domingo, 12 de junho de 2011

Jornalistas e sociedade seguem lutando pela volta da exigência de diploma

Na próxima quarta-feira, dia 15 de junho, uma comitiva do Rio Grande do Sul vai a Brasília para participar da mobilização pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 33/09, de autoria do senador Antonio Carlos Valadares, do PSB de Sergipe, que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo. Na Câmara de Deputados, corre também a PEC 386/09, de autorida do deputado gaúcho Paulo Pimenta. A 'PEC do diploma' poderá ser votada naqueles dias, e a Federação Nacional dos Jornalista promove uma mobilização nacional da categoria em prolo do retorno da exigência de formação superior para a profissão. Do Estado estarão presentes o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues Nunes, o vice-presidente Milton Simas, a diretora Vera Dayse Barcellos e o acadêmico Guilherme de Oliveira, representante do Núcleo de Estudantes de Jornalismo do Sindicato.
Movimentação semelhante ocorrera em 1º de junho, Dia da Imprensa, quando um grupo de jornalistas de todo o país pediu a votação da PEC do Diploma no Congresso Nacional. Na ocasião, representantes da Fenaj e Sindicatos de Jornalistas marcaram presença na Capital Federal em prol das PECs do Diploma que tramitam na Câmara e no Senado. Os profissionais circularam por gabinetes parlamentares conversando com os legisladores, e o Sindicato gaúcho se fez presente na pessoa de seu presidente José Nunes.
Na próxima sexta-feira, dia 17 de junho, completam-se dois anos da decisão do Supremo Tribunal Federal de abolir a exigência de diploma em curso superior de Jornalismo para exercício da profissão. O Sindicato dos Jornalistas do RS prepara uma grande manifestação para esse dia, com ato público a ser realizdo na Esquina Democrática, Centro de Porto Alegre, com concentração a partir das 10h. Ao meio-dia inicia a caminhada pela rua dos Andradas, reunindo jornalistas, universitários e simpatizantes, com manifestação das lideranças.
                              
Foto: Arfio Mazzei
 
Em 2009, Porto Alegre teve a mais forte reação de estudantes e profissionais à decisão do STF

Desde o fatídico 17 de junho de 2009, Fenaj e Sindicatos lutam pela volta da exigência de diploma, buscando apoios na sociedade, entre os legisladores e mantendo vivo o espírito de seriedade entre a categoria. Muitas foram as atividades promovidas pelas entidades a fim de esclarecer sobre a necessidade de diploma para o bom Jornalismo, que de forma alguma se contrapõe à liberdade de expressão, argumento usado pelos ministros do STF para a derrubada da necessidade de formação superios em Jornalismo. Brasília foi o ponto de encontro para trabalho de repesentantes dos jornalistas de todos os pontos do Brasil, em reuniões com a presidência do Senado, José Sarney, da Câmara, Marco Maia, e de inúmeros parlamentares que concordam com as exigências propostas pelos próprios profissionais da Imprensa.
Em muitos Estados e Capitais, existe lei obrigando o diploma em Jornalismo para os aprovados em concursos públicos governamentais. Mensalmente, novas localidades aderem ao pensamento da categoria, por perceberem que a formação teórica, técnica e ética de um profissional não pode ser desconsiderada, para prejuízo de uma sociedade cada vez mais voltada à informação. A mais recente foi Campina Grande, na Paraíba, cujos vereadores aprovaram o projeto de lei 097/2010, de autoria do vereador Fernando Carvalho, do PMDB, que dispõe sobre a exigência do diploma de Jornalismo em concursos públicos. Nesta sexta-feira, 10 de junho, o presidente da Fenaj, Celso Augusto Schröder, esteve participando de audiência pública com proposta semelhante na Câmara de Curitiba, no Paraná, que poderá ser a próxima capital a exigir jornalistas diplomados nas funções públicas. Até o momento, o debate e a opinião dos setores da sociedade têm sido o diferencial para a volta da obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista.

Mais informações no site do Sindicato: http://www.jornalistas-rs.org.br/

sábado, 11 de junho de 2011

Olívio Dutra, 70 anos

Daqui a pouco, rumarei para o Clube Farrapos para abraçar o grande companheiro Olívio Dutra.
São 70 anos do Galo Missioneiro. O ex-presidente Lula estará junto.
Já ouço lá longe o grito: Olívio, Olívio, Olívio...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sugestão de leitura: Histórias Íntimas

Quando o Brasil era a Terra de Santa Cruz, as mulheres tinham de se enfear e os homens precisavam dormir de lado, nunca de costas, porque "a concentração de calor na região lombar" excitava os órgãos sexuais. E nos momentos a dois - geralmente no meio do mato, e não em casa, porque chave era artigo de luxo e não era possível fechar as portas aos olhares e ouvidos curiosos -, as mulheres levantavam as saias e os homens abaixavam as calças e ceroulas. Tirar a roupa era proibido. E beijar na boca? Bem... sem pasta e escova de dentes, difícil...

