quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Eles pregam o extermínio de menores

A menina de cor branca, cabelos escorridos, trajando um surrado vestido de cor creme e aparentando nove anos de idade se aproxima de uma mesa de bar em uma concorrida rua da boemia de Porto Alegre. Oferece panos de pratos na primeira vez e não tem a oportunidade de tentar novamente. É literalmente corrida por um bando de marmanjos que se empanturram de cerveja, vinho e uísque. Ouve todo o tipo de palavrões e ainda tem a sorte de não ver proferida a sentença de um adepto do extermínio:
- Tem que matar ela e esse banco de vagabundos que infernizam a nossa zona - bradou, recebendo o apoio dos amigos beberrões.
Eu estava na mesma mesa, que freqüentei por longo tempo, e bati em retirada para nunca mais voltar. Não discuti as questões sociais que levam menores a trabalharem à noite e tampouco a atitude daquela "tropa de elite" cujo lema é matar para curar um "câncer" da sociedade. Tal como no filme que está em cartaz em todo o Brasil e cujo capitão Nascimento foi transformado em herói por uma elite igual a dos amigos que correram a menina.

5 comentários:

Plinio Nunes disse...

Situaçoes como a que relataste sempre me fazem lembrar uma parte do Hino Rio-Grandense que diz:
- Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.
Quando me refiro a povo, estou incluindo todo mndo mesmo, desde o mais pobre e iletrado ao mais rico e supostamente dotado de conhecimentos. Gente com o caráter dos teus ex-colegas de mesa de bar viram escravos de si mesmo, do seu egoísmo, da sua incapacidade de conviver, de tentar solucionar problemas. Individualistas, egocêntricos e elititistas, transformam-se em algozes de si mesmo, de seus familiares e de amigos. O que esperar de um povo assim. O que me apavora é que esse tipo de gente, acaba se elegendo para cargos públicos e pode até dirigir os destinos da nação e do mundo.Isso sem falar nas drogas lícitas e ilícitas que confundem o cérebro. Abraços

Solange disse...

Boa noite meu amigo jorge, lendo sua mensagem resolvi responder uma coisa sbre o filme citado...qdo vi tropa de elite o que mais me chamou atenção ñ foi capitão nascimento..e sim a mesa da delegacia cheia de papel esperando alguém resolver..mas vais me dizer que ñ assim..posso responder é pois vivi isso qdo trabalhei como funcionaria publica e vi as pessoas empurrando os problema uma p outras...isso lá já sei 3 anos pois ñ estou mais lá e também sei que ñ todos tem gente mto seria e ñ consegue trabalhar e nem fazer coisas seria pois os colegas ficam bravos qdo isso acontece e dizem mas que droga ele(a) já inventou outra coisa..qdo vi aquela cena mas o que mais me deixou triste qdo vivemos esta experiência tão ruim como fica marcado..Respeito sua opinião...mas ñ poderia de deixar de comentar esta parte triste que eu vivi como funcionaria ..
Um abraço fraterno....
Solange

Cezar disse...

Boa noite! Jorge,é preciso reagir.

Tia Jane disse...

Comigo aconteceu um pouco diferente. Estávamos numa lanchonete e um menino aparentando uns 8 anos, mal vestido e descalço se aproximou da mesa ao lado e pediu um lanche pois estava com fome, o homem se levantou e mandou o menino se retirar para que ele e sua família pudessem se alimentar em paz e ameaçou bater na criança caso ele (a criança) ainda voltasse a importunar.
Fiquei indignada... Chamei a criança, comprei um lanche para ele, convidei a sentar na nossa mesa e falei pro senhor ao lado: Venha bater nele agora!!!
Sei que essa minha atitude não resolve esse problema, mas a do outro, na minha opinião, gera outro problema ainda maior. Sem falar no exemplo que ele está dando aos seus próprios filhos... Eles têm grande probabilidade se tornarem igual a essa "tropa de elite" que se torna fã do capitão Nascimento...

vidacuriosa disse...

O grande problema é que muita gente fica tentando resolver os sérios problemas na mesa do bar e só na mesa do bar. Não vi ainda o filme. Pelo relatos,impressionou-me algo que não é nenhuma novidade para mim: o usuário sustenta o traficante. E, cinicamente, prega a execução daqueles que intermediam a droga. Essa posição é de muito "filhinho de papai" que é pego em infração ou crime e usa sua condição social e financeira para se livrar pagando bons advogados ou usufruindo do prestígio de seus pais ou parentes integrantes da elite dominante. A grande questão é que nós somos os outros dos outros. Não me venham com liberdade irrestrita de ir e vir (e de fazer o que quiser) que eu venho com a surrada expressão de que "a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro". É esse egoísmo que leva ao atual estágio de violência e falta de consciência social. Sou contra essa política de extermínio. O problema é que deixaram a situação chegar até esse ponto. Se não tomaramos providências por aqui, tirando o ócio da vida das pessoas, dando emprego, saúde e principalmente educação, acabaremos achando normal a existência dos Nascimentos (ou Morrimentos.