segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sindicato repudia agressão a jornalista

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul lamenta e repudia as agressões sofridas pelo jornalista Graciliano Rocha, do jornal Folha de S.Paulo, no comitê do candidato José Fogaça, ao final da apuração das eleições municipais, no domingo à noite. Segundo o profissional de 31 anos, ele foi intimado por um estranho dentro do comitê, assim que o candidato reeleito se preparava para conceder uma entrevista coletiva. “Olha, tu não és bem quisto aqui. Só escreve matéria f.d.p.”, teria dito o homem. Ao final da coletiva e depois que Fogaça se dirigiu à rua para falar para a militância, Rocha foi abordado pelo mesmo homem na porta de saída. “Levei um soco no supercílio esquerdo e, a seguir, vários outros pelo corpo. Surgiu outro homem, que também começou a me soquear”, relata.
Diante das agressões, o jornalista caiu no chão e começou a levar pontapés das duas pessoas, que só pararam depois da chegada de outros jornalistas e de integrantes da cúpula do partido. “Fiz o Boletim de Ocorrência (BO) e exame de corpo de delito. Pessoalmente, apesar de estar com o corpo todo dolorido, este é um capítulo encerrado. Mas o jurídico do jornal é que decidirá o que fazer daqui para frente”, diz Rocha, lembrando que recebeu solidariedade e pedido de desculpas do jornalista Marcelo Villa Bôas, assessor de imprensa de Fogaça ainda no domingo.
O profissional está em Porto Alegre desde maio e fez basicamente matérias de cunho político. A que mais chamou a atenção foi a que denunciou o suposto enriquecimento ilícito do deputado estadual Luiz Fernando Záchia, coordenador da campanha de Fogaça. A reportagem provocou a saída do parlamentar do posto. A última foi publicada no último domingo e tratava da distribuição de bônus moradia pelo governo municipal.
O Sindicato entende que este tipo de ocorrência fere a todos os profissionais em exercício no Rio Grande do Sul pois tem o objetivo de cercear a liberdade de informar. Para a entidade, a discordância deve ser resolvida por meio do diálogo e não por agressão física como a que sofreu o jornalista Graciliano Rocha. A direção do Sindicato cobra ainda apuração imediata do caso, a identificação e a punição dos envolvidos nas agressões.

Mais informações no site do sindicato:
http://www.jornalistas-rs.org.br/

3 comentários:

marcinha disse...

Caro companheiro Jorge
Conheço de longa data o trabalho do Marcelo Villas Bôas e sei que o incidente, com certeza, é condenado pelo mesmo. Mas é claro que isto não pode ficar sem uma investigação maior e quem sabe até punição do agressor ao jornalista. Ou vamos voltar ao tempo em que precisaremos descobrir "quem suicidou Wladimir Herzog"? Posso parecer pessimista, mas é que entendo como o máximo de desrespeito um ataque a um jornalista no comitê do prefeito eleito. E, sabe-se lá, de quem partiu tal ataque. Porque a militância do prefeito reeleito não deve ter lido a matéria da Folha, publicada um dia antes da eleição (porque não antes, meu Deus ?) em que é denunciada a velha prática de comprar votos. Só algum político ou da coordenação deve ter lido tal matéria. Uma pena. Lastimável. E sinal de que nos próximos quatro anos, é preciso ir ao Paço Municipal sempre de colete à prova de balas, "porque a mudança vai continuar"
abs

Anônimo disse...

Jorginho, minha desconformidade à qual soma-se o mais veemente protesto pela agressão ao colega Graciliano Rocha.
Jayme Copstein

Jorge disse...

Bancada petista repudia violência contra jornalista e pede identificação dos agressores

O deputado Adão Villaverde (PT) afirmou, na sessão plenária desta terça-feira (28), que considera completamente inaceitável a agressão covarde sofrida pelo jornalista Gracialiano Rocha, da Folha de São Paulo, no último domingo (dia 26), na sede do comitê do então candidato da coligação "Cidade Melhor, Futuro Melhor- José Fogaça Prefeito 2008".

"Não se pode admitir que em pleno dia de eleições, em que se consagra o mais legítimo exercício da democracia, ocorra em nossa capital um fato tão lamentável que merece todo o tipo de condenação", disse o parlamentar, esclarecendo que o profissional foi agredido por dois militantes da coligação liderada pelo PMDB à prefeitura de Porto Alegre.

Segundo registros de colegas que estavam no local, Graciliano levou um soco no rosto de um dos agressores, caiu e depois também recebeu vários pontapés do outro cúmplice do ataque. O soco foi desferido por um militante que reclamou de reportagem publicada na Folha de S.Paulo de sábado sobre o bônus moradia que a prefeitura dá a moradores de vilas removidas e que estaria sendo usado eleitoralmente. O repórter registrou ocorrência no 10º Distrito Policial e foi submetido a exame de corpo de delito.

Para Villaverde, além de se lamentar a agressão, deve-se insistir na identificação dos responsáveis, que precisam ser punidos. "Só o repúdio retórico pode ser, de certa maneira, uma atitude de conivência que autoriza a impunidade", disse. "Somente se evitará a repetição de um episódio tão lamentável, que não é da tradição política do nosso Estado, com a devida responsabilização dos autores da selvageria que investiram também contra a liberdade de imprensa".

Conforme Villaverde, não é possível que se desconheça a identidade de militantes que circulam em um comitê, principalmente em uma entrevista coletiva em que se exige crachás e identificação de todos. "Esconder os agressores, com nota de pretensa solidariedade com a vítima, de pouco adianta pois a agressão foi um acontecimento gravíssimo".

Villaverde destaca que a contrariedade com material jornalístico deve ser expressa de modo civilizado por meio da contestação racional, com a exibição de argumentação, sem cerceamento da liberdade de expressão e jamais com este tipo de violência física contra um profissional. "A agressão revela a intolerância da lógica da eliminação de idéias, dos que discordam e defendem opinião diferente", assinalou. "Uma lógica de tristes lembranças na história da humanidade e nos tempos recentes de regime ditatorial no nosso país".

Em nome da bancada, o deputado salienta que a Assembéia não pode se omitir mas exigir apuração e punição.

Ao final de sua manifestação, Villaverde pediu a anexação da nota oficial do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul aos anais do Parlamento gaúcho.