Gostarão? Pois é, esta sugestão é da amiga Lu Villela, da Livraria Bamboletras, localizada aqui no Nova Olaria, em Porto Alegre. Vejam o que ela diz mais sobre a obra da historiadora Mary Del Priore, Histórias Íntimas, que narra as formas de sexualidade e erotismo na história do Brasil. Quem puder, vá comprar:

Mas como o proibido aguça a vontade, a instituição que mais repreendia os afoitos, ironicamente, acabou se tornando o templo da perdição. Onde mais as pessoas poderiam se encontrar, trocar risos e galanteios e até ter relações sexuais, sem despertar suspeitas, senão no escurinho... das igrejas?!

Casos saborosos como esses são narrados por uma das maiores historiadoras do País, Mary del Priore. Em Histórias Íntimas, ela mostra como a sexualidade e a noção de intimidade foram mudando ao longo do tempo, influenciadas por questões políticas, econômicas e culturais, passando de um assunto a ser evitado a todo custo para um dos mais comentados nos dias de hoje.
Da Editora Planeta, custa R$ 29,90.

STF diz sim à soberania brasileira

O Superior Tribunal Federal (STF) julgou que a decisão do ex-presidente Lula de não extraditar Cesare Battisti não pode ser questionada pela Itália.  Por seis votos a três, os ministros do STF rejeitaram a ação do governo da Itália contra a decisão do ex-presidente Lula, que no ano passado negou o pedido para extraditar Battisti.
Votaram a favor da soberania brasileira:
- Marco Aurélio
- Ricardo Lewandowski
- Luiz Fux
- Cármen Lúcia
- Joaquim Barbosa
- Ayres Britto
Votaram a favor do governo da Itália mandar mais no Brasil do que o então presidente Lula:
- Gilmar Mendes
- Ellen Gracie
- Cezar Peluso

Manchete de jornalista

Hoje é dia iluminado.
Companheiros e companheiras jornalistas de longa data ou de períodos mais recentes fazem aniversário hoje.
Seria o momento de parar as máquinas, mudar a manchete e encher as páginas com histórias deles e delas.
Daria uma linda edição...
Não acham, aniversariantes?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sindicato dos Jornalistas/RS repudia agressão a estudantes em Santa Cruz

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul repudia com veemência a atitude de alguns seguranças que agrediram deliberadamente estudantes do curso de Jornalismo da Universidade de Santa Cruz do Sul - Unisc, que faziam uma manifestação pacifica durante a passagem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, pela universidade na noite da última sexta-feira, 3 de junho. Relator do Recurso Extraordinário que deu fim à obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, Mendes - sócio proprietário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) fundado em 1998, um dos maiores cursos preparatórios para as provas da OAB, em Brasília, fazia palestra no curso de Direito da Unisc.

Na Semana da Imprensa, o Sindicato entende que a manifestação dos estudantes nada mais é que o legítimo direito de manifestação pública, assegurada pela Constituição Federal, e que de maneira alguma pode ser reprimida, da forma como ocorreu. Neste sentido, o Sindicato vai encaminhar documento à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), para exigir explicações do STF, no que diz respeito às palestras do então ministro empresário. No entendimento da direção deste Sindicato, o ministro não pode usar o cargo para propagar palestras, com às quais é beneficiado, uma vez que é sócio-proprietário do curso preparatório para provas da OAB.  
O Sindicato encaminha, ainda, documento à reitoria da universidade para buscar esclarecimento sobre os fatos e solicitar punição imediata dos seguranças envolvidos na ação contra os estudantes. Informada sobre a presença de policiais militares à paisana nas agressões, a direção vai notificar também o comando da Brigada Militar para os esclarecimentos devidos. Por último, a direção conclama a união de todos os jornalistas e estudantes de Jornalismo do Brasil para que continuem suas manifestações de forma pacífica contra o ministro Gilmar Mendes, lembrando que neste dia 17 de junho fazem exatos dois anos da decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal, que ao extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, disse 'não' à educação no Brasil.

Chuva

Chove lá fora
Uma chuvinha miúda.
Nem me deixa ir embora
Com medo que se torne graúda.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Viver

Viva, meu amor.
Saberei entender teu tempo.
O meu, não sei.
Mas, meu amor, viverei!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Semana da Comunicação da Unisinos convida profissionais e estudantes

Com o tema Assessoria de imprensa e o Uso das Redes Sociais, o Núcleo de Assessores de Comunicação e a Delegacia Regional do Vale dos Sinos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais RS, em parceria com o Curso de Jornalismo da Unisinos, promovem um bate-papo jornalístico na Semana da Comunicação da instituição de ensino. O evento será realizado, no próximo dia 7 de junho (terça-feira), a partir das 19h30min, na Sala 3D 104, no Centro 3.
O bate-papo reunirá os jornalistas José Eduardo de Zotti , que atua na De Zotti Comunicações de São Leopoldo; Raquel Guimarães, diretora da Informação Comunicação de Novo Hamburgo e Adriana Paranhos,  assessora de comunicação do Prefeitura de Canoas.  “Será uma ótima oportunidade para avaliar a abrangência e utilização das mídias sociais na assessoria. Municípios como São Leopoldo, Santa Maria, Passo Fundo, Porto Alegre e Caxias também estão sediando encontros semelhantes”, adianta a delegada regional do Sindijors, Clarissa Collares.
O encontro é gratuito e voltado para jornalistas que atuam na área da assessoria de imprensa e estudantes de comunicação. Informações pelos telefones: 8114.1710 ou 9371.1734.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fenaj: no Dia da Imprensa, jornalistas pedem a aprovação das PECs do Diploma

Celebrado desde o ano 2000 como “Dia Nacional da Imprensa”, este 1º de junho enseja a reflexão sobre a realidade da comunicação no Brasil. E, particularmente para os jornalistas, remete à centralidade das lutas em defesa do diploma, de uma nova e democrática Lei de Imprensa e de um novo marco regulatório do setor como indispensáveis para se inaugurar um novo ciclo de prosperidade democrática e de consagração do direito da sociedade à informação de qualidade.

