sábado, 19 de fevereiro de 2011

Síndrome do ninho vazio X síndrome do ninho cheio

A tradicional síndrome do ninho vazio é a luta dos pais para superar a saída dos filhos de casa e preencher o buraco deixado pela prole. Quando eles alçam voo do lar, seja por estabelecerem economia própria, seja por casamento ou qualquer outro motivo, os pais podem sentir uma espécie de rejeição, de vazio, que pode se transformar numa grande tristeza ou, nos casos mais graves, em uma depressão.
 
Gabriela Tombini, psicóloga - publicado originalmente no site www.psicobreve.com.br
 
É natural que isso aconteça, afinal desde o nascimento daquele ser, a relação de dependência sempre existiu, em maior ou menor grau. É comum os pais queixarem-se que os filhos, ao saírem de casa, aos poucos, esquecem do antigo lar. Os telefonemas e as visitas, gradualmente, tornam-se mais raros, com exceção de momentos de crise, de um ou de outro lado. E assim, se não for uma situação esperada e preparada, o “esvaziamento do ninho” pode causar um desconforto familiar.
Mas, e quando acontece exatamente o contrário? São filhos com 29, 30 ou até de 40 anos, já adultos, que não querem e nem pensam em sair de casa. O ninho está cheio, na verdade lotado. Na Itália, por exemplo, isso já é considerado problema de Estado. Conhecidos como “bamboccioni” ou “mammoni”, os filhotões que não saem de casa. Um terço dos homens italianos acima dos trinta anos ainda moram com os pais.
Na atualidade, esse momento tem sido protelado, ou seja, a saída de casa está sendo cada vez mais tardia e, às vezes, nem acontece. Neste momento, tem-se o que os especialistas têm chamado de síndrome do ninho cheio, que se constitui na frustração pela incapacidade de criar filhos independentes. Tanto uma quanto a outra situação são difíceis para os pais e merecem uma reflexão para o enfrentamento do momento de crise.  Seria bom que, neste momento, pais e filhos pudessem dialogar e prestar auxílio mútuo.
Um dos motivos mais trazidos pelos filhos que não querem sair de casa é a questão econômica. Esta é a principal justificativa para permanência na casa dos pais, afinal comprar ou alugar um apartamento não é nada barato e tem, ainda, a dificuldade de conseguir e manter emprego.
Mas nem sempre a questão envolve dinheiro, várias vezes é por comodidade, mesmo. Surgem assim, os pais patrocinadores, porque a maioria dos filhos mora em casa e não ajudam nem nas despesas básicas. Alguns falam que amam muito sua família, não pretendem sair de casa enquanto não se casarem porque adoram ter suas camisas passadas e entregues como uma lavanderia, comidinha no prato e outros confortos. A moça avisa aos pais que só vai sair quando casar…
Buscar a individualidade de cada um dentro do núcleo familiar é super importante para que todos tenham uma identidade própria como indivíduo, sem se apoiar e depositar seus desejos nos outros. Para os pais, não há uma fórmula para vivenciar essa etapa indispensável de forma prazerosa. Mas, é importante que a pessoa mantenha-se íntegra, inteira, buscando sua realização pessoal no trabalho, na sociedade e na vida familiar.
Criar uma boa estrutura familiar que permita que esse filho vá, mas também permitir que ele se sinta acolhido e encontre espaço sempre que quiser ou precisar voltar. Os pais precisam buscar atividades que preencham suas vidas, tais como: trabalho, atividades físicas, relacionarem-se com amigos e sem esquecer (para os pais que ainda são casados) de tentar (re)aquecer a chama do casamento. “O que está faltando para esse casal? O que aconteceu na dinâmica dessa família que centralizou a atenção exclusivamente sobre esse filho? Quando o filho vai embora, sentem-se perdidos.
Sabe-se que muitos pais fazem sua vida em função dos seus filhos e o seu casamento só existe na presença deles. Isso faz mal para toda a família, pois não possuímos nossos filhos. Não podemos (e não devemos) viver a vida deles.

 

Um comentário:

Egle disse...

Acredito que achar o meio termo para educar filhos que sejam próximos, mas que ao mesmo tempo, não tenham medo de alçar vôo não é uma tarefa fácil.
Os casais de pais que se organizam para viver em torno dos filhos, e fazer deles seu norte de referência, parecem se tornarem transparentes um para o outro. A parceria do casal é transferida para os filhos e a intimidade se perde.
Já aqueles casais que continuam parceiros e mostram o caminho de saída para os filhos se encontram em seu próprio afeto.
Quando já não mais existe casal, existem pai e mãe.