com figuras que o povo entende). Porquê, apesar do país estar se equilibrando no sistema capitalista global, sacrificado financeiramente pelos esforços do Banco Central autonomo que sobe os juros, como convém ao mercado internacional, e agora empresta dolares (de alto valor em real) aos bancos estrangeiros que investem no Brasil para depois recebe-los com valor menor (como fazem os bons irmãos na hora do aperto geral), a orientação de Lula assegurou ao país que a produção fosse estimulada e os investimentos nos Programs de Aceleração para o Crescimento (PAC) continuassem assim como a distribuição dos socorros das bolsas de alimentação e de escola para as crianças que asseguram as condições mínimas de sobrevivência à população empobrecida pelos anteriores conselhos do FMI que exauriram a economia do Terceiro Mundo. O povo brasileiro permaneceu com os pés na terra, realisticamente enfrentando a vida dura como deve.
Quando a história é contada sem disfarces empolados do economês, fica clara a possibilidade de manter o caminho de desenvolvimento e da dignidade nacional dentro do charco do sistema capitalista para os que “não chutam a escada” como recomendou sempre o FMI. O Brasil manteve o nariz fora da lama e tudo tem feito para dar o exemplo ao Terceiro Mundo através das iniciativas no Mercosul e nos vários encontros internacionais como na última sessão da ONU em Nova York. Assim é o equilíbrio, que pode ser explicado em linguagem popular que é a mais própria.
A Bolívia tem usado uma linguagem clara para mostrar o esforça que desenvolve para equilibrar uma das economias mais empobrecidas do mundo neste sitema sugador capitalista, mas a mídia não divulga nem lá e muito menos cá e para o resto da humanidade. Evo Morales e seus companheiros traduzem para o castelhano em forma popular o que aprenderam em aymara e quetchua há mais de mil anos: como produzir em elevadíssimas altitudes com muito frio à noite e muito calor durante o dia para alimentar os seus nove milhões de habitantes mantendo a independência do país e uma cultura humanizada que conduz a sociedade pelo caminho democrático. Assim será o equilíbrio para que o país onde foram criadas mais de uma centena de variedades de milho e batata que mataram a fome dos demais paises, principalmente da Europa em períodos de crise alimentar, volte a ser auto-sustentável e a poder explorar as suas riquezas minerais que nos últimos 500 enriqueceu os colonizadores, antigos e modernos.
Vivemos um rico período histórico que favorece as mudanças na medida em que os que lutam pela independencia e pela dignidade nacionais se apoiem mutuamente. Os grandes senhores da guerra estão ocupados contando os tostões que lhes escapam das bolsas e tentando demonstrar aos seus próprios eleitores que são democráticos e humanizados. Felizmente não estão em condições de interferir na corrida para o desenvolvimento que os paises mais pobres são capazes de conduzir com palavras claras e conceitos transparentes. É uma belíssima maratona mundial de todo o Terceiro Mundo que a elite tenta dizer que não existe.

*Zillah Branco, formada em Ciências Sociais (USP), experiência de vida e trabalho no Chile,Portugal e Cabo Verde,colaboradora do jornal O Avante (PCP).

Ibope continua errando?

O Ibope, que errou feito nas projeções do primeiro turno em Porto Alegre, divulgou a primeira pesquisa do segundo turno em Porto Alegre. Pelo dados do instituto que mais erra nos pleitos gaúchos, José Fogaça estaria com 51% das preferências e Maria do Rosário com 40%. O atual prefeito ganhou pouco mais de 12 pontos percentuais em relação à votação do primeiro turno, enquanto a deputada federal teria amealhou quase o dobro. Para refrescar a memória do leitores: a uma semana do pleito de 5 de outubro, o Ibope dava uma vantagem de sete pontos percentuais de Manuela sobre Maria. As urnas mostraram o inverso: a petista foi para o segundo turno com uma margem superior a sete pontos percentuais. Detalhe que não pode ser esquecido é que, agora, cada voto ganho por Maria, significa um perdido por Fogaça. Ou seja, seriam seis pontos percentuais de vantagem para o peemebista. Faltando 15 dias para o pleito, tudo pode acontecer. Como diz hoje o colunista de Zero Hora Paulo Sant´Anna, "tisnou o olho da gateada". Acredito na vitória da petista.