Instituído pela Lei 9.831/1999, o Dia Nacional da Imprensa alude à primeira circulação do jornal Correio Braziliense, de Hipólito da Costa, em contraposição à oficialesca Imprensa Régia do Brasil Império do século XIX. Portadora de contradições e conflitos de sua época, tal publicação trazia em seu cerne ideais libertários de uma imprensa livre e de mudanças que contribuíram para fortalecer a perspectiva do Brasil republicano que temos hoje.

Mas é preciso reafirmar que a plena liberdade de imprensa, embora assegurada constitucionalmente, é cotidianamente agredida no Brasil e no mundo, por motivações políticas, econômicas e ideológicas que se expressam em ações de governantes, entes do Judiciário, do parlamento e mesmo dos proprietários dos veículos de comunicação. A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas defendem a aprovação de uma legislação de conteúdo democrático que regule as relações entre os veículos de comunicação, os profissionais e a sociedade. Nesta terra sem Lei de Imprensa, o substitutivo ao Projeto de Lei nº 3.232/1992 está pronto para votação há quase duas décadas na Câmara dos Deputados.

Maior e mais democrático espaço de debates sobre as comunicações no Brasil que envolveu representações do governo, dos empresários e da sociedade civil, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação produziu deliberações que avançam na democratização do setor, superando a legislação obsoleta que permanece em vigor desde a década de 1960. A FENAJ, os Sindicatos de Jornalistas e demais entidades que se articulam em torno do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, prosseguem na defesa de que o governo federal apresente sua proposta de novo Marco Regulatório para dialogar com a sociedade, com vistas a apresentar para apreciação do Congresso Nacional um projeto mais aperfeiçoado.

Formação profissional é fundamental para garantir o direito da sociedade à informação qualificada. E cabe à Câmara dos Deputados e ao Senado restituir aos jornalistas e à sociedade o que o STF suprimiu ao confundir direito de opinião com o exercício profissional do Jornalismo. As Propostas de Emenda Constitucional 386/09 – que tramita na Câmara – e 33/09 – que tramita no Senado – já têm pareceres pela sua aprovação e estão prontas para votação.

Neste 1º de junho, comemorar o Dia da Imprensa significa, também, valorizar o Jornalismo, os jornalistas e a sociedade. Por isso pedimos que o parlamento brasileiro não renuncie à sua prerrogativa republicana, legisle e aprove as PECs do Diploma.

Brasília, 1º de junho de 2011.

Diretoria da FENAJ

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fumaça na História

Meios de comunicação de massa no século XX foram os grandes aliados da indústria tabagista na fabricação de uma imagem positiva do cigarro. Publicação interessante do site Café História.

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/arquivo-cafe-historia-fumaca
 Nos últimos anos, os altos índices de mortes ocasionadas pelo consumo do cigarro vêem levando países do mundo inteiro a endurecerem suas legislações antifumo. No Brasil, por exemplo, desde dezembro de 2000, nenhum meio de comunicação pode exibir propaganda de cigarros e todo maço do produto deve conter imagens fortes alertando para as doenças e para o vício decorrente do fumo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, cresce todos os anos o número de pessoas que movem processos judiciais contra a indústria tabagista. Esse cenário de total hostilidade ao cigarro, entretanto, é bastante recente. Durante boa parte do século XX, a indústria cultural e da propaganda fabricaram uma imagem do cigarro e do fumante muito diferente, associando ambos a valores que iam da virilidade ao romantismo.
No século XX, a mensagem das propagandas de cigarro sempre foi muito clara: associava o produto a um estilo de vida glamoroso, rico e, principalmente, moderno. Fumar era o mesmo que desprender-se do conservadorismo, era ter estilo próprio e independência. O discurso, que visava, claro, conquistar o público mais jovem, em pleno processo de construção identitária. Nos filmes, quase todos os protagonistas e bandidos tinham a sua própria maneira de fumar, algo inclusive que os diferenciava. Humphrey Bogart, Paul Henreid, Bete Davis. As maiores estrelas de cada época apareciam em seus filmes fumando. Para o famoso "cinema noir", a fumaça dava inclusive um toque extra de classe.
Historicamente, este tipo de associação consagrou-se após a Segunda Guerra Mundial, quando a televisão e o cinema massificaram a comunicação social. Não fortuitamente, uma das principais marcas de cigarro do mundo levava (e leva ainda hoje) o nome de "Hollywood". Segundo José Benedito Pinho, em seu livro "O Poder das Marcas", o "Hollywood" explorava no início dos anos 1950 as relações entre o seu nome com o universo cinematográfico, através de slogans como “um "um Oscar de qualidade” ou ainda "um Oscar de Sabor". No Brasil, uma propaganda da marca trazia um pianista ensaiando um número musical e um slogan nada inocente que dizia que o cigarro era "uma inspiração".
Pinho, sublinha, porém, que a partir de 1973, a marca adotou uma nova fórmula. Era a época do "Ao sucesso com Hollywood", feito sob medida para englobar jovens, cigarros e esporte. O autor cita o texto publicitário abaixo, vinculado no Brasil, como exemplo desta fórmula:

Hollywood, o cigarro bem como você gosta: no tamanho certo, na embalagem vibrante, com o filtro perfeito, na exata combinação de fumos que dá aquele sabor inconfundível. Acenda seu Hollywood King Size Filtro e vá em frente: no estudo, no trabalho, na competição esportiva. Vá para vencer. Ao sucesso! (Souza Cruz, 1974: 156. Apud, Pinho, 1996: 96)

Na década de 1950, outras marcas de cigarro também conquistaram um forte posicionamento no mercado tabagista. É o caso da “Marlboro”. Os pesquisadores Camila Beaumord e Rafael Bona ajudam a explicar isso aconteceu:

Uma pesquisa de mercado revelou que os habitantes das grandes metrópoles, isto é, os executivos e empresários modernos, tinham saudades da vida no campo, do ambiente rural, da natureza e do espírito de aventura. Assim, a campanha “Tattooed Man” da Leo Burnett utilizou a imagem de velejadores tatuados, atletas, pilotos e, principalmente, caubóis. Rapidamente, as pessoas começaram a acreditar que poderiam ter acesso a esse País Marlboro – o Marlboro Country – onde habitavam os solitários, os corajosos e os livres, em meio a pradarias e canyons. Ainda que se encontrassem presos em uma reunião de trabalho, ou no meio de um grande congestionamento em Nova York, era só comprar um maço da marca para desfrutar de uma estimulante peripécia que é apenas possível no Marlboro Country. O resultado foi positivo. A Marlboro se tornou a marca de cigarro mais vendida em Nova York, com um incremento de 5.000% nas vendas em apenas oito meses de campanha, segundo O Mundo das Marcas (2010). O caubói se tornou o mais popular dos personagens que foi adotado como garoto-propaganda.

domingo, 29 de maio de 2011

Análise de O Travesseiro de Penas, de Horácio Quiroga


                             Jornalista por vocação e acadêmico de história por curiosidade, entrei sem querer no mundo da literatura. Ou melhor, do conto. A possibilidade de fazer Escrita Criativa me assustou no início. Tão diferente da escrita jornalística, o conto foi ganhando aos poucos o meu fascínio. Depois de escrever algumas histórias e ter outras engatilhadas, aceitei o desafio de analisar este O Travesseiro de Penas, do uruguaio Horácio Quiroga, escrito em 1907. Quase um século. Não é fácil, pois se trata de “um soco no estômago”, daqueles em que a gente demora para recuperar-se. É, com certeza, uma narrativa psicológica em que emerge a miséria humana, tão presente no cotidiano de muitas pessoas e famílias. Mas que poucos identificam.
                               No início do conto, Horácio ousa mostrar o caráter psicológico dos dois personagens e a fragilidade do relacionamento, antecipando de forma subliminar o final trágico e o horror da sequência. Não precisou citar os nomes. Ela é loira, angelical e tímida. Ele, de caráter duro. Pronto, é a deixa para a frase inicial: “Sua lua-de-mel foi um grande pesadelo”. De fato, foi. Em princípio, o que poderia desestimular o leitor a continuar a leitura, acaba por cativá-lo. Afinal, quem é este casal?
                             Horácio caracteriza bem seus personagens, os coloca no ambiente, arranca o leitor de seu marasmo habitual. Eu me senti interessado, impressionado, sacudido. Especialmente quando, mais adiante – já citando os nomes do casal (Alícia e Jordán) – diz que ela o amava muito e ele a amava profundamente (mesmo que não demonstrasse).  Tanto “amor” a fez adoecer no intervalo de três meses, morrendo em seguida. A narrativa mostra os efeitos trágicos e de terror do meio ambiente sobre o ser humano. Alícia era frágil e não suportou o casamento com um homem severo e cujo semblante a reprimia.
                              A Alícia caracterizada por Horácio morreu aos poucos, impotente pra reagir. Como se o destino fosse aquele, não havendo nada para mudá-lo. Em muitos momentos, o autor avança o universo feminino como se o conhecesse a fundo. Pode ser! Mas também nota-se que ele produziu uma obra ficcional como quisesse entender a si e o mundo em que vivia. Quem sabe, fazendo vislumbrar uma realidade parecida com a sua.
                            O contista mostra tudo de terrível que possa acontecer a uma pessoa neste conto: insanidade, sofrimento, alucinações, impotência e mistério – afinal, a doença e a morte surgiram do nada. Isso fica claro numa parte do texto: “Os médicos voltaram inutilmente. Havia ali, diante deles, uma vida que se acabava, esvaindo-se dia a dia, sem se saber absolutamente como.” A morte chegava, mas era misteriosamente inexplicável.
                            Fascina no conto a expectativa causada no leitor. Por diversas vezes, imaginei que ele poderia ser concluído, mas Horácio conseguiu, com maestria, estendê-lo sem cansar quem está lendo. A estratégia foi separar noite (sofrimento) e dia (ameniza). No texto, diz: “Durante o dia sua enfermidade não avançava, mas toda a manhã amanhecia lívida... Parecia que unicamente à noite sua vida se ia em novas ondas de sangue”.
                                 Muita gente pode não se sentir atraído por estes momentos de horror, narrados se forma singular. Parece, entretanto, que muitos autores são é atraídos por dois sentimentos que parecem antagônicos: o amor e o medo. Eles caminham junto ao homem. Horácio conseguiu mostrar isso com inegável competência. Em pouco tempo (três meses de casamento de Alícia e Jordán), ele colou amor e medo (com terror) numa mesma história. Trata-se de uma obra digna de mestre.





