quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Jornalismo, caminhões e tragédias

Por questões profissionais, já atravessei o Rio Grande do Sul de ponta a ponta. E sempre digo que a perícia dos motoristas que me acompanhavam nas pautas jornalísticas nos livrou de sérios acidentes. Dezenas de vezes nos deparamos, frente-a-frente, com caminhões em alta velocidade e só escapamos de uma batida porque havia um encostamento para o providencial desvio. "Temos que dar passagem para os grandões" é a frase repetida, à exaustão, pelos colegas do volante. Por isso, entendo a tragédia que matou pelo menos 27 pessoas na BR-282, no Oeste catarinense. Tendo um prazo para entregar determinada mercadoria, eles tomam o "rebite", objetivando dirigir à noite e não pegar no sono, ficando "acesos" e "presos" ao volante. Pois estas anfetaminas - misturadas com álcool - podem dar efeito contrário.
Nos acidentes simultâneos em Santa Catarina, os envolvidos diretos foram caminhões e seus motoristas. Lamento a morte de todos e, especialmente, dos colegas jornalistas Evandro Troian, da RBS TV, e Elisandra Lucotti, do jornal Folha do Oeste, além do radialista Valdik Rupolo. Morreram trabalhando num momento em que poderiam estar desfrutando da folga (aliás, saíram de casa para cobrir o primeiro acidente). Sempre digo que o Jornalismo é uma vocação e está nas veias de quem o escolhe. Não tem hora para o cumprimento da pauta. Por isso, na hora da negociação, os donos das empresas não deveriam sonegar a discussão sobre o pagamento de horas extras. O propalado banco de horas é uma farsa porque não cobre todo o período a mais trabalhado pelos profissionais.

Um comentário:

Luiz Carlos disse...

Jorge, teu comentário está interessante. Mas não te parece que, mais uma vez, a mídia se apressa em culpar o motorista do segundo acidente? Afinal, não houve quqalquer prova ou julgamento. Portanto, é preciso muito cuidado...
Abraço e bom feriado