Livro marca nova etapa da luta pelo diploma de Jornalismo

As repercussões da pesquisa Fenaj/Sensus e o lançamento do segundo livro em defesa do diploma marcam a nova fase do movimento dos jornalistas e da sociedade por um Jornalismo qualificado. A coordenação da Campanha prepara novas peças para fortalecer a luta pela rejeição do Recurso Extraordinário que questiona o diploma como requisito para o exercício da profissão.
Depois da pesquisa do Instituto Sensus que mostrou que 74,3% da população brasileira é a favor do diploma para o exercício da profissão de jornalista, um novo número revela o crescente interesse da categoria e da sociedade no tema. A matéria, feita pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) sobre a pesquisa, foi um dos 20 releases mais acessados no mês de setembro no site Maxpress Net. O site, que obteve 4.192.042 page views em setembro, publicou 5.015 matérias no período.

Já o jornal Correio de Uberlândia realizou uma enquete no seu site, no período de 23 a 30 de setembro, sobre a questão do diploma para os jornalistas. A maioria dos 335 internautas - 79% - foi a favor da obrigatoriedade do diploma, enquanto 14% são contra e 5% responderam não saber.
A Coordenação Nacional da campanha orienta os integrantes do movimento a realizarem lançamentos do livro 'Formação Superior em Jornalismo -Uma exigência que interessa à sociedade', editado pela Fenaj com contribuições de acadêmicos, juristas e profissionais, como instrumento de mobilização e divulgação da campanha. Com o apoio da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, já foram impressos mais 2 mil exemplares. Pedidos de remessa dos livros devem feitos pelo fone 61-3244-0650 ou fenaj@fenaj.org.br

Abaixo-Assinado em Defesa da Orla do Guaíba

A orla do Guaíba é um espaço que faz parte da identidade paisagística, de lazer e de cultura de Porto Alegre. Sua preservação ainda não está garantida para as futuras gerações.

NÃO ao projeto Pontal do Estaleiro!

O projeto prevê a construção de um complexo arquitetônico (seis prédios) de 60 mil metros quadrados na área do antigo Estaleiro Só. Cada prédio terá volume igual ao nosso Hospital das Clínicas.

1 - Questão ambiental -Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região: formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.

2 - Questão urbanística - problemas de trânsito pela Av. Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul.

3 - Vocação da orla - Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social.
A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade.

4 - Questão ética e legal - O empreendedor quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que morarão ali!

Depois de 20 anos de luta, a orla do Guaíba, o mais nobre, valioso e cobiçado patrimônio público de Porto Alegre, continua ameaçada pelos poderes Executivo e Legislativo municipais, a serviço dos interesses dos setores imobiliário e da construção civil.

Precisamos coletar 5 mil assinaturas para que nosso voto tenha força de lei e esta área seja definitivamente reservada aos Parques Públicos de Porto Alegre e área de preservação ambiental.

Diante dessa realidade, nós abaixo-assinados subscrevemos esta campanha de assinaturas:

Clique aqui:

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pesquisas manipuladoras: Manuela nunca esteve à frente de Rosário