Tracy Chapman - Baby Can I hold you


Saudade da Tracy! Posto músicas ao manhecer para alegrar a vida de vocês. Se gostarem, aplaudam. Se não gostarem, curtam. Podem achar um segundo de beleza.

sábado, 28 de maio de 2011

Sonhos

Eu semeei meus sonhos onde você está pisando agora. 
Pise suavemente porque você está pisando nos meus sonhos... 
W.B. Yeats

Inter sem futebol e garra

A penúria do Inter me preocupa. Isso ficou evidenciado hoje na derrota contra o Ceará no Beira-Rio. Toques laterais, sem profundidade, time sem espírito de luta, qualidade baixo da média. Onde chegarás colorado com este futebol???

quarta-feira, 25 de maio de 2011

FENAJ prepara nova ofensiva pela votação da PEC do diploma no Senado

Após o requerimento assinado por líderes de dez partidos para que a PEC 33/09 tramite em regime especial no Senado e a convicção de que só depende do presidente da Casa, José Sarney (PMDB/AP), a decisão de por a matéria em votação, a FENAJ e a coordenação da campanha em defesa do diploma preparam mais ações para agilizar a votação da proposta. Além de novos materiais em elaboração, está em marcha a organização de uma manifestação nacional para o dia 17 de junho, quando se completam dois anos da decisão do STF que extinguiu com tal requisito para o exercício da profissão de jornalista.

Respaldado pelos líderes do PT, PCdoB, PSB, PMDB, PP, PDT, PR, PSOL, PMN, e do PRB, o requerimento para que a PEC 33/09 tramite em regime especial foi entregue à Mesa Diretora do Senado na segunda semana de maio. Em função disso, parlamentares, dirigentes sindicais e coordenadores da campanha em defesa do diploma consideram que agora só depende da vontade política do senador José Sarney colocar a matéria em votação.

“Por isso, além do contato permanente com todos os parlamentares nossa orientação é para que os apoiadores do movimento ampliem também o esforço de sensibilização do presidente do Senado” diz Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante do Grupo de Trabalho da coordenação da campanha em defesa do diploma. “Além de cobrar sistematicamente a votação e o voto SIM, todos podem colaborar enviando e-mails, telefonando, conversando com os senadores”, completa. A relação dos senadores com seus contatos está disponível aqui.

Além de continuar com a divulgação do abaixo assinado dos cidadãos, o recolhimento de adesões ao Manifesto das Entidades e promoção de outras atividades para dar maior visibilidade ao movimento em defesa do diploma, uma nova camiseta, bottons e adesivos da campanha estão em fase final de produção. “A ideia é ampliar, a partir da próxima semana, a vigília em Brasília que já vem sendo feita por diretores da FENAJ, dos Sindicatos e do GT do diploma, culminando com uma grande manifestação no Congresso Nacional para a semana de 17 de junho”, explica Valci.

Paralelamente aos esforços que vem sendo desenvolvidos no Congresso Nacional para fortalecer a campanha, outras iniciativas importantes prosseguem nos estados. No final de abril o deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL) ingressou com projeto de lei na Assembleia Legislativa do Pará que estabelece a exigência do diploma de curso superior em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, para o exercício da profissão em âmbito da administração pública estadual. Já em Tocantins, no dia 17 de maio, nove deputados estaduais assinaram o manifesto em defesa da exigência do diploma de jornalista para exercício da profissão.

domingo, 22 de maio de 2011

Queen - Love of My Life


Demais esta canção do Queen. Love of My Life cantada por mais de 100 mil pessoas no Wembley, em Londres, em 1986. E com o genial Fred Mercury no comando...
O velho estádio foi derrubado para construção de um novo e Fred virou mito...

Inter não inspira confiança. Falta garra

Coloquemos de lado a nossa paixão pelo Inter, que muitas vezes mascara deficiências letais. Analisemos o jogo sonolento de ontem contra o time reserva do Santos (inclusive o técnico). Um time sem garra, sem luta, desmotivado, dorminhoco... 
Do jeito que está, não atingiremos a meta de ganharmos o Brasileirão depois de três décadas. Não adianta contratar se a filosofia continuar a mesma. Sou adepto da mescla de jogadores corridos com a gurizada da base (estes transformam amor à camiseta em garra), como aconteceu nos anos 70, exatamente quando o técnico Falcão surgiu com seu futebol exuberante, mas de luta. É a nossa chance.

