sexta-feira, 17 de abril de 2009

Carajás: 13 anos de um massacre sem punição



Graças ao Jornalismo, o dia 17 de abril de 1996 continua vivo na memória dos brasileiros. Naquele dia, 150 policiais militares tentaram desobstruir a rodovia PA-150, em Eldorado dos Carajás, no Pará, ocupada por sem-terras. A ação dos policiais foi truculenta e resultou na morte de 19 pessoas e mais de 60 feridos. Os corpos dos sem-terra apresentavam indícios de execução, sendo que vários deles tinham sido baleados pelas costas. Na tarde desta sexta-feira, 17, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, 19 integrantes de um grupo teatral lembraram a matança de 13 anos atrás que teve repercussão mundial, mas que permanece impune.

A manifestação na Capital gaúcha era acompanhada por panfletos, distribuídos aos pedestres que passavam pelo local. Caracterizados como agricultores, de preto, os manifestantes do grupo 'Cambada de Teatro em Ação Direta Levante Favela' ficaram cerca de 30 minutos inertes em um pano vermelho, como se estivessem mortos. O grupo argumentava que nenhum dos policiais que participou da ação ou o Governo pagaram pelo crime. "Exigimos justiça. Nossa memória não esquece e nem perdoa!", dizia o manifesto.

Ainda em 1996, o Masssacre de Eldorado dos Carajás - como ficou conhecido - emocionou os jornalistas e convidados que participavam da abertura do 27º Congresso Nacional dos Jornalistas, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. No dia 1º de março, um filme do episódio, realizado durante a cobertura jornalística do confronto, foi exibido e todos pediram justiça. "O coronel que ordenou a matança foi condenado a mais de 200 anos de prisão e, graças a vários recursos, está solto até hoje. Como naquele Dia dos Trabalhadores, voltamos a clamar por justiça. Chega de impunidade", pede Jorge Correa, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul à época e hoje segundo vice-presidente da entidade.

Publicada originalmente no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul: http://www.jornalistas-rs.org.br/

Um comentário:

A Flor do Sul disse...

Incredible une chose comme ça!
Não posso acreditar que no Brasil, país onde há uma legislação tão avançada com relação aos Direitos Humanos, ainda haja tanta impunidade. Certamente, se esse coronel fosse um bandido comum (coisa que na verdade é), sem ser o homem rico e poderoso que é, não estaria talvez nem sequer vivo.

O que acontece é que as pessoas, sejam elas da classe social que forem, pois esse é um mal de toda a sociedade e de todos os povos, em maior ou menor proporção, elas valorizam mis o verbo "ter" do que o verbo "ser", e assim a coisa vai indo, sendo sempre empurrada com a barriga.
No Brasil, para piorar, parece que se tem memória curta. Onde estão os homens e mulheres de bem que lmbram da nossa História e preservam a sua memória?
Ah, são poucos, e mesmo esses poucos têm um poder de ação relativmente pequeno.
o que é uma verdadeira tristeza, pois esse país tem tudo para ser muito melhor do que é.
Bom fim de semana, e parabéns pelas tuas idéias. gostei muito da foto, e gostaria de estar aí em Porto Alegre. Eu também sou do Sul, sabe...
Au revoir, mon ami.
Hakim.