Mais uma vez, as pesquisas eleitorais em Porto Alegre foram usadas para manipular os eleitores. Useiro e viseiro nesta "arte", o Ibope manteve a performance no pleito de domingo, que conduziu Maria do Rosário (PT) e José Fogaça (PMDB) ao segundo turno. Os petistas mais próximos do núcleo da campanha já sabiam que a candidata do PC do B/PPS, Manuela D´Ávila, nunca esteve à frente da concorrente. Maria sempre apareceu em segundo lugar nas pesquisas encomendadas pelo partido, com o objetivo de acompanhar o ritmo da campanha. No entanto, o IBOPE chegou a colocar a candidata comunista/privatista com sete pontos de vantagem em meados de setembro. Com a proximidade da eleição, foram ajustando ao gosto do freguês (os veículos que publicam as pesquisas). Outros levantamentos já apontavam Maria à frente uma semana antes. Mas o IBOPE se manteve firme até a véspera da eleição, quando cravou 20% a 20%. Somente na boca de urna, divulgada após o encerramento da votação, não poderia errar, como já fizera em outras ocasiões.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu muita coisa nesta eleição, mas encontrou a resistência da grande mídia para terminar com pesquisas manipuladoras, que visam a indução do voto. O quarto poder venceu, perderam os leitores. Será que alguém acredita no falatório dos colunistas e repórteres de que a a virada aconteceu em função da militância - que ressurgiu -, do bom desempenho no último debate ou da mudança no estilo do programa? Vamos ficar mais atentos no segundo turno.

Ser pobre e morar na rua agora é ilegal, segundo o comando da Brigada Militar

A Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal, através do seu presidente vereador Guilherme Barbosa (PT), manifesta sua indignação por mais uma ação ilegal da Brigada Militar que efetuou prisões irregulares de moradores de rua, na tarde da última quinta-feira, 2/10, em Porto Alegre. "A truculência dos policiais do 9º BPM, com a detenção, sem estar baseada em qualquer acusação, de pessoas pobres da Capital, sob a orientação de seu comandante Paulo Roberto Mendes e com o respaldo político da governadora do Estado, Yeda Crusius, feriu um dos mais importantes direitos do ser humano: o direito de ir e vir", destacou Guilherme Barbosa.
O vereador está convocando uma reunião para tratar desta ilegalidade, na próxima semana, em data a ser confirmada.
O temor de Barbosa é que esses atos que estão se repetindo de forma sucessiva, sob as ordens do Coronel Mendes - que agora decidiu que ser pobre é ilegal – acabará revertendo na prisão de qualquer pessoa que se enquadre nessa categoria.
Guilherme lembra que essas prisões ferem a Constituição Federal, que este ano completa 20 anos, e o Declaração Universal dos Direitos Humanos, que completa 60 anos no próximo dia 10 de dezembro.
No dia 2/10, a Comissão recebeu diversas denúncias, entre elas do Conselho Municipal da Assistência Social informado que moradores de rua haviam sido presos por PMs e mantidos no quartel, sem qualquer formalização de culpa por mais de quatro horas. Ao se dirigir ao local, a assessoria do Conselho foi impedida de comunicar com as pessoas detidas. As denúncias também foram encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral e à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.
Na semana passada, policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar, também usando da truculência, invadiram residências e estabelecimentos na Vila Maria da Conceição, sob a justificativa de desmantelar a quadrilha que opera o tráfico de drogas na região.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Em seu artigo XV (14º) diz que "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoas, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;"
O artigo LIV (54º), destaca que "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal".
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Artigo 1
"Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade."
Artigo 2
" Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição."
Artigo 6
"Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei."
Artigo 9
"Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado."

Fonte: CUT-RS e www.sintrajufe.org.br

sábado, 27 de setembro de 2008

Participe deste debate sobre o Jornalismo

Colega jornalista, tu não podes faltar nesta audiência. Ela é importante para mim, para ti e para a sociedade. A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/RS) realiza na próxima segunda-feira (29/09), às 9h30min, no auditório da SRTE (Av. Mauá, 1013 - 10° andar), em Porto Alegre, uma audiência sobre Regulamentação da Profissão de Jornalista, com a presença do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Luiz Antonio de Medeiros Neto.
A reunião vai apreciar as conclusões do Grupo de Estudos tripartite nomeado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a partir de indicações feitas pelas entidades de representação dos jornalistas profissionais, das empresas de comunicação e do próprio Ministério.
O objetivo é propor alterações na legislação em vigor, conforme Portaria 342, de 23 de julho de 2008.
Não deixe de participar!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma

A população brasileira está conosco. E o STF?
A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada nesta segunda-feira, 22, em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte - CNT, registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.
Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj - e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do Jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que Jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o Jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".
A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta 'o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País - como as OABs para os advogados e os CREAs para os engenheiros?', o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.

sábado, 20 de setembro de 2008

Tradicionalismo x Carnaval

Os gaúchos são orgulhosos de sua condição. Valorizam tanto o tradicionalismo que decidiram acampar em pleno Parque Harmonia, área verdade às margens do Guaíba e praticamente no coração de Porto Alegre. Embora eu não seja afeito a esta prática, acho bonito a demonstração de apego às tradições. O mote da mobilização de gaúchos da cidade e do campo é a Revolução Farroupilha, que durou dez anos e manteve o Rio Grande do Sul independente do Brasil. Os farrapos perderam a guerra, mas não o orgulho. A história tem diversas vertentes e é polêmica, mas não foi entrar neste mérito.
O que me chama a atenção é a comparação com o Carnaval, festa popular em todo o Brasil, inclusive na terra dos ferroupilhas. Ocorre que, ao lado do mesmo parque em que são montadas centenas de barracas e galpões para para comemorar o 20 de setembro, uma aveniva era palco do Carnaval de Porto Alegre. Com intuito de dar mais conforto para os carnavalescos, a prefeitura projetou a criação do sambódromo no local. Foi o que bastou para que entidades de todas as matizes se erguessem contra o projeto. Justificavam que tal empreendimento resultaria em transtorno e barulho para os moradores da região. Resultado: o sambódromo foi transferido para um bairro bem distante do Centro da capital gaúcha, apesar do protesto dos carnavalescos.
A mesma justificativa não é usada contra o sambódromo não foi utilizada quando o acampamento farroupilha ganhou corpo. E olhem que o baraulho e os transtornos se assemelham. Para mim, esta atitude coletiva tem um nome: discriminação. Me apresso em dizer que também não gosto de carnaval de rua. Aceito o contraditório.

Brasil vive a década da redução da desigualdade social


A redistribuição de renda e o aumento da classe média foram as características principais do período de dez anos fechado em 2007. A constatação é do estudo “Miséria e a Nova Classe Média na Década da Igualdade”, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
No período, a classe média cresceu 15 pontos percentuais. Em 1992, 32,52% da população se enquadrava na classe média e esse contingente chegou a 47,06% em 2007. Nos quatro anos finais do período, o crescimento passou de 37,06% para 47,06%. Só em 2007, 1,5 milhão de pessoas saíram da linha de pobreza.
Para os técnicos da FGV, o resultado se deve ao bom desempenho da economia e da geração de emprego formal a partir de 2004.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 14 de setembro de 2008

Lula deixa a oposição e seus aliados sem discurso

Ricardo Kotscho


Ficou mais difícil a vida dos líderes da oposição e seus fiéis aliados na grande mídia depois da publicação da nova pesquisa "Datafolha" sobre o presidente Lula. "Aprovação a Lula bate recorde histórico - Pela primeira vez, presidente obtém a maioria em todos os segmentos, incluindo os mais ricos e escolarizados", mancheteia a "Folha" desta sexta-feira.

Não por acaso, nenhum dos seus colunistas tocou no assunto. Preferiram falar de Bolívia, Petrobras, tropas nas favelas cariocas. O problema é que o "Datafolha" simplesmente desmontou todos os argumentos utilizados pelos partidos de oposição e a maior parte dos meus colegas colunistas desde a reeleição de Lula em 2006.

O que eles argumentavam? Que Lula só se reelegeu graças aos votos dos pobres, nordestinos e analfabetos beneficiados pela Bolsa Família, chamada de "bolsa esmola", os mesmos que depois seriam responsáveis pelos seus altos índices de aprovação nas faixas de menor renda, nas regiões mais carentes e entre os menos escolarizados.