Till Then My Love - Matt Monroe

Uma manhã ensolarada, em Porto Alegre, merece a riqueza de um vídeo como este. Curtam!

O pecado de Palocci

Sem abdicar de minhas convicções ideológicas e partidárias, sou crítico da mistura entre o serviço público e os interesses privados. O ministro Antonio Palocci vive sob tiroteio porque fez exatamente isso. Ex-ministro e deputado federal, ganhou dinheiro dando consultoria graúda para grupos empresariais. E enriqueceu. Não interessa se usou informações privilegiadas para aconselhar clientes.
O fato é que ele utilizou-se da condição de homem público para multiplicar o patrimônio. Não é a primeira vez que isso acontece. Empresas buscam este tipo de pessoa para melhorar suas performances. E grupos empresariais têm, em seus quadros jurídicos, juízes aposentados. Sempre critiquei isso. Não seria agora que mudaria de opinião.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Atchim...

Lindo outono, com sol exuberante e temperatura agradável. Mas as variações de clima ao longo do dia me atingem diretamente. Depois de espirrar dezenas de vezes, saio de casa com nariz pingando e olhos ardendo. É a rinite de outono...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O lado repugnante da disputa

Em momentos de euforia ou tristeza, muitas pessoas colocam para fora raivas, ódios e preconceitos. Nas últimas semanas - e especialmente nesta, com o acirramento do Gre-Nal - vi gente postando ou repassando verdadeiros "atestados" de intransigência e transtorno de caráter. Notei este comportamento entre gremistas e colorados. É lamentável, mas tem um lado bom: não é generalizado.

terça-feira, 17 de maio de 2011

E a lua cheia...

Exuberante, ela chegou ontem.
Abri a janela e a admirei.
Sozinho, espiei a lua cheia.
Sozinha, olhaste a lua cheia.
Será que ela não merece a nossa companhia?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A melhor torcida do Rio Grande


Ocupando um espaço reduzido no Estádio Olímpico, torcida colorada mostrou a mesma garra demonstrada pelo time em campo. Depois, se espalhou por todo o Rio Grande (e Brasil) para comemorar o 40º título gaúcho.

domingo, 15 de maio de 2011

A foto do campeão

Esta alegria contagiou jogadores e torcedores no Olímpico, casa do adversário, e fora dela. É campeão...
O grito da vitória ecoa em todos os cantos deste Brasil. Vamos, Inter. Agora, que venha o Brasileirão.... 

Internacional é campeão gaúcho


O Internacional mostrou que não está morto quem peleia. É campeão gaúcho por mérito porque não desistiu nunca. Eu estava cético e admiti antes do jogo.
Parabéns ao adversário, que também mereceu a vitória. Mas a taça é para um time apenas. 
Somos campeões gaúchos em quarenta oportunidades.
Vou festejar.

Colorado, o campeonato ainda não tem vencedor


Manhã de domingo em Porto Alegre. Entre nesgas de sol e nuvens derramando esporádicos pingos de chuva, saio à rua. Em todos os cantos, vejo azul. Noto euforia tricolor. Colorado, fico constrangido. Não botei nenhuma das minhas camisetas do Inter. Será que entrei na farra gremista antes do jogo, marcado para às 16h? Esqueci que não existe jogo ganho na véspera? Não, colorado eu sou. Acredito!
A história mostra que nem sempre o "favorito" é o vencedor depois dos 90 minutos. Acompanho este negócio chamado futebol desde a década de 70 e já vi muitas reversões. Assim como o sol briga agora com a chuva nos céus porto-alegrenses, também veremos isso à tarde. Ao final da peleia, se vencedor, farei festa. Se perdedor, cumprimentarei os amigos do outro lado. Não posso fazer nada disso agora, quando faltam poucos mais de cinco horas para a bola rolar.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Travesseiro de Penas - Horacio Quiroga

Ofereço a vocês o pequeno (grande) conto do escritor uruguaio Horário Quiroga, publicado primeiramente em 1907. O Travesseiro de Penas é um dos melhores que já li e traduz os efeitos do ambiente sobre o ser humano. Ele não poupa situações de terror, morte e sofrimento. Com certeza, é um jogo sutil entre a realidade, as desventuras e o macabro. Aproveitem, sofrendo junto ou não.

Sua lua-de-mel foi um longo estremecimento. Loura, angelical e tímida, o temperamento duro do marido gelou suas sonhadas criancices de noiva. Ela o amava muito, no entanto, às vezes, sentia um ligeiro estremecimento quando, voltando à noite juntos pela rua, olhava furtivamente para a alta estatura de Jordão, mudo havia mais de uma hora. Ele, por sua vez, a amava profundamente, sem demonstrá-lo.

Durante três meses — tinham casado no mês de abril — viveram numa felicidade especial.


Sem dúvida ela teria desejado menos severidade nesse rígido céu de amor, mais expansiva e incauta ternura; mas a impassível expressão do seu marido a reprimia sempre.