Era esse o discurso. O que eles irão dizer agora? Com 64% de índice de avaliação ótimo/bom e apenas 8% de ruim/péssimo (incluindo aí certamente muitos amigos jornalistas), um recorde depois da redemocratização do país, fico pensando no que eles irão dizer e escrever amanhã.

Segundo o jornal, "Lula também acaba de obter, pela primeira vez, a aprovação da maioria absoluta da população brasileira em todos os segmentos sociais, econômicos e geográficos do país".

Ainda de acordo com a pesquisa, "pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria do Sudeste, nas regiões metropolitanas, entre os que têm curso superior e entre os que vivem em famílias com renda familiar superior a dez salários mínimos".

Imagino que nem o próprio Lula poderia sonhar com estes números no sexto ano de seu governo, depois de pegar o país numa situação muito difícil em 2003, com a economia em frangalhos e sem credibilidade no exterior, e tendo que enfrentar uma crise política após a outra em seu primeiro mandato.

Para falar a verdade, ninguém, nem eu, poderia prever este cenário em 2008. Faz 30 anos no mês que vem que voltei da Alemanha, onde era correspondente do "Jornal do Brasil", virei correspondente da "Istoé" do Mino Carta no ABC, conheci Lula e me tornei seu amigo.

Trabalhei com ele em três campanhas presidenciais e durante dois anos na Secretaria de Imprensa do governo e nunca o vi tão bem, tranqüilo e satisfeito como no último fim de semana quando passei três dias com Lula no Palácio da Alvorada.

Não falamos de política, mas da vida, lembrando de momentos difíceis que passamos juntos nestas três décadas em que o Brasil saiu da ditadura para o mais longo período de liberdades, com crescimento econômico e distribuição de renda, o que explica sua aprovação popular pesquisa após pesquisa.

De dieta, sem poder provar o bom chope que serviu aos amigos, cercado de filhos, noras e netos, todos sob o comando da implacável Marisa, até comentei com ele como agora tudo parece normal, natural, a gente ali em volta da piscina do belíssimo palácio de Niemeyer restaurado recentemente pelo casal, mas teve hora, muitas horas, em que isso simplesmente poderia parecer delírio de sonhadores malucos.

Lula está colhendo agora os frutos da sua própria determinação, da fé no seu taco com o que plantou no primeiro mandato e do compromisso com suas origens nordestinas e operárias que fizeram dele um líder político diferente de todos os outros em nossa história de mais de 500 anos - e por isso cavou nela, literalmente, o seu lugar.

Agora ele se veste bem, cumpre os rituais do poder e viaja pelo mundo com a sem-cerimônia de quem antes ia passar fim de semana na Praia Grande, mas na essência não mudou sua forma de se relacionar com todos, humildes ou poderosos, sempre questionando, provocando, desconfiado das velhas verdades absolutas.

Valeu, Lula.

Em tempo: estreou na semana passada o blog "Balaio do Kotscho". Tem entrevistas exclusivas com os presidenciáveis Ciro Gomes e Aécio Neves falando sobre 2010 e o Brasil pós-Lula.

Estão todos convidados a fazer uma visita.

Se gostarem, coloquem entre seus preferidos no endereço: colunistas.ig.com.br/ricardokotscho.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O que fez Fogaça? Nada!

A candidata à vice-presidente pelos Republicanos nos EUA é pró-armas

Obviamente, a foto ao lado é uma montagem. Mas todo mundo sabe que a candidata dos Republicanos à vice-presidência do EUA, Sarah Palin, sempre defendeu a posse de armas para toda a população americana, é ultra-conservadora, pró-guerra e nacionalista ao extremo. É o novo xodó da eleição norte-americana, mas isso vai durar pouco. Obama será o presidente que não mudará muita coisa no império. Mas é menos belicista que o Bush filho.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

É jogando futebol que se responde a críticas

É difícil para muita gente entender que o presidente Lula é tão apaixonado pelo futebol quanto a maioria dos brasileiros. Por isso, ele se manifesta sobre o assunto na condição de torcedor. Não como dirigente máximo da Nação. O presidente não disse nenhuma bobagem quando reclamou do futebol da seleção brasileira - que todo mundo sabe andava mal - , especialmente na quesito disposição. Fez a comparação com a Argentina como qualquer outro brasileiro faria. O goleiro Júlio César, por conta própria ou mandado, resolveu falar besteira, dizendo que o presidente deveria renunciar e morar no país vizinho.
Em primeiro lugar, só afirmou isso porque o presidente Lula foi um dos tantos brasileiros que lutou para acabar com a uma ditadura que impedia qualquer pessoa de se manifestar. Se vivesse durante os anos de chumbo, Júlio César teria perdido o lugar na seleção e não se sabe que outro destino tomaria. A democracia pela qual Lula e tantos brasileiros brigaram permite que qualquer cidadão diga que a seleção estava jogando um "futebolzinho". E que um jogador diga besteira, divulgada com destaque pela mídia. Lá atrás não era possível isso.
Pois a seleção brasileira jogou com disposição, garra e futebol vistoso ontem contra o Chile em Santiago. Ao aplicar 3 a 0 nos donos da casa se redimiu do futebol que a tinha colocado em sexto lugar nas Eliminatórias e deu uma resposta convincente a Lula e aos brasileiros. Eu estou feliz, e certamente o presidente também está. É dessa forma que a gente reage diante das críticas. E não de forma grosseira e desproporcional como fez o goleiro Júlio César. Aliás, ele não reclamou do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que também criticou o selecionado brasileiro. Ah, este certamente está acima de Lula na escala de valores do jogador brasileiro e é intocável.

sábado, 6 de setembro de 2008

Inflação oficial cai quase pela metade em agosto, mostra IBGE

Uma boa notícia para todos os brasileiros, e uma martelada nos dedos dos urubus da grande mídia e da oposição irresponsável, que já estavam festejando uma improvável volta de altos índices inflacionários. A inflação no Brasil passou de 0,53% em julho para 0,28% em agosto, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa desde setembro do ano passado e o terceiro mês seguido de redução. Em agosto de 2007, a variação foi de 0,47%. Os dados se referem ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mais importante indicador de preços do país, adotado pelo governo para estabelecer suas metas anuais de inflação (a de 2008 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos).

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

5 de setembro: qual o presente ideal para a Amazônia?

Hoje, 5 de setembro, é comemorado o Dia da Amazônia. Instituída em 2007 pelo presidente Lula, a homenagem, que lembra a data em que foi criada a Província do Amazonas por D. Pedro II, em 1850, é mais uma oportunidade para refletir sobre políticas e ações de desenvolvimento sustentável, que possam garantir e valorizar a preservação da natureza e as necessidades socioeconômicas dos povos que habitam a floresta.

Assim como em outras datas comemorativas no Brasil, nas quais é costume presentear o homenageado (pais, mães, crianças etc.), a Amazônia também merece ser presenteada. Por isso, o site Amazônia.org.br perguntou a diversos ambientalistas que atuam na região: qual é o melhor presente para acabar com os problemas que atingem a Amazônia? Veja abaixo quais as opiniões dos especialistas.

Dê a sua opinião: Clique aqui e escreva qual é o melhor presente para a Amazônia.