A casa em que viviam influenciava um pouco nos seus estremecimentos. A brancura do pátio silencioso — frisos, colunas e estátuas de mármore — produzia uma outonal impressão de palácio encantado. Por dentro, o brilho glacial do estuque, sem o mais leve arranhão nas altas paredes, acentuava aquela sensação de frio desagradável. Ao atravessar um quarto para outro, os passos encontravam eco na casa toda, como se um longo abandono tivesse sensibilizado sua ressonância.


Nesse estranho ninho de amor, Alicia passou todo o outono. Porém tinha terminado por abaixar um véu sobre os seus antigos sonhos, e ainda vivia dormida na casa hostil, sem querer pensar em nada até o marido chegar.


Não é incomum que emagrecesse. Teve um ligeiro ataque de gripe que se arrastou insidiosamente dias e mais dias; Alicia não melhorava nunca. Por fim uma tarde pôde sair ao jardim apoiada no braço dele. Olhava indiferente para um e outro lado. De repente Jordão, com profunda ternura, passou a mão pela sua cabeça, e Alicia em seguida se quebrou em soluços, e o abraçou. Chorou demoradamente seu discreto pavor, redobrando o choro diante da menor tentativa de carícia. Depois, os soluços foram-se acalmando, e ainda ficou um longo tempo escondido no seu ombro, quietinha, sem pronunciar uma palavra.


Foi o último dia que Alicia esteve de pé. No dia seguinte amanheceu desacordada. O médico de Jordão a examinou com toda a atenção, recomendando muita calma e repouso absolutos.


— Não sei — disse para Jordão na porta da casa, em voz ainda baixa. — Tem uma grande debilidade que não consigo explicar, e sem vômitos, nada... Se amanhã ela acordar igual a hoje, você me chama depressa.


No dia seguinte ela piorou. Houve consulta. Constatou-se uma anemia agudíssima, completamente inexplicável. Alicia não teve mais desmaios, mas ia visivelmente andando para a morte. Durante o dia todo, o quarto estava com as luzes acesas e em total silêncio. As horas se passavam sem se ouvir o mínimo barulho. Alicia dormitava. Jordão vivia quase que definitivamente na sala, também com as luzes acesas. Andava sem cessar de um extremo para outro, com incansável obstinação. O tapete abafava seus passos. Algumas vezes entrava no quarto e continuava seu mudo vaivém ao longo da cama, olhando para sua mulher cada vez que caminhava na sua direção.


Não demorou muito para Alicia passar a sofrer alucinações, confusas e flutuantes no início, e que desceram depois até o chão. A jovem, de olhos desmesuradamente abertos, não fazia senão olhar para os tapetes que se encontravam a cada lado da cama. Uma noite ela ficou repentinamente com o olhar fixo. Em seguida abriu a boca tentando gritar, e suas narinas e lábios se molharam de suor.


— Jordão! Jordão! — gritou, rígida de espanto, sem parar de olhar o tapete.


Jordão correu para o quarto, e, ao vê-lo aparecer, Alicia deu um brado de horror.


— Sou eu, Alicia, sou eu!


Alicia olhou para ele com olhar extraviado, olhou para o tapete, voltou a olhar para ele, e depois de um longo momento de estupefata confrontação, serenou. Sorriu e pegou entre as suas as mãos do marido, fazendo carícias e tremendo.


Entre suas alucinações mais obstinadas, houve um antropóide, apoiado no tapete sobre os próprios dedos, que mantinha os olhos fixos nela.


Os médicos voltaram inutilmente. Havia ali, diante deles, uma vida que se acabava, dessangrando-se dia após dia, hora após hora, sem se saber absolutamente por quê. Na última consulta, Alicia jazia em estupor, enquanto eles a pulseavam, passando de um para outro o pulso inerte. Observaram-na um longo momento em silêncio e encaminharam-se para a sala.


— Pst... — Deu de ombros, desanimado, seu médico. — É um caso sério... pouco se pode fazer...


— Era só o que me faltava! — gritou Jordão. E tamborilou bruscamente sobre a mesa.


Alicia foi-se extinguindo no seu delírio de anemia, que se fazia mais grave pe!a tarde, mas que cedia sempre nas primeiras horas da manhã. Durante o dia, sua doença não avançava, mas de manhã ela amanhecia lívida, quase em síncope. Parecia que unicamente à noite a sua vida se fosse em novas asas de sangue. Tinha sempre ao acordar a sensação de sentir-se derrubada na cama com um milhão de quilos por cima. A partir do terceiro dia esse desmoronamento não a abandonou mais. Apenas podia mexer a cabeça. Não deixou que pegassem na sua cama, nem sequer que arrumassem a almofada. Seus terrores crepusculares avançaram na forma de monstros que se arrastavam até sua cama e subiam com dificuldade pela colcha.


Perdeu depois o conhecimento. Nos dias finais, delirou sem cessar a meia-voz. As luzes continuavam fúnebres e acesas no quarto e na sala. No silêncio agônico da casa, não se ouvia mais que o delírio monótono que saía da cama, e o rumor abafado dos eternos passos de Jordão.


Alicia morreu, por fim. A empregada, que entrou depois para desfazer a cama, já vazia, olhou um momento com estranheza para a almofada.


— Senhor! — chamou ao Jordão em voz baixa. — Na almofada há manchas que parecem ser de sangue.


Jordão se aproximou rapidamente. Também se agachou. Efetivamente, sobre a fronha, de ambos os lados da cavidade que tinha deixado a cabeça de Alicia, se viam algumas manchinhas escuras.


— Parecem picadas — murmurou a empregada depois de um momento imóvel na observação.


— Aproxime-o da luz - disse Jordão.


A moça levantou a almofada, mas em seguida deixou-a cair, e ficou olhando para ele, lívida e trêmula. Sem saber por quê, Jordão percebeu que seus cabelos se eriçavam.


— O que é que há? — murmurou com voz rouca.


— Pesa muito — falou a empregada, sem parar de tremer.


Jordão levantou a almofada; pesava extraordinariamente. Saíram com ela, e sobre a mesa da sala Jordão cortou a fronha e a capa. As penas superiores voaram, e a empregada deu um grito de horror com a boca inteiramente aberta, levando as mãos crispadas às bandós. Sobre o fundo, entre as penas, mexendo devagar os pés aveludados, havia um animal monstruoso, uma bola viva e viscosa. Estava tão inchada que quase não se lhe via a boca.


Noite após noite, a partir do dia em que Alicia tinha ficado doente, ele tinha aplicado sigilosamente sua boca — sua tromba, melhor dizendo — às têmporas da mulher, chupando-lhe o sangue. A mordida era quase imperceptível. A remoção diária da almofada tinha impedido sem dúvida seu desenvolvimento, mas assim que a jovem não conseguiu mais se mexer, a sucção foi vertiginosa. Em apenas cinco dias e cinco noites, tinha esvaziado Alicia.


Esses parasitos das aves, diminutos no seu meio habitual, chegam a adquirir proporções enormes em certas condições. O sangue humano parece ser para eles particularmente favorável, e não é raro encontrá-los nas almofadas de penas.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Suficiente

Observe meu olhar, sinta minha atenção, valorize minha aproximação...
Então, me abrace e fique em silêncio. É o suficiente!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Vamos ao concerto da OSPA

É hoje - 5° Concerto Oficial da OSPA - 20h30min - na Igreja Nossa Senhora das Dores (Rua Riachuelo, 630 - Porto Alegre). Entrada Franca
Obras:
- J.S.Bach – Concerto de Brandenburgo n° 3
- J.S.Bach - Suíte Orquestral n° 1
- W.A. Mozart – Sinfonia n° 40

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Me exercitando novamente

Cinco meses depois da ruptura no menisco, que me obrigou a realizar cirurgia, voltei hoje às atividades físicas normais, como musculação, bicicleta e hidroginástica. Isso é muito bom porque a barriga vai diminuir...

Apresentação gratuita da OSPA

Curtam a excelente programação para amanhã. A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre estará na Igreja Nossa Senhora das Dores (Rua Riachuelo, 630) apresentando obras de dois dos compositores mais importantes e influentes do ocidente – Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Johann Sebastian Bach (1685 - 1750). O 5º Concerto Oficial será regido pelo Diretor Artístico da OSPA, maestro Tiago Flores. O concerto tem início com a execução do Concerto de Bran...denburgo n° 3, um dos mais conhecidos e populares de Bach. Na sequência está a Suíte Orquestral n° 1, a primeira de quatro suítes da carreira do compositor. Apesar da religiosidade presente, as peças estão entre as poucas obras de Bach que não são sacras.

O espetáculo termina com uma das obras mais famosas de Mozart, a Sinfonia nº 40, conhecida como a Grande Sinfonia. Dividida em quatro movimentos, é marcada por grandes contrastes e momentos de instabilidade, numa obra vigorosa em que se percebe a maturidade do compositor. A temporada 2011 da OSPA conta com uma programação bastante abrangente, contemplando um repertório que vai do barroco ao contemporâneo. Para o maestro Tiago Flores, é uma forma de atingir diferentes públicos.
– Nesta apresentação teremos uma boa amostra do período Barroco e Clássico, com peças muito conhecidas. É uma bela oportunidade para apreciar essas grandes composições – explica.
Graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul sob a orientação de Arlindo Teixeira, Tiago Flores se especializou em regência orquestral em São Petersburgo, na Rússia. Participou de cursos, oficinas e festivais com Kurt Redel (Alemanha) e Lutero Rodrigues. Atuou à frente de orquestras do Brasil, Venezuela, México, Itália e Áustria. Entre 1999 e 2011, foi diretor artístico da OSPA. Recebeu o prêmio "Melhores da Cultura 2005" da Secretaria de Estado da Cultura - RS, prêmio Açorianos de Melhor CD Instrumental, em 2006, e Melhor Espetáculo 2008, concedidos pela Secretaria da Cultura de Porto Alegre. Atualmente, além de Diretor Artístico da OSPA, é regente da Orquestra de Câmara da ULBRA desde sua fundação e vêm recebendo inúmeros elogios da crítica especializada. 
Os Concertos da OSPA têm patrocino da Lei Federal de Incentivo a Cultura, Vonpar, Ipiranga, Gerdau, Souza Cruz e Brasília Guaíba. A realização é da OSPA e Secretaria de Estado da Cultura - Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Acesse: www.ospa.org.br