Presente dos especialistas:

"No dia da Amazônia, a região mereceria um presente de retribuição: um fundo para zerar o desmatamento da região. Esse fundo financiaria duas ações principais: o combate ao desmatamento ilegal e a compensação daqueles que deixam de desmatar, embora tivessem o direito legal de poder fazê-lo. Dessa forma, a região continuaria a presentear o mundo com benefícios ambientais e produtos florestais das áreas florestadas e produtos agropecuários daquelas já desmatadas. O Brasil e o planeta que recebem esses benefícios deveriam "fazer uma vaquinha" para financiar o fundo pelo desmatamento zero" - Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)


"Eu presentearia a Amazônia com a decretação do Desmatamento Zero até que seja realizado um Zoneamento Ecológico Econômico regional" - Sarney Filho, senador e ex-ministro do meio ambiente

"Eu daria algo muito simples: as reservas extrativistas que já têm um processo de criação concluído e estão emperradas na Casa Civil. Porque o reconhecimento da terra e dos direitos da floresta dessa gente que lá vive, e que é a grande responsável por manter a floresta em pé, esbarra no interesse de usinas e minerações. É muito simples, o decreto está pronto e elaborado, só falta assinar" - Mauricio Torres, pesquisador do departamento de geografia humana da Universidade de São Paulo (USP)

"O presente perfeito para a Amazônia seria um pacto nacional para desmatamento zero, firmado entre setor agropecuário, empresas madeireiras, governos estaduais e federal, bem como movimentos sociais e ambientais do Brasil. Seria um presente para a Amazônia que ela fosse protegida e envolvida num projeto de desenvolvimento econômico sustentável. Como a região tem um papel fundamental para a manutenção do equilíbrio hídrico mundial e a purificação do ar, combatendo a ação do efeito estufa, esse presente não seria somente para a nossa floresta, mas para todo o mundo" - Paulo Adário, coordenador da Campanha de Amazônia do Greenpeace

"O melhor presente seria garantir que daqui pra frente a Amazônia tenha de gerar riqueza em primeiro lugar para os amazônidas, em vez que para o resto do Brasil ou do mundo. Isso se deu até hoje com minério, energia, carne, madeira, grãos, terra para reforma agrária, e pode continuar também no futuro com biodiversidade e carbono, sempre deixando a população local marginalizada." - Roberto Smeraldi, diretor da organização Amigos da Terra - Amazônia Brasileira

"O melhor presente para a floresta e os seus povos seria o reconhecimento, por parte do governo e do setor empresarial, de que a Amazônia não deveria virar uma grande mina, uma mega-turbina -para gerar energia para as fábricas de alumínio- nem um reservatório (com águas estagnadas e peixes mortos), muito menos uma hidrovia industrial. Para isso acontecer, não poderemos contar com a altruísmo das autoridades e investidores - precisaria uma evolução de consciência em todos os brasileiros, o povo mostrando a sua indignação com clareza e firmeza" - Glenn Switkes, diretor do Programa da International Rivers na América Latina

"Daria a capacidade de 'Produzir sem destruir', fazendo com que toda a riqueza que a Amazônia possui e todo o potencial de suas comunidades fossem usadas, sem que fosse preciso destruir a floresta" - Bertha Becker, geógrafa e pesquisadora

"Um presente seria ver um dia um processo participativo e democrático para a inclusão econômica e social dos povos da Floresta e, com este dia, ver a nossa sociedade percebendo o valioso serviço prestado por este exército de bons brasileiros e brasileiras, sejam as populações locais, tradicionais ou os povos indígenas, estes que cuidam, manejam e protegem o nosso maior manancial de riqueza" - Rubens Gomes, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA)

"Eu quero dar de presente para a Amazônia o cumprimento da legislação ambiental brasileira, principalmente a resolução 01/1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e a paralisação das obras de rodovias até que sejam feitos os estudos de alternativas" - Marcos Mariani, presidente da Associação Preserve a Amazônia

"Um presente perfeito para a Amazônia seria um cuidado especial com os jovens da floresta, que são os gestores da Amazônia do futuro. Escolas técnicas de qualidade, formação de gestores, desenvolvimento de lideranças, educação profissional em florestas, advocacia, antropologia, medicina, enfermagem, biologia e tantas outras áreas necessárias para a profissionalização de quem mora na floresta - seria o melhor presente que a região poderia receber" - Mary Helena Allegretti, antropóloga


Fonte: http://www.amazonia.org.br

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Globo contra o diploma

Recebi um e-mail da companheira jornalista Lesia Aguiar, que merece ser dividido com todos aqueles (jornalistas ou não) que defendem a formação acadêmica para termos uma boa informação. Assino embaixo:

"Meus amigos, fiquei pasma ao ver a Rede Globo levar ao ar um capítulo da novela A Favorita, onde um grande empresário contrata uma ex-presidiária, ex-cantora sertaneja, sem formação nenhuma (Patrícia Pillar, linda como sempre), para ser chefe da área de Comunicação Social da empresa! Justamente agora, quandoa categoria dos jornalistas está em campanha para que seja mantida a obrigatoriedade do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista.
É o recado que a Rede Globo manda para a população brasileira: "Nós não gostamos de jornalista diplomado!" Continua, portanto, a loira platinada a mandar suas mensagens subliminares ao povão em um país onde a concessão de TV é feita por compadrio e ninguém tem força nem coragem de enfrentar o poder da família Marinho."

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fernandão escreve seu amor ao Inter no seu site

MUITO OBRIGADO !

Foram quatro anos maravilhosos. Inesquecíveis. Desde o meu primeiro jogo no Inter, tive uma certeza: a passagem por Porto Alegre me marcaria muito. E, temporada após temporada, foi isso o que vi e vivi. Do GOL 1000 em Grenais ao título do Mundial de Clubes da FIFA, experimentei o sentido mais amplo do que todos costumam falar muito no futebol: espírito de grupo. Jogadores, dirigentes e torcedores absorveram um sentimento único: juntos, seríamos praticamente imbatíveis.

E assim foi. O Beira-Rio virou um caldeirão para os adversários. Nós tínhamos confiança suficiente para fazer o resultado que fosse preciso. Isso vai ficar para sempre na minha memória.

Estou me encaminhando para viver uma fase diferente. Longe do país que amo e da torcida que aprendi a ter ao meu lado. Mas a minha relação com os colorados vai continuar a mesma. Mesmo não defendendo mais o Inter, seguirei acompanhando, vibrando com as conquistas.

E a identificação vai estar sempre comigo. Na minha primeira ida ao Catar, ainda no aeroporto, antes de embarcar para São Paulo, me perguntaram se eu tinha a intenção de voltar ao clube como jogador ou como dirigente. Respondi que, se não voltasse como jogador ou como dirigente, seria como torcedor, porque me considero um colorado.

Obrigado por tudo.

Beijos e abraços do Fernandão

Direito à verdade

As violações dos Direitos Humanos na América Latina têm relação direta com as ditaduras militares articuladas pela Operação Condor. Para debater o tema “Direito à Memória e à Verdade” estarão reunidos dois ministros – Paulo de Tarso Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e Eduardo Duhalde, que ocupa a mesma pasta no governo argentino – além do procurador da República Domingos Sávio Silveira, o embaixador paraguaio Mário Sandoval e os jornalistas Roger Rodriguez (La República, Uruguai) e Nilson Mariano (Zero Hora, Brasil). O painel acontece hoje, 2 de setembro, às 19h30min, no auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul e tem entrada franca.
Integrado à programação da Reunião das Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chacelaria do Mercosul, o evento é promovido pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do RS (Ufrgs), Fundação Luterana de Diaconia e Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice). Painéis como este estão acontecendo em diversas capitais brasileiras. Eles complementam o projeto “Direito à Memória e à Verdade”, inaugurado pela publicação do livro homônimo, em agosto de 2007, e que relata as conclusões dos processos envolvendo mortos e desaparecidos durante a ditadura brasileira. O projeto também envolve exposições fotográficas sobre o tema e memoriais instalados em locais públicos de grande circulação. O objetivo é resgatar esta passagem histórica, fundamental para a formação do pensamento crítico do cidadão.

O que – Debate “Direito à Memória e à Verdade”
Quando – hoje, 2 de setembro, às 19h30min
Onde – Